Fale conosco Conheça o Rotary Página inicial

Gerson Gonçalves
(EDRI e membro do Conselho Consultivo da ABTRF)
 Artigos anteriores
 Fale com a redação


 
 

Como tudo começou            

osto de pesquisar sobre a origem dos “começos”, saber daquele momento histórico em que a descoberta foi feita ou então aconteceu o lançamento de uma idéia que propiciou o surgimento de uma grande organização. Todo rio caudaloso tem uma tênue nascente. Um fio de água que, ao longo do curso, se transforma em força que gera energia, proporciona navegação e irriga as margens, tornando-as produtivas.
   Assim, ao buscar a origem da Fundação Rotária, deparo com a figura de Arch Klumph (1869-1951), um madeireiro e sócio fundador do RC de Cleveland, em Ohio, nos EUA, e que foi o sexto presidente do RI, isso no ano rotário 1916-17. Ao ser eleito presidente, Arch quis “unir todos os rotarianos num programa que proporcionasse algum serviço grandioso no campo da educação em proveito da humanidade”. No ano seguinte, na Convenção de Atlanta, ele propôs a criação de um “fundo de dotações para o Rotary (...) com a finalidade de espalhar em todo o mundo o bem através da caridade, da educação e de outras sendas do progresso comunitário”.
   A primeira contribuição veio do RC de Kansas City. O valor de US$ 6,50, aparentemente pequeno para os nossos dias, era significativo em 1917, quando o preço médio de um carro novo era de apenas US$ 720,00. Essa quantia foi a sobra obtida no orçamento da Convenção de Kansas.

   Desde o início, Arch Klumph insistia que a Fundação deveria aceitar contribuições também dos não-rotarianos, pois ele achava que essa deveria ser uma organização aberta a todas as pessoas “que possam estar estudando caminhos e meios de pôr sua fortuna a serviço dos interesses maiores da humanidade”. Em seu relatório de 1931, Arch escrevia com grande conhecimento da história: “A finalidade da Fundação não é construir monumentos de tijolos e pedras. Se trabalharmos com mármore, este perecerá; se trabalharmos com cobre, o tempo irá deteriorá-lo; se erigirmos templos, estes cairão em ruína. Mas se trabalharmos com mentes imortais, se as imbuirmos do verdadeiro significado do Espírito do Rotary, como está expresso em nosso objetivo, e com o justo temor a Deus e ao próximo, estaremos gravando eternamente algo que enobrecerá toda a humanidade e fará do Rotary uma força imortal enquanto durar esta civilização”.
   Ao expor o pensamento acima, Arch por certo se lembrava de Antipater de Sidon, que no século 2 a.C. catalogou as então Sete Maravilhas do Mundo, que eram: as Pirâmides do Egito, os Jardins Suspensos da Babilônia, a Estátua de Zeus no Olimpo, o Templo de Ártemis em Éfeso, o Mausoléu de Halicarnasso, o Colosso de Rodes e o Farol de Alexandria. De todas as maravilhas, restaram somente as Pirâmides do Egito. Se as construções físicas ruíram, permanecem até os nossos dias – em nossas mentes – a influência do ensino de Sócrates, Platão, Aristóteles, Jesus, Buda e de tantos outros.

   Passados 91 anos do lançamento de seu “começo”, a Fundação Rotária é majestática! Reconhecida, aplaudida, prestigiada e reverenciada, é uma referência no mundo das fundações. Se hoje estivessem entre nós, Paul Harris e Arch Klumph certamente diriam com satisfação: o Rotary e sua Fundação Rotária tiveram um início modesto, mas aos poucos foram conquistando mentes e corações, ultrapassando as barreiras geográficas, e agora cobrem o mundo livre com seu manto benfazejo de compreensão e prestação de serviço que une os povos.
   Há um outro começo a que quero me referir, e neste começo os brasileiros estão especialmente envolvidos. Em 2002, quando era curador da Fundação Rotária, nosso companheiro José Alfredo Pretoni lançou a idéia da criação de uma fundação brasileira que proporcionasse a todos os patrícios a oportunidade de contribuir – e cujas contribuições pudessem ser abatidas do Imposto de Renda. A luta para se conseguir dos curadores a aprovação foi árdua, mas a persistência venceu as barreiras, e em 2004 o Estatuto foi aprovado. No ano seguinte, os devidos registros foram efetivados nos ministérios da Justiça e da Fazenda. A Associação Brasileira da The Rotary Foundation ainda está dando os primeiros passos, mas já recebeu doações que chegam perto de US$ 500 mil, o que indica um bom começo.
   Fica aqui registrada a origem de mais um começo, de uma idéia que será tão bem-sucedida quanto a de Arch Klumph, desde que os rotarianos brasileiros a compreendam e divulguem.


| Voltar | Principal | Rotary | E-mail |

© Copyright 2008 - Revista Brasil Rotário