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A
juventude e seu futuro no Rotary
os
diversos locais que tenho visitado, com as várias lideranças
rotárias com que tenho trocado impressões, há
algumas constantes que se repetem:
•
A idade média dos nossos associados tem aumentado.
• Não estamos tendo sucesso em atrair jovens líderes
para nossos clubes.
• Os rotaractianos não são admitidos nos Rotary
Clubs tão logo tenham condições para isso.
Ao
mesmo tempo, os jovens da América Latina têm enfrentado,
com intensidade variável, problemas relacionados ao desemprego,
à evasão escolar, exclusão social, pobreza,
habitação precária e ainda nas áreas
de segurança e saúde, notadamente através da
gravidez precoce e do aumento dos casos de Aids. Existem também
alguns mitos em relação aos nossos jovens que devem
ser entendidos melhor, como por exemplo:
Os
jovens não têm preocupações, e esta é
uma juventude sem motivação.
A verdade é exatamente o contrário.
É só conversar com nossos jovens para verificar que
eles estão em permanente busca por causas válidas
e têm uma grande vontade de ser solidários.
Os
jovens não se esforçam o suficiente.
Por outro lado, lhes é constantemente restringida
a oportunidade de novos empregos de que eles tanto precisam.
Os
jovens são conflituosos.
Os que aceitam esse mito esquecem que nossos jovens
têm motivos de sobra para estarem tensos, a começar
pela atenção que não é dada a seus problemas
e pela pressão que existe a sua volta para que eles renunciem
a seus sonhos.
Mitos
à parte, outras situações contribuem desfavoravelmente
para que os jovens se estabeleçam adequadamente na sociedade,
como o aumento populacional, as crises econômicas, a invariabilidade
de sua renda per capita, o pequeno progresso que se observa na área
da educação e as poucas oportunidades de participação
na vida política para que eles exponham suas ideias.
Ontem
e hoje
No Rotary, a juventude tem sido uma prioridade
desde o princípio. Em 1913, já era criada no Rotary
Club de Syracuse, em Nova York, uma comissão para tratar
de crianças com deficiência. Nos anos 20, sob o título
de Dê a Cada Jovem Sua Chance, o Rotary Club de Chicago investia
na juventude para transformar cada jovem em um cidadão útil
e consciente, promovendo acampamentos, grupos escoteiros e outras
atividades. Já em 1917, foi realizado o primeiro intercâmbio
de jovens, feito entre norte-americanos e dinamarqueses.
Os programas de Interact, Rotaract e Ryla –
e, mais recentemente, o Rotakids – vieram para criar o crescimento
no servir dos jovens que tiveram acesso a essas iniciativas, sendo-lhes
transmitidos valores nos quais acreditamos.
Pertenço, como muitos rotarianos de hoje,
a uma geração que viveu sob uma forte pressão
ideológica, polarizada entre esquerda e direita. Se por um
lado isto criava um antagonismo entre as pessoas, por outro acabou
gerando algo que as novas gerações desconhecem: o
fato de se ter que escolher e assumir os riscos dessa escolha. Isto
desperta paixões. E quem tem paixão por ideias –
e, portanto, pela vida – não necessita de estimulantes
ou drogas.
Olhemos inicialmente quais são os enfoques
a que estão expostos nossos parceiros no servir. Eles convivem
principalmente com uma mudança em sua relação
com a informação e o conhecimento. O bar da faculdade
do meu tempo foi substituído em parte por salas de chat,
onde os jovens de hoje tentam encontrar outros jovens com quem tenham
identidade de pensamento. A diferença está na amplitude
internacional que a internet lhes oferece. Jovens que já
nasceram sob a influência do videogame atualmente estão
na universidade, se formando para serem os líderes das próximas
décadas. E quais são as necessidades dos jovens de
hoje? Qual a crença ideológica que os motiva? O que
defendem com vigor? O que o Rotary pode lhes oferecer?
