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Antonio Hallage
(Diretor do RI 2009-11)
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O futuro e as lideranças no
Rotary International
 
 

e 20 anos atrás alguém falasse em gerência no Rotary, poderia ser visto como um sacrílego ao tentar comparar nossa organização a um negócio: “O Rotary não tem níveis gerenciais inferiores que necessitem ser reestruturados”, diziam.
   Ao longo dos últimos anos, foi crescendo a conscientização da necessidade de níveis gerenciais não convencionais no Rotary sem que com isso se estabelecesse uma postura opressora em sua aplicação. É a gestão do consentimento, do convencimento, da motivação. É a gestão que o Rotary vem aplicando há muito tempo, e que hoje é considerada o que há de mais moderno na gestão de empresas transnacionais. Trata-se da administração por responsabilidade subsidiária, na qual as decisões são tomadas no menor nível possível.
   Essa forma não convencional de gestão tem a finalidade de fazer com que os líderes rotários concentrem-se em sua missão e não neles mesmos. Nos últimos anos houve também uma concentração de ações na formação e no desenvolvimento de lideranças, inicialmente em nível distrital, com o Plano de Liderança Distrital, e mais recentemente, no âmbito dos clubes, com o Plano de Liderança de Clube.
   Muito além de permitir o planejamento em múltiplos níveis e de forma multianual e integrada, há nestes planos um conteúdo implícito que orienta a formação de lideranças rotárias.

As alternativas
   Examinemos as necessidades de lideranças no Rotary. Mesmo levando em conta que alguns presidentes de clube ocuparão a posição de governadores e que alguns ex-governadores ocuparão posições de comando no Rotary International e na Fundação Rotária nos seus diversos comitês, ou como coordenadores regionais ou de áreas, o Rotary necessitará, nos próximos dez anos, capacitar cerca de 330 mil novos líders. E é esperado que eles pavimentem o caminho para os que virão depois deles.
   O que poderíamos fazer em relação a isso? Dispomos das seguintes alternativas:
   A primeira é convidar cada presidente de clube e cada governador para que sirva por cinco anos.    Alguém está disponível e disposto a isso?
   A outra alternativa é identificar, o mais cedo possível, entre os rotarianos, aqueles que têm potencial para assumir posições de liderança no Rotary e provê-los com o melhor nível de capacitação e conhecimento.
   A ênfase na capacitação de novas lideranças deve ser encarada com a objetividade, a competência e a intensidade que a magnitude do tema exige. Liderança é, seguramente, o tópico mais estudado em ciências sociais e também o menos entendido.
   E no Rotary, o que ocorre?
   Há alguns obstáculos para a formação continuada de lideranças rotárias:
• Uma quantidade crescente de novas ONGs;
• A “aposentadoria” precoce de líderes mais antigos;
• A alta rotatividade de novos associados.
   Constatamos uma ausência de lideranças nos clubes, a ponto de, durante a Assembleia Internacional de San Diego, o presidente Bill Boyd ter afirmado a governadores eleitos de todo o mundo: “Novos rotarianos deixam seus clubes devido à falta de liderança, ao custo da afiliação e à falta de oportunidades de serviço”. Nesta mesma assembleia o EGD Steve Wilcox informava: “Uma pesquisa efetuada pela Divisão de Desenvolvimento do Quadro Associativo do RI demonstra que a falta de liderança é o principal motivo de baixa de associados.”

