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Planejamento
estratégico no Rotary
os
próximos cinco anos ocorrerão mais mudanças
do que assistimos nos últimos 30. A aceleração
histórica mostra que eventos ocorrem em velocidade crescente,
de modo que um século será representado por um ano.
Em função disso, fica explicitada
a necessidade imperiosa do planejamento a longo prazo.
O planejamento é hoje necessário não mais como
um antecipador do futuro, mas, acima de tudo, como uma motivação
para alcançar esse futuro.
A atordoante evolução da tecnologia
e a democratização da informação, promovida
pela internet, fizeram com que fossem questionados os paradigmas
da autoridade e do poder como eram vistos até recentemente.
Referimo-nos principalmente aos questionamentos nos casos em que
o poder e a autoridade eram exercidos pela posse privilegiada da
informação e eram mantidos pelo cerceamento dessa
mesma informação aos comandados ou subordinados.
É crescente a necessidade de se estabelecer
novas formas de relacionamento humano. E esses relacionamenos já
estão mudando. Entre professores e alunos, entre gerentes
e subordinados nas empresas, por exemplo. Nossos filhos já
fazem provas na universidade via internet. Enquanto isso, os professores
estão perdendo a vantagem competitiva sobre seus alunos;
antes só os professores eram donos da informação.
Hoje eles se tornam cada vez mais orientadores da obtenção
do conhecimento, e não simplesmente provedores de informação.
Qual é o paralelo entre essas realidades
e organizações como o Rotary? Mais especificamente,
quais analogias podemos traçar quanto aos modelos de prestação
de serviços, de reunião e sua periodicidade, de transmissão
da informação e de absorção do conhecimento
dos princípios que movem nossa instituição?
Para
além da propriedade
Organizações que baseiam seu poder
e abrangência global em propriedades, em quantidade de empregados
em folha de pagamento, os quais não se sentem membros das
mesmas, tendem a desaparecer.
Por alguns aspectos, o Rotary leva uma grande
vantagem em relação a tais organizações.
O Rotary não tem propriedades. Ele não
pode ser vendido ou alugado, e seus membros são investidores
na entidade sem serem seus acionistas ou proprietários. O
Rotary é uma organização muita além
das propriedades.
Os rotarianos não são empregados,
mas membros voluntários em células fundamentais, que
são os clubes.
O Rotary é federalista. Trata-se de um
conceito que existe há mais de 2.000 anos. O Rotary é
grande e pequeno ao mesmo tempo.
O Rotary apresenta-se como uma forma de obtenção
da liberdade, pois encontramos nossas próprias respostas
sem o auxílio de outros e, igualmente, auxiliando os outros.
O Rotary possui como instituição,
principalmente por meio dos programas da Fundação
Rotária, a capacidade de desenvolver o sentimento de solidariedade
em caráter internacional com aqueles que nunca encontramos,
e talvez nunca venhamos a encontrar ou mesmo ver.
Nossa organização não depende
do reconhecimento externo, nem de indivíduos que com seu
conhecimento se tornem imprescindíveis.
O
futuro é logo ali
Portanto, o que estamos fazendo para influenciar
os nossos próprios destinos nessa sociedade em mudança?
O que estamos fazendo para influenciar os destinos
do Rotary?
Por nossa história ser extensa, podemos
estar criando para nós mesmos a armadilha de imaginar que
o futuro igualmente demorará a vir. Atenção:
podemos ser pegos de surpresa.
Não precisamos esperar pelo futuro; precisamos
auxiliar a moldá-lo já. Seria muito triste, e perigoso
até, perdermos o futuro por ficarmos presos na contemplação
do passado. Faz-se necessário analisar o passado, sim, para
empreender de forma a mais planejada possível nossa viagem
para o futuro.
Distribuindo
capacidade
Qual seria, então, o elo faltante nessa
corrente administrativa que visa dar, ao mesmo tempo, força,
poder, unidade, competência, sentido de participação
e motivação para o futuro?
Sem qualquer dúvida é o planejamento,
seja ele estratégico (a longo prazo), tático (a médio
prazo) ou operacional (a curto prazo).
Por sua característica federalista, o Rotary
é grande e pequeno ao mesmo tempo, já dissemos.
O Rotary precisa ser grande, e o é, já
que tem abrangência mundial por meio das inúmeras comunidades
a que serve. Mas é ao mesmo tempo pequeno, ou seja, suas
unidades representativas, que são os clubes, devem ser de
porte pequeno o suficiente para que as pessoas possam se conhecer
bem o suficiente para agir de forma organizada dentro da comunidade,
e para que seus membros se conheçam bem o suficiente para
que conquistem o respeito de seus companheiros por seus méritos.
