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Antonio Hallage
(Diretor do RI 2009-11)
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Planejamento estratégico no Rotary  

os próximos cinco anos ocorrerão mais mudanças do que assistimos nos últimos 30. A aceleração histórica mostra que eventos ocorrem em velocidade crescente, de modo que um século será representado por um ano.
   Em função disso, fica explicitada a necessidade imperiosa do planejamento a longo prazo.
O planejamento é hoje necessário não mais como um antecipador do futuro, mas, acima de tudo, como uma motivação para alcançar esse futuro.
   A atordoante evolução da tecnologia e a democratização da informação, promovida pela internet, fizeram com que fossem questionados os paradigmas da autoridade e do poder como eram vistos até recentemente. Referimo-nos principalmente aos questionamentos nos casos em que o poder e a autoridade eram exercidos pela posse privilegiada da informação e eram mantidos pelo cerceamento dessa mesma informação aos comandados ou subordinados.
   É crescente a necessidade de se estabelecer novas formas de relacionamento humano. E esses relacionamenos já estão mudando. Entre professores e alunos, entre gerentes e subordinados nas empresas, por exemplo. Nossos filhos já fazem provas na universidade via internet. Enquanto isso, os professores estão perdendo a vantagem competitiva sobre seus alunos; antes só os professores eram donos da informação. Hoje eles se tornam cada vez mais orientadores da obtenção do conhecimento, e não simplesmente provedores de informação.
   Qual é o paralelo entre essas realidades e organizações como o Rotary? Mais especificamente, quais analogias podemos traçar quanto aos modelos de prestação de serviços, de reunião e sua periodicidade, de transmissão da informação e de absorção do conhecimento dos princípios que movem nossa instituição?

Para além da propriedade
   Organizações que baseiam seu poder e abrangência global em propriedades, em quantidade de empregados em folha de pagamento, os quais não se sentem membros das mesmas, tendem a desaparecer.
   Por alguns aspectos, o Rotary leva uma grande vantagem em relação a tais organizações.
   O Rotary não tem propriedades. Ele não pode ser vendido ou alugado, e seus membros são investidores na entidade sem serem seus acionistas ou proprietários. O Rotary é uma organização muita além das propriedades.
   Os rotarianos não são empregados, mas membros voluntários em células fundamentais, que são os clubes.
   O Rotary é federalista. Trata-se de um conceito que existe há mais de 2.000 anos. O Rotary é grande e pequeno ao mesmo tempo.
   O Rotary apresenta-se como uma forma de obtenção da liberdade, pois encontramos nossas próprias respostas sem o auxílio de outros e, igualmente, auxiliando os outros.
   O Rotary possui como instituição, principalmente por meio dos programas da Fundação Rotária, a capacidade de desenvolver o sentimento de solidariedade em caráter internacional com aqueles que nunca encontramos, e talvez nunca venhamos a encontrar ou mesmo ver.
   Nossa organização não depende do reconhecimento externo, nem de indivíduos que com seu conhecimento se tornem imprescindíveis.

O futuro é logo ali
   Portanto, o que estamos fazendo para influenciar os nossos próprios destinos nessa sociedade em mudança?
   O que estamos fazendo para influenciar os destinos do Rotary?
   Por nossa história ser extensa, podemos estar criando para nós mesmos a armadilha de imaginar que o futuro igualmente demorará a vir. Atenção: podemos ser pegos de surpresa.
   Não precisamos esperar pelo futuro; precisamos auxiliar a moldá-lo já. Seria muito triste, e perigoso até, perdermos o futuro por ficarmos presos na contemplação do passado. Faz-se necessário analisar o passado, sim, para empreender de forma a mais planejada possível nossa viagem para o futuro.