Capacitação
   Como estamos formando os líderes rotários? Podemos estar seguros de que não se forma um presidente de clube num Seminário de Treinamento de Presidentes Eleitos de Clube durante um final de semana. Igualmente não se forma um Conselho Diretor de um clube num final de semana em uma Assembleia Distrital. Temos, sim, que começar mais cedo. Temos que fazer algo a mais para capacitar esses líderes, o mais cedo possível, para quando o momento chegar.
   Há vários mecanismos em uso para a formação de rotarianos nos clubes e distritos: “escolas” do Rotary, programas de mentores, seminários de liderança e, mais recentemente, o Instituto de Liderança Rotário, já aplicado com sucesso pelo mundo em mais de 200 distritos.
   E o sucesso e o alcance dessa metodologia se baseiam no fato de que ela utiliza a formação progressiva e sistemática de rotarianos que não tenham ainda ocupado cargos no Conselho Diretor de seus clubes. Eles recebem instrução e motivação sobre vários temas, tais como: administração de um clube; administração distrital; desenvolvimento do quadro associativo; Fundação Rotária; liderança rotária; condução de projetos de prestação de serviço; como falar em público; relações e imagem pública; e diversos outros. Os temas são apresentados de forma sistemática e com complexidade crescente por experientes rotarianos de seu distrito. Esses líderes voltam a seus clubes, aplicam o que viram, e retornam para outras três etapas do Instituto (com defasagem mínima de seis meses entre elas).
   A ênfase no desenvolvimento de lideranças constitui-se, portanto, num ajuste da visão desses líderes para posturas superiores e desafiadoras. Para o líder em formação, isso implica que sua escolha para ocupar uma posição seja consentida. É preciso que reconheçam nele a condição de contribuir para que pessoas sob sua inspiração se desenvolvam para alcançar metas na vida voluntária. E nós somos uma verdadeira nação de voluntários.

Atitudes necessárias
   No Rotary desenvolvemos pessoas, e não cargos. Os cargos devem ser úteis para tal desenvolvimento e não o contrário. Um desenvolvimento consiste em adicionar algo de melhor a pessoas que já têm um potencial. Temos a tendência de pôr muita ênfase no alcance de resultados, mas, ao desenvolver pessoas, nosso objetivo deve ser mais elevado. Devemos ter em mente o aumento do potencial de servir daquele líder. Alcançar metas é importante, mas somente o alcance de metas pode tirar o foco da realização do potencial, tanto no indivíduo como na organização. O líder aprimora-se para transformar suas qualidades e pontos fortes em desempenho.
   Na administração de organizações como o Rotary, as várias posições de liderança requerem da pessoa que ascende, além da postura de comprometimento com a organização, atitudes com diferentes níveis de complexidade, determinados por seu cargo ou função.
   São atitudes necessárias:
• Estar em contato com a realidade e defini-la (em cada nível);
• Transmitir a visão de futuro, desenvolvida pela análise da realidade em seu âmbito de ação;
• Definir as realizações mensuráveis, necessárias para o alcance do objetivo do Rotary, e entre elas, as prioritárias:
• Descobrir e desenvolver novos talentos;
• Arrecadar os fundos necessários para cumprir as metas e alocá-los adequadamente;
• Expressar e practicar os valores da organização.
   Nenhuma posição de destaque é conseguida por casualidade. Nem sem dedicação.
   O líder deve ter com seus seguidores uma relação que também os permita realizar o potencial deles de prestação de serviços – o propósito de servir à organização.
   O Rotary existe para fazer a diferença na sociedade e na vida dos indivíduos. Ele existe para cumprir sua missão. Jamais devemos nos esquecer disso.
   O Rotary teve sucesso em todos estes anos porque seus líderes, dentro da organização, ao lançarem um olhar para fora, desenvolveram a capacidade de captar o necessário, reconhecendo as oportunidades de servir além de si mesmos. E, quando olhando para dentro, esses mesmos líderes conseguiram capacitar e transformar aqueles que, acreditando em princípios, valores e conceitos, procuram dar um sentido útil a suas vidas.
   Neste contexto, não podemos nos esquecer das futuras gerações, às quais devemos igualmente dar oportunidade de alcançar o estado de equilíbrio entre o passado e o futuro que almejamos venha a ocorrer.
   A liderança no Rotary, como na vida profissional e pessoal, é uma forma de utilizar com sabedoria a posição que foi consentida ocupar. É a liderança promotora de mudanças. É a liderança de transformação.
   É, portanto, indispensável reconhecer a importância monumental da formação de lideranças, atribuindo alta prioridade no agir.
   E O Futuro do Rotary Está Em Suas Mãos.


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