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Antonio Hallage
(Diretor do RI 2009-11)
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A fidelidade no Rotary  

iel é aquele que não trai alguém ou um princípio, aquele que é fiel à referência. Ser fiel a uma organização envolve questões de sentimento, de respeito e de lealdade, fatores essenciais a uma relação duradoura.
   A fidelidade requer alguma renúncia, e no Rotary a renúncia é de tempo, prioridades e recursos, sem causar por isso arrependimentos futuros. Quem não entender isto deveria repensar sua condição de rotariano.
   A fidelidade imprime um sentimento de realização. Juntas, a confiança (cum fidere, que quer dizer “com fé”, em latim), a constância e a perseverança, que estão relacionadas, são fatores que se ligam à fidelidade de forma biunívoca, sendo geradas no Rotary por um companheirismo sadio que redunda, com o passar do tempo, em fidelidade.
   Este companheirismo de que falo é aquele da segurança de que há sinceridade no relacionamento que, ao longo do convívio semanal, passamos a depositar nos nossos companheiros. O companheirismo é, portanto, um fator fundamental para o desenvolvimento da fidelidade.
   A fidelidade no Rotary se expressa muito proximamente à fidelidade familiar, na qual se têm e se professam o compromisso duradouro e os objetivos comuns. Desejar ser fiel é uma aspiração nobre e que enobrece. Ter consciência e robustecer o valor da fidelidade é uma necessidade – e nas diversas oportunidades em que se apresentem, é preciso que seja dado o devido valor à atuação fiel ao Objetivo do Rotary. Este é um íntimo compromisso que assumimos: o de cultivar, proteger e enriquecer o relacionamento com quem a preserva, por respeito à sua dignidade e integridade. É exatamente isto que fazemos ao homenagear um companheiro ou clube que demonstram sua fidelidade ao Rotary por décadas a fio.

Anterior à relação
   Por mais estranho que possa parecer, a fidelidade é anterior à própria relação. Assim, a relação de um rotariano com o Rotary e seu Objetivo – que nunca deve ser esquecido – está destinada ao fracasso se, ao iniciá-la, a pessoa buscar apenas satisfazer sua vaidade, seu prazer ou, pior ainda, alcançar algum interesse econômico. Pouco futuro terá este relacionamento e não será fiel se não houver disposição de compartilhar, compreender e colaborar com o aperfeiçoamento do grupo que elegemos para pertencer e pelo qual fomos acolhidos.
   A fidelidade também está ligada a um processo de escolha e a um plano de vida. Esta escolha não é nem deve ser uma atadura, mordaça, nem tipoia. Pelo contrário: ela é a livre expressão de nossas aspirações. Ser fiel deve nos cumular de alegria, nos iluminar cotidianamente. É só reparar o ar iluminado dos fiéis rotarianos quando eles são justamente homenageados e ver o brilho nos seus olhares.
   Fidelidade é olhar pouco para os erros dos companheiros, fazendo o possível para ajudá-los a superar esses erros, com compreensão e carinho. Ser fiel é, sobretudo, compartilhar triunfos, tristezas, alegrias, fracassos, planos – tudo, enfim. A fidelidade se expressa inclusive na utilidade de nossa prestação de serviços por intermédio da área de influência que desenvolvemos através do exercício de nossa atividade ou profissão, razão de termos sido selecionados para participar do Rotary.
   Ser fiel é, afinal, encontrar oportunidades de sermos melhores a cada dia, e assim levarmos uma vida mais feliz. E o que é viver a fidelidade no Rotary? Viver a fidelidade, que os rotarianos aprendem ao longo de um bom tempo de participação ativa e produtiva no Rotary, se traduz na alegria de compartilhar com os companheiros a própria vida, gerada pelo conhecimento mútuo, pela estabilidade e confiança perduráveis, tendo como resultado um sincero bem querer.

Um ideal em nós
   O exercício de princípios coerentes com a crença pessoal, seja ela religiosa ou filosófica, também auxilia no desenvolvimento de uma ligação duradoura e fiel com o Rotary. Estes princípios de vida e valores praticados (pelos quais entendemos que vale a pena lutar, preservar e transmitir às próximas gerações) nos dão, pela fidelidade, um sentimento de utilidade e mantêm aceso em nós um ideal.
   É sabido, e não custa repetir, que não se nasce jovem, mas adquire-se a juventude através de um ideal. Idealista moral que é o rotariano, manter aceso este ideal torna-o sempre jovem, mesmo que longevo. E talvez por ser um idealista é que o rotariano é longevo.
   Mantenhamos nosso ideal rotário aceso para realizar hoje o que entendemos ser um futuro adequado para as próximas gerações, mantendo-nos fiéis ao Rotary, seus princípios e valores, lutando por sua preservação e perpetuidade.
   E que ao longo de nossa existência no Rotary possamos afirmar, parafraseando o grande poeta Vinicius de Morais, que a nossa fidelidade não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure.


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