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O
futuro e as lideranças no
Rotary International
e 20 anos atrás alguém falasse em gerência no
Rotary, poderia ser visto como um sacrílego ao tentar comparar
nossa organização a um negócio: “O Rotary
não tem níveis gerenciais inferiores que necessitem
ser reestruturados”, diziam.
Ao longo dos últimos anos, foi crescendo
a conscientização da necessidade de níveis
gerenciais não convencionais no Rotary sem que com isso se
estabelecesse uma postura opressora em sua aplicação.
É a gestão do consentimento, do convencimento, da
motivação. É a gestão que o Rotary vem
aplicando há muito tempo, e que hoje é considerada
o que há de mais moderno na gestão de empresas transnacionais.
Trata-se da administração por responsabilidade subsidiária,
na qual as decisões são tomadas no menor nível
possível.
Essa forma não convencional de gestão
tem a finalidade de fazer com que os líderes rotários
concentrem-se em sua missão e não neles mesmos. Nos
últimos anos houve também uma concentração
de ações na formação e no desenvolvimento
de lideranças, inicialmente em nível distrital, com
o Plano de Liderança Distrital, e mais recentemente, no âmbito
dos clubes, com o Plano de Liderança de Clube.
Muito além de permitir o planejamento em
múltiplos níveis e de forma multianual e integrada,
há nestes planos um conteúdo implícito que
orienta a formação de lideranças rotárias.
As alternativas
Examinemos as necessidades de lideranças
no Rotary. Mesmo levando em conta que alguns presidentes de clube
ocuparão a posição de governadores e que alguns
ex-governadores ocuparão posições de comando
no Rotary International e na Fundação Rotária
nos seus diversos comitês, ou como coordenadores regionais
ou de áreas, o Rotary necessitará, nos próximos
dez anos, capacitar cerca de 330 mil novos líders. E é
esperado que eles pavimentem o caminho para os que virão
depois deles.
O que poderíamos fazer em relação
a isso? Dispomos das seguintes alternativas:
A primeira é convidar cada presidente de
clube e cada governador para que sirva por cinco anos. Alguém
está disponível e disposto a isso?
A outra alternativa é identificar, o mais
cedo possível, entre os rotarianos, aqueles que têm
potencial para assumir posições de liderança
no Rotary e provê-los com o melhor nível de capacitação
e conhecimento.
A ênfase na capacitação de
novas lideranças deve ser encarada com a objetividade, a
competência e a intensidade que a magnitude do tema exige.
Liderança é, seguramente, o tópico mais estudado
em ciências sociais e também o menos entendido.
E no Rotary, o que ocorre?
Há alguns obstáculos para a formação
continuada de lideranças rotárias:
• Uma quantidade crescente de novas ONGs;
• A “aposentadoria” precoce de líderes
mais antigos;
• A alta rotatividade de novos associados.
Constatamos uma ausência de lideranças
nos clubes, a ponto de, durante a Assembleia Internacional de San
Diego, o presidente Bill Boyd ter afirmado a governadores eleitos
de todo o mundo: “Novos rotarianos deixam seus clubes devido
à falta de liderança, ao custo da afiliação
e à falta de oportunidades de serviço”. Nesta
mesma assembleia o EGD Steve Wilcox informava: “Uma pesquisa
efetuada pela Divisão de Desenvolvimento do Quadro Associativo
do RI demonstra que a falta de liderança é o principal
motivo de baixa de associados.”
Capacitação
Como estamos formando os líderes rotários?
Podemos estar seguros de que não se forma um presidente de
clube num Seminário de Treinamento de Presidentes Eleitos
de Clube durante um final de semana. Igualmente não se forma
um Conselho Diretor de um clube num final de semana em uma Assembleia
Distrital. Temos, sim, que começar mais cedo. Temos que fazer
algo a mais para capacitar esses líderes, o mais cedo possível,
para quando o momento chegar.
Há vários mecanismos em uso para
a formação de rotarianos nos clubes e distritos: “escolas”
do Rotary, programas de mentores, seminários de liderança
e, mais recentemente, o Instituto de Liderança Rotário,
já aplicado com sucesso pelo mundo em mais de 200 distritos.
