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Antonio Hallage
(Diretor do RI 2009-11)
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Reconectar com a comunidade  

o Rotary, o relacionamento com a comunidade tem sido um ponto importante das diversas componentes do servir. O que se nota em várias partes do mundo rotário é um distanciamento crescente entre os Rotary Clubs e as comunidades a que servem ou deveriam estar servindo. Desde a avaliação do cesto de projetos que um clube pretende executar até a definição de seu território, passando pela seleção de novos associados para que o clube continue representando um extrato transversal da região em que está instalado, tudo isso passa pela análise da comunidade a ser abrangida.
   No intuito de ampliar o quadro associativo e garantir que a comunidade a que um clube serve esteja sendo atendida, têm sido exploradas alternativas de divisão de território ou compartilhamento de território para a criação de novos clubes. Com estes procedimentos, se não foi tomado o cuidado de revisar o Estatuto do Clube para rever sua localidade e a área de atuação a ser alterada (nos casos de já existirem clubes naquela localidade), inicia-se um processo de perda de noção de qual é a comunidade a que aquele clube serve.
   Mais recentemente, em localidades onde existam mais de um clube, estes têm procurado, em conjunto e sob a orientação do governador distrital, revisar suas respectivas áreas de atuação, com o objetivo de revê-las, bem como de identificar e atualizar a definição da comunidade a que servem – ou deveriam estar servindo.

Perguntas importantes
   Com esta definição clara da área de ação do clube, pode ser reiniciado um processo de levantamento, entre outros, dos recursos públicos, estabelecimentos comerciais e de ensino, clínicas médicas, profissionais autônomos e principalmente das carências existentes nessa área, levando a uma definição mais precisa do perfil dessa comunidade. Se fizermos aos companheiros de nossos Rotary Clubs as perguntas “Qual a comunidade a que nosso clube serve?” e “A comunidade a que servimos conhece os rotarianos que compõem este clube?”, e obtivermos respostas convincentes (e não um silêncio constrangedor), podemos ainda perguntar: “A comunidade a que servimos perceberia se nosso clube ‘fechasse as portas’?”
   Em função das respostas obtidas, estaremos então em condições de avaliar o grau de identidade de nosso clube com a nossa comunidade. Hoje em dia, temos centenas de milhares de organizações não-governamentais em operação. Dentre as que são sérias e responsáveis, as que mais têm crescido em número de voluntários, dando satisfação e noção de pertinência aos seus associados, são aquelas que, entre outras, possuem as seguintes características comuns:

   • Seus associados estão em estreito contato com a comunidade a que servem.
   • Os projetos que realizam, de interesse direto e às vezes imediato da comunidade, são simples, de resultado rápido de ser apreciado e, na maioria dos casos, autossustentáveis.

   Isto está claramente comprovado: para que os nossos Rotary Clubs influenciem as características das comunidades onde estão presentes e atuam, é necessário que conheçam estas comunidades e se tornem visíveis por projetos completados e que sejam de interesse desse público. Ao nos conectarmos com a comunidade, não o estaremos fazendo para simplesmente mostrar a ela os projetos que estamos executando e dizer que realizamos isso ou aquilo. Simplesmente estaremos dando a conhecer as nossas realizações para que, quando convocarmos esta comunidade para atuar ao nosso lado num projeto ou numa campanha, ela se una a nós por saber com quem está se unindo. Ao ser solicitada para que ceda alguns de seus membros ativos para se juntar a nós e servir, esta comunidade vai saber com quem estará servindo.

Identidade
   O desenvolvimento do quadro associativo se inicia pela adição de novos companheiros ao clube, e isto é facilitado se esse novo associado vier de uma comunidade com a qual tenhamos identidade. A ausência desse vínculo dificulta a identificação das carências, a realização de projetos necessários e mesmo o aprimoramento do prazer de servir. Se os organizadores de novos clubes se imbuírem do verdadeiro espírito rotário, a roda denteada que nos simboliza engatará nessa nova comunidade e direcionará suas parcelas mais carentes para um novo patamar de dignidade.
   Assim têm sido organizados novos clubes de sucesso: através da criação e da preservação de uma forte identidade com suas comunidades. Estes clubes não sofrem de anomia, nem de perda de associados. Estarão sempre vivos, encontrando novos nichos de prestação de serviços. Seus novos integrantes saberão primeiro e de imediato o que o Rotary faz e entenderão com muito mais facilidade o que é o Rotary.
   Nunca como agora foi tão necessário praticar e transmitir para a comunidade os princípios e valores defendidos pelo Rotary. Temos, como parte da ordem social, deveres para com a comunidade em que vivemos, de forma dinâmica e completa, ocupando todos os espaços que ainda não foram preenchidos e expandindo a ação do Rotary. As novas necessidades das nossas comunidades exigem novas formas de atuação, e é preciso entender as causas dessas necessidades, sejam elas políticas, sociais ou econômicas. É necessário encarar as situações do presente com coragem para atuar sobre elas e mudá-las.
   Todos os nossos esforços e todas as nossas doações são importantes. No entanto, mais importante que as doações é a certeza de que elas chegarão para quem precisa delas. Se nos reconectarmos às comunidades a que servimos, perceberemos o grande banquete de oportunidades de servir que está ali, bem ao nosso alcance.
   O Rotary é pequeno e grande ao mesmo tempo. Assim como nos dedicamos à comunidade internacional apoiando a erradicação da poliomielite, é na identidade e na interação com a nossa comunidade que nos realizaremos no curto prazo, apreciando de imediato o resultado do nosso labor, mantendo o interesse dos nossos associados em relação à comunidade e o interesse dos membros dessa comunidade em ingressar no Rotary.
   A comunidade está disponível. Vamos nos reconectar com ela.


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