Distribuindo capacidade
   Qual seria, então, o elo faltante nessa corrente administrativa que visa dar, ao mesmo tempo, força, poder, unidade, competência, sentido de participação e motivação para o futuro?
   Sem qualquer dúvida é o planejamento, seja ele estratégico (a longo prazo), tático (a médio prazo) ou operacional (a curto prazo).
   Por sua característica federalista, o Rotary é grande e pequeno ao mesmo tempo, já dissemos.
   O Rotary precisa ser grande, e o é, já que tem abrangência mundial por meio das inúmeras comunidades a que serve. Mas é ao mesmo tempo pequeno, ou seja, suas unidades representativas, que são os clubes, devem ser de porte pequeno o suficiente para que as pessoas possam se conhecer bem o suficiente para agir de forma organizada dentro da comunidade, e para que seus membros se conheçam bem o suficiente para que conquistem o respeito de seus companheiros por seus méritos. O porte dos clubes deve ser o necessário para atingir com intensidade, continuidade e precisão a localidade sob sua responsabilidade.
   Isto não significa nem uma descentralização nem uma subdivisão organizacional. A força do Rotary está em poder distribuir sua capacidade, sua energia e poder de servir de forma consistente pelos mais de 33.000 clubes e mais de 1.200.000 rotarianos.
   Os rotarianos de todo o mundo devem permanecer unidos por uma visão única na qual todos são missionários.
   No Rotary pensa-se globalmente e age-se localmente.
   A administração federalista do Rotary é a fórmula encontrada para que cada clube, por meio de cada rotariano, possa sentir-se independente e comprometido ao mesmo tempo.
   Isto pode indicar que no Rotary não há um poder central, já que os clubes são autônomos. Mas se diluirmos totalmente a ação, sem um elo de coordenação, os clubes e os rotarianos podem perder a direção, os padrões de comportamento ou os elementos que garantam a coesão. E estas são características que o tornam grande em suas conquistas globais.
   Será que os clubes funcionam necessariamente melhor atuando sozinhos, mesmo que planejadamente, do que com um planejamento de longo prazo, em nível internacional, ou de médio prazo, em nível distrital?
   É necessário um pouco de tudo isso. Mas para que o planejamento de longo prazo tenha sucesso, é necessário que o planejamento tático (exercitado pelos distritos) e o planejamento operacional (exercitado pelos clubes) se realimentem, se completem.

Níveis de atuação
   O Rotary International é administrado por processos de governança que tendem a ser idênticos.
   O Conselho Diretor tem um presidente e diretores que representam as várias zonas de atuação, que planejam as ações da organização e coordenam a ação dos distritos por meio de comitês ou de forças-tarefa. Com a introdução do Plano de Liderança Distrital, além de formar novas lideranças, os distritos começaram a atuar de forma idêntica através de governadores assistentes, e coordenar a ação dos clubes utilizando comissões e forças-tarefa distritais. Faltam poucos ajustes (não possuir um conselho diretor formalizado é um deles) para que a estrutura de governança seja similar no âmbito internacional e no âmbito dos clubes. Os clubes, também com seu presidente, conselho diretor e comissões, em relação à comunidade a que servem, atuam de forma similar à estrutura internacional.

O planejamento é o elo
   O Rotary International permanece unido também por estar identificado com grandes causas, como a da erradicação da poliomielie, que, inicialmente titubeante, tomou força quando passou a ser planejada com um objetivo a longo prazo bem definido.
   Os lemas internacionais lançados a cada ano pelos presidentes do RI renovam as energias e dão o foco, a ênfase e a direção anual ao plano de longo prazo. O planejamento a longo prazo deve, portanto, ser o elo que promove esta ação, dando-lhe consistência, credibilidade e continuidade.
   O planejamento a longo prazo, por necessidade de interdependência, exige:

• Normas básicas de conduta (estatutos, regimento interno e procedimentos) iguais para todos;
• Forma comum e rápida de intercomunicação em todos os níveis;
• Processos de governança idênticos;
• Visão internacional e ação local por meio do conceito de cidadania mundial irrestrita;
• Grandes causas, identificadas e renovadas a cada ano, como pano de fundo da ação coordenada e planejada;
• Autonomia para que cada clube gerencie os espaços vazios de serviço necessários à melhoria da comunidade.

   O citado planejamento deve promover a sintonia do Rotary com a época atual, em que se deseja valorizar e respeitar as diversidades e as diferenças, em que as pessoas com ideal, como os rotarianos, desejam promover sua participação para melhorar a comunidade em que vivem e, ao mesmo tempo, fazer parte de algo maior.
   Os líderes do Rotary, nos seus diversos níveis, serão efetivamente aqueles que atuarem e aceitarem tal forma de atuação. E os distritos e clubes estão carecendo de planos identificados com os itens estabelecidos em âmbito internacional.
   A roda não necessita ser reinventada, mas precisa fazer acontecer o futuro pela ação planejada.
   Caros companheiros, é inestimável sua ação em promover e dar validade aos planos estratégicos do seu distrito e do seu clube, pois O Futuro do Rotary Está em Suas Mãos.


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