E o sucesso e o alcance dessa metodologia se baseiam
no fato de que ela utiliza a formação progressiva
e sistemática de rotarianos que não tenham ainda ocupado
cargos no Conselho Diretor de seus clubes. Eles recebem instrução
e motivação sobre vários temas, tais como:
administração de um clube; administração
distrital; desenvolvimento do quadro associativo; Fundação
Rotária; liderança rotária; condução
de projetos de prestação de serviço; como falar
em público; relações e imagem pública;
e diversos outros. Os temas são apresentados de forma sistemática
e com complexidade crescente por experientes rotarianos de seu distrito.
Esses líderes voltam a seus clubes, aplicam o que viram,
e retornam para outras três etapas do Instituto (com defasagem
mínima de seis meses entre elas).
A ênfase no desenvolvimento de lideranças
constitui-se, portanto, num ajuste da visão desses líderes
para posturas superiores e desafiadoras. Para o líder em
formação, isso implica que sua escolha para ocupar
uma posição seja consentida. É preciso que
reconheçam nele a condição de contribuir para
que pessoas sob sua inspiração se desenvolvam para
alcançar metas na vida voluntária. E nós somos
uma verdadeira nação de voluntários.
Atitudes
necessárias
No Rotary desenvolvemos pessoas, e não
cargos. Os cargos devem ser úteis para tal desenvolvimento
e não o contrário. Um desenvolvimento consiste em
adicionar algo de melhor a pessoas que já têm um potencial.
Temos a tendência de pôr muita ênfase no alcance
de resultados, mas, ao desenvolver pessoas, nosso objetivo deve
ser mais elevado. Devemos ter em mente o aumento do potencial de
servir daquele líder. Alcançar metas é importante,
mas somente o alcance de metas pode tirar o foco da realização
do potencial, tanto no indivíduo como na organização.
O líder aprimora-se para transformar suas qualidades e pontos
fortes em desempenho.
Na administração de organizações
como o Rotary, as várias posições de liderança
requerem da pessoa que ascende, além da postura de comprometimento
com a organização, atitudes com diferentes níveis
de complexidade, determinados por seu cargo ou função.
São atitudes necessárias:
• Estar em contato com a realidade e defini-la (em cada nível);
• Transmitir a visão de futuro, desenvolvida pela análise
da realidade em seu âmbito de ação;
• Definir as realizações mensuráveis,
necessárias para o alcance do objetivo do Rotary, e entre
elas, as prioritárias:
• Descobrir e desenvolver novos talentos;
• Arrecadar os fundos necessários para cumprir as metas
e alocá-los adequadamente;
• Expressar e practicar os valores da organização.
Nenhuma posição de destaque é
conseguida por casualidade. Nem sem dedicação.
O líder deve ter com seus seguidores uma
relação que também os permita realizar o potencial
deles de prestação de serviços – o propósito
de servir à organização.
O Rotary existe para fazer a diferença
na sociedade e na vida dos indivíduos. Ele existe para cumprir
sua missão. Jamais devemos nos esquecer disso.
O Rotary teve sucesso em todos estes anos porque
seus líderes, dentro da organização, ao lançarem
um olhar para fora, desenvolveram a capacidade de captar o necessário,
reconhecendo as oportunidades de servir além de si mesmos.
E, quando olhando para dentro, esses mesmos líderes conseguiram
capacitar e transformar aqueles que, acreditando em princípios,
valores e conceitos, procuram dar um sentido útil a suas
vidas.
Neste contexto, não podemos nos esquecer
das futuras gerações, às quais devemos igualmente
dar oportunidade de alcançar o estado de equilíbrio
entre o passado e o futuro que almejamos venha a ocorrer.
A liderança no Rotary, como na vida profissional
e pessoal, é uma forma de utilizar com sabedoria a posição
que foi consentida ocupar. É a liderança promotora
de mudanças. É a liderança de transformação.
É, portanto, indispensável reconhecer
a importância monumental da formação de lideranças,
atribuindo alta prioridade no agir.
E O Futuro do Rotary Está Em Suas Mãos.
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