O porte dos clubes deve ser o necessário para atingir com
intensidade, continuidade e precisão a localidade sob sua
responsabilidade.
Isto não significa nem uma descentralização
nem uma subdivisão organizacional. A força do Rotary
está em poder distribuir sua capacidade, sua energia e poder
de servir de forma consistente pelos mais de 33.000 clubes e mais
de 1.200.000 rotarianos.
Os rotarianos de todo o mundo devem permanecer
unidos por uma visão única na qual todos são
missionários.
No Rotary pensa-se globalmente e age-se localmente.
A administração federalista do Rotary
é a fórmula encontrada para que cada clube, por meio
de cada rotariano, possa sentir-se independente e comprometido ao
mesmo tempo.
Isto pode indicar que no Rotary não há
um poder central, já que os clubes são autônomos.
Mas se diluirmos totalmente a ação, sem um elo de
coordenação, os clubes e os rotarianos podem perder
a direção, os padrões de comportamento ou os
elementos que garantam a coesão. E estas são características
que o tornam grande em suas conquistas globais.
Será que os clubes funcionam necessariamente
melhor atuando sozinhos, mesmo que planejadamente, do que com um
planejamento de longo prazo, em nível internacional, ou de
médio prazo, em nível distrital?
É necessário um pouco de tudo isso.
Mas para que o planejamento de longo prazo tenha sucesso, é
necessário que o planejamento tático (exercitado pelos
distritos) e o planejamento operacional (exercitado pelos clubes)
se realimentem, se completem.
Níveis
de atuação
O Rotary International é administrado por
processos de governança que tendem a ser idênticos.
O Conselho Diretor tem um presidente e diretores
que representam as várias zonas de atuação,
que planejam as ações da organização
e coordenam a ação dos distritos por meio de comitês
ou de forças-tarefa. Com a introdução do Plano
de Liderança Distrital, além de formar novas lideranças,
os distritos começaram a atuar de forma idêntica através
de governadores assistentes, e coordenar a ação dos
clubes utilizando comissões e forças-tarefa distritais.
Faltam poucos ajustes (não possuir um conselho diretor formalizado
é um deles) para que a estrutura de governança seja
similar no âmbito internacional e no âmbito dos clubes.
Os clubes, também com seu presidente, conselho diretor e
comissões, em relação à comunidade a
que servem, atuam de forma similar à estrutura internacional.
O
planejamento é o elo
O Rotary International permanece unido também
por estar identificado com grandes causas, como a da erradicação
da poliomielie, que, inicialmente titubeante, tomou força
quando passou a ser planejada com um objetivo a longo prazo bem
definido.
Os lemas internacionais lançados a cada
ano pelos presidentes do RI renovam as energias e dão o foco,
a ênfase e a direção anual ao plano de longo
prazo. O planejamento a longo prazo deve, portanto, ser o elo que
promove esta ação, dando-lhe consistência, credibilidade
e continuidade.
O planejamento a longo prazo, por necessidade
de interdependência, exige:
•
Normas básicas de conduta (estatutos, regimento interno e
procedimentos) iguais para todos;
• Forma comum e rápida de intercomunicação
em todos os níveis;
• Processos de governança idênticos;
• Visão internacional e ação local por
meio do conceito de cidadania mundial irrestrita;
• Grandes causas, identificadas e renovadas a cada ano, como
pano de fundo da ação coordenada e planejada;
• Autonomia para que cada clube gerencie os espaços
vazios de serviço necessários à melhoria da
comunidade.
O
citado planejamento deve promover a sintonia do Rotary com a época
atual, em que se deseja valorizar e respeitar as diversidades e
as diferenças, em que as pessoas com ideal, como os rotarianos,
desejam promover sua participação para melhorar a
comunidade em que vivem e, ao mesmo tempo, fazer parte de algo maior.
Os líderes do Rotary, nos seus diversos
níveis, serão efetivamente aqueles que atuarem e aceitarem
tal forma de atuação. E os distritos e clubes estão
carecendo de planos identificados com os itens estabelecidos em
âmbito internacional.
A roda não necessita ser reinventada, mas
precisa fazer acontecer o futuro pela ação planejada.
Caros companheiros, é inestimável
sua ação em promover e dar validade aos planos estratégicos
do seu distrito e do seu clube, pois O Futuro do Rotary Está
em Suas Mãos.
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