Fale conosco Conheça o Rotary Página inicial

Antonio Hallage
(Diretor do RI 2009-11)
 Artigos anteriores
 Fale com a redação


 
 

A juventude e seu futuro no Rotary  

os diversos locais que tenho visitado, com as várias lideranças rotárias com que tenho trocado impressões, há algumas constantes que se repetem:

• A idade média dos nossos associados tem aumentado.
• Não estamos tendo sucesso em atrair jovens líderes para nossos clubes.
• Os rotaractianos não são admitidos nos Rotary Clubs tão logo tenham condições para isso.

   Ao mesmo tempo, os jovens da América Latina têm enfrentado, com intensidade variável, problemas relacionados ao desemprego, à evasão escolar, exclusão social, pobreza, habitação precária e ainda nas áreas de segurança e saúde, notadamente através da gravidez precoce e do aumento dos casos de Aids. Existem também alguns mitos em relação aos nossos jovens que devem ser entendidos melhor, como por exemplo:

   Os jovens não têm preocupações, e esta é uma juventude sem motivação.
   A verdade é exatamente o contrário. É só conversar com nossos jovens para verificar que eles estão em permanente busca por causas válidas e têm uma grande vontade de ser solidários.

   Os jovens não se esforçam o suficiente.
   Por outro lado, lhes é constantemente restringida a oportunidade de novos empregos de que eles tanto precisam.

   Os jovens são conflituosos.
   Os que aceitam esse mito esquecem que nossos jovens têm motivos de sobra para estarem tensos, a começar pela atenção que não é dada a seus problemas e pela pressão que existe a sua volta para que eles renunciem a seus sonhos.

   Mitos à parte, outras situações contribuem desfavoravelmente para que os jovens se estabeleçam adequadamente na sociedade, como o aumento populacional, as crises econômicas, a invariabilidade de sua renda per capita, o pequeno progresso que se observa na área da educação e as poucas oportunidades de participação na vida política para que eles exponham suas ideias.

Ontem e hoje
   No Rotary, a juventude tem sido uma prioridade desde o princípio. Em 1913, já era criada no Rotary Club de Syracuse, em Nova York, uma comissão para tratar de crianças com deficiência. Nos anos 20, sob o título de Dê a Cada Jovem Sua Chance, o Rotary Club de Chicago investia na juventude para transformar cada jovem em um cidadão útil e consciente, promovendo acampamentos, grupos escoteiros e outras atividades. Já em 1917, foi realizado o primeiro intercâmbio de jovens, feito entre norte-americanos e dinamarqueses.
   Os programas de Interact, Rotaract e Ryla – e, mais recentemente, o Rotakids – vieram para criar o crescimento no servir dos jovens que tiveram acesso a essas iniciativas, sendo-lhes transmitidos valores nos quais acreditamos.
   Pertenço, como muitos rotarianos de hoje, a uma geração que viveu sob uma forte pressão ideológica, polarizada entre esquerda e direita. Se por um lado isto criava um antagonismo entre as pessoas, por outro acabou gerando algo que as novas gerações desconhecem: o fato de se ter que escolher e assumir os riscos dessa escolha. Isto desperta paixões. E quem tem paixão por ideias – e, portanto, pela vida – não necessita de estimulantes ou drogas.
   Olhemos inicialmente quais são os enfoques a que estão expostos nossos parceiros no servir. Eles convivem principalmente com uma mudança em sua relação com a informação e o conhecimento. O bar da faculdade do meu tempo foi substituído em parte por salas de chat, onde os jovens de hoje tentam encontrar outros jovens com quem tenham identidade de pensamento. A diferença está na amplitude internacional que a internet lhes oferece. Jovens que já nasceram sob a influência do videogame atualmente estão na universidade, se formando para serem os líderes das próximas décadas. E quais são as necessidades dos jovens de hoje? Qual a crença ideológica que os motiva? O que defendem com vigor? O que o Rotary pode lhes oferecer?
   Talvez a forma idealizada por nossa organização no passado para a participação dos jovens (com o objetivo de em seguida atraí-los para os Rotary Clubs) tenha sido válida para aquela época, ou talvez tenha sido um erro histórico, como querem outros. A realidade é que em todo o mundo não temos tido sucesso em atrair rotaractianos para os nossos clubes. Ultimamente, a única ação concreta nesse sentido tem sido a criação dos chamados Rotary Clubs das Novas Gerações.
   Mas qual é a razão de seu êxito? A liberdade para que os jovens assumam seu próprio destino. É bem verdade que muitos rotaractianos entraram para o Rotary, trazendo consigo a paixão típica deles, e todos tiveram sucesso ao se dedicarem ao Servir em clubes rotários. Alguns já se tornaram governadores de distrito e desempenharam muito bem esta função de liderança. Catherine Noyer-Riveau, hoje a primeira diretora do Rotary International, foi fundadora do Rotaract Club de Paris.