Talvez a forma idealizada por nossa organização
no passado para a participação dos jovens (com o objetivo
de em seguida atraí-los para os Rotary Clubs) tenha sido
válida para aquela época, ou talvez tenha sido um
erro histórico, como querem outros. A realidade é
que em todo o mundo não temos tido sucesso em atrair rotaractianos
para os nossos clubes. Ultimamente, a única ação
concreta nesse sentido tem sido a criação dos chamados
Rotary Clubs das Novas Gerações.
Mas qual é a razão de seu êxito?
A liberdade para que os jovens assumam seu próprio destino.
É bem verdade que muitos rotaractianos entraram para o Rotary,
trazendo consigo a paixão típica deles, e todos tiveram
sucesso ao se dedicarem ao Servir em clubes rotários. Alguns
já se tornaram governadores de distrito e desempenharam muito
bem esta função de liderança. Catherine Noyer-Riveau,
hoje a primeira diretora do Rotary International, foi fundadora
do Rotaract Club de Paris.
O
clube que eles querem
Mas voltemos ao nosso questionamento inicial.
Quais são os anseios dos jovens para participar de um Rotary
Club? A que tipo de clube eles querem pertencer?
•
A clubes com projetos, que lhes permitam exercitar sua visão
idealista de servir.
• Clubes objetivos, pois os jovens estão acostumados
a uma nova dinâmica de vida e têm horror ao excesso
de burocracia e posturas estáticas.
• Clubes receptivos, que os acolham em seu esforço
de “querer ser”.
• Clubes emocionantes e surpreendentes, capazes de transformar
a apatia numa ação construtiva e inovadora, que os
permita somar a experiência e a capacidade de influência
dos veteranos com a voluntariedade dos mais jovens – um entendimento
que já reconstruiu nações.
Outro
aspecto que deve ser providenciado é o planejamento de forma
integrada dos nossos programas dedicados à juventude. Ao
colocarmos esses programas em prática isoladamente, podemos
fazer um ou outro bem, mas nos esquecemos de conectar uns aos outros,
de dar continuidade ao trabalho que desenvolvem e de ter um plano
de transição de um programa para o outro e, ao final,
para o Rotary. Para realizar bem esta tarefa de planejamento integrado,
necessitamos manter uma solução estrutural nos três
níveis de nossa organização capaz de garantir
essa ação.
Em nível de clube, que é onde tudo
acontece, é preciso criar uma Comissão Pró-Juventude
que reúna alguns associados que se dediquem a pensar e programar
a forma do clube atuar em relação à juventude.
Esta comissão, de caráter permanente (e cujo presidente
tem assento no Conselho Diretor do clube), irá coordenar
as prioridades do clube em relação aos jovens.
Além dos aspectos organizacionais, há
também que se considerar as novas atividades dos programas
estruturados do Rotary para a juventude, que devem incluir maior
interatividade nos projetos sociais e o envolvimento dos jovens
nos locais dos projetos para que eles sejam protagonistas nas ações
de resgate da comunidade jovem através da produção
cultural, esportiva e de lazer.
Uma outra atividade permanente é mantermos
contato com os jovens que momentaneamente deixam nossos programas,
quer seja por necessidade de se desenvolver profissionalmente, por
falta de tempo ou por serem consumidos no dia a dia de suas atividades.
Uma base de dados confiável permite isto. Estou seguro de
que um rotaractiano que momentaneamente se afasta do seu clube gostaria
de receber em sua caixa de correio eletrônico a Carta Mensal
de seu distrito ou o boletim de seu clube. No mínimo ele
se sentiria lembrado como integrante da Família Rotária,
permaneceria atualizado a respeito de suas realizações
e a ela retornaria assim que possível.
Os jovens são efetivamente as pontes que
construímos para o futuro, transformando-os em elementos
ativos da comunidade, no esforço de tornar melhor o mundo
em que vivemos. Eles são a garantia da perpetuidade dos valores
que defendemos e pelos quais julgamos que vale a pena lutar.
Os jovens que soubermos inspirar são a
garantia do futuro do Rotary. Eles deverão compor um grupo
ético e resistente através de seus princípios.
Mais que mostrar a nossos jovens o caminho, o que importa é
caminhá-lo com eles, pois se esses jovens são uma
parte importante do nosso presente, eles são 100% do nosso
futuro. O futuro do Rotary está em suas mãos.
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