O clube que eles querem
   Mas voltemos ao nosso questionamento inicial. Quais são os anseios dos jovens para participar de um Rotary Club? A que tipo de clube eles querem pertencer?

• A clubes com projetos, que lhes permitam exercitar sua visão idealista de servir.
• Clubes objetivos, pois os jovens estão acostumados a uma nova dinâmica de vida e têm horror ao excesso de burocracia e posturas estáticas.
• Clubes receptivos, que os acolham em seu esforço de “querer ser”.
• Clubes emocionantes e surpreendentes, capazes de transformar a apatia numa ação construtiva e inovadora, que os permita somar a experiência e a capacidade de influência dos veteranos com a voluntariedade dos mais jovens – um entendimento que já reconstruiu nações.

   Outro aspecto que deve ser providenciado é o planejamento de forma integrada dos nossos programas dedicados à juventude. Ao colocarmos esses programas em prática isoladamente, podemos fazer um ou outro bem, mas nos esquecemos de conectar uns aos outros, de dar continuidade ao trabalho que desenvolvem e de ter um plano de transição de um programa para o outro e, ao final, para o Rotary. Para realizar bem esta tarefa de planejamento integrado, necessitamos manter uma solução estrutural nos três níveis de nossa organização capaz de garantir essa ação.
   Em nível de clube, que é onde tudo acontece, é preciso criar uma Comissão Pró-Juventude que reúna alguns associados que se dediquem a pensar e programar a forma do clube atuar em relação à juventude. Esta comissão, de caráter permanente (e cujo presidente tem assento no Conselho Diretor do clube), irá coordenar as prioridades do clube em relação aos jovens.
   Além dos aspectos organizacionais, há também que se considerar as novas atividades dos programas estruturados do Rotary para a juventude, que devem incluir maior interatividade nos projetos sociais e o envolvimento dos jovens nos locais dos projetos para que eles sejam protagonistas nas ações de resgate da comunidade jovem através da produção cultural, esportiva e de lazer.
   Uma outra atividade permanente é mantermos contato com os jovens que momentaneamente deixam nossos programas, quer seja por necessidade de se desenvolver profissionalmente, por falta de tempo ou por serem consumidos no dia a dia de suas atividades. Uma base de dados confiável permite isto. Estou seguro de que um rotaractiano que momentaneamente se afasta do seu clube gostaria de receber em sua caixa de correio eletrônico a Carta Mensal de seu distrito ou o boletim de seu clube. No mínimo ele se sentiria lembrado como integrante da Família Rotária, permaneceria atualizado a respeito de suas realizações e a ela retornaria assim que possível.
   Os jovens são efetivamente as pontes que construímos para o futuro, transformando-os em elementos ativos da comunidade, no esforço de tornar melhor o mundo em que vivemos. Eles são a garantia da perpetuidade dos valores que defendemos e pelos quais julgamos que vale a pena lutar.
   Os jovens que soubermos inspirar são a garantia do futuro do Rotary. Eles deverão compor um grupo ético e resistente através de seus princípios. Mais que mostrar a nossos jovens o caminho, o que importa é caminhá-lo com eles, pois se esses jovens são uma parte importante do nosso presente, eles são 100% do nosso futuro. O futuro do Rotary está em suas mãos.


| Voltar | Principal | Rotary | E-mail |

© Copyright 2009 - Revista Brasil Rotário