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A
fidelidade no Rotary
iel é aquele que não trai alguém ou um princípio,
aquele que é fiel à referência. Ser fiel a uma
organização envolve questões de sentimento,
de respeito e de lealdade, fatores essenciais a uma relação
duradoura.
A fidelidade requer alguma renúncia, e
no Rotary a renúncia é de tempo, prioridades e recursos,
sem causar por isso arrependimentos futuros. Quem não entender
isto deveria repensar sua condição de rotariano.
A fidelidade imprime um sentimento de realização.
Juntas, a confiança (cum fidere, que quer dizer “com
fé”, em latim), a constância e a perseverança,
que estão relacionadas, são fatores que se ligam à
fidelidade de forma biunívoca, sendo geradas no Rotary por
um companheirismo sadio que redunda, com o passar do tempo, em fidelidade.
Este companheirismo de que falo é aquele
da segurança de que há sinceridade no relacionamento
que, ao longo do convívio semanal, passamos a depositar nos
nossos companheiros. O companheirismo é, portanto, um fator
fundamental para o desenvolvimento da fidelidade.
A fidelidade no Rotary se expressa muito proximamente
à fidelidade familiar, na qual se têm e se professam
o compromisso duradouro e os objetivos comuns. Desejar ser fiel
é uma aspiração nobre e que enobrece. Ter consciência
e robustecer o valor da fidelidade é uma necessidade –
e nas diversas oportunidades em que se apresentem, é preciso
que seja dado o devido valor à atuação fiel
ao Objetivo do Rotary. Este é um íntimo compromisso
que assumimos: o de cultivar, proteger e enriquecer o relacionamento
com quem a preserva, por respeito à sua dignidade e integridade.
É exatamente isto que fazemos ao homenagear um companheiro
ou clube que demonstram sua fidelidade ao Rotary por décadas
a fio.
Anterior
à relação
Por mais estranho que possa parecer, a fidelidade
é anterior à própria relação.
Assim, a relação de um rotariano com o Rotary e seu
Objetivo – que nunca deve ser esquecido – está
destinada ao fracasso se, ao iniciá-la, a pessoa buscar apenas
satisfazer sua vaidade, seu prazer ou, pior ainda, alcançar
algum interesse econômico. Pouco futuro terá este relacionamento
e não será fiel se não houver disposição
de compartilhar, compreender e colaborar com o aperfeiçoamento
do grupo que elegemos para pertencer e pelo qual fomos acolhidos.
A fidelidade também está ligada
a um processo de escolha e a um plano de vida. Esta escolha não
é nem deve ser uma atadura, mordaça, nem tipoia. Pelo
contrário: ela é a livre expressão de nossas
aspirações. Ser fiel deve nos cumular de alegria,
nos iluminar cotidianamente. É só reparar o ar iluminado
dos fiéis rotarianos quando eles são justamente homenageados
e ver o brilho nos seus olhares.
Fidelidade é olhar pouco para os erros
dos companheiros, fazendo o possível para ajudá-los
a superar esses erros, com compreensão e carinho. Ser fiel
é, sobretudo, compartilhar triunfos, tristezas, alegrias,
fracassos, planos – tudo, enfim. A fidelidade se expressa
inclusive na utilidade de nossa prestação de serviços
por intermédio da área de influência que desenvolvemos
através do exercício de nossa atividade ou profissão,
razão de termos sido selecionados para participar do Rotary.
Ser fiel é, afinal, encontrar oportunidades
de sermos melhores a cada dia, e assim levarmos uma vida mais feliz.
E o que é viver a fidelidade no Rotary? Viver a fidelidade,
que os rotarianos aprendem ao longo de um bom tempo de participação
ativa e produtiva no Rotary, se traduz na alegria de compartilhar
com os companheiros a própria vida, gerada pelo conhecimento
mútuo, pela estabilidade e confiança perduráveis,
tendo como resultado um sincero bem querer.
Um
ideal em nós
O exercício de princípios coerentes
com a crença pessoal, seja ela religiosa ou filosófica,
também auxilia no desenvolvimento de uma ligação
duradoura e fiel com o Rotary. Estes princípios de vida e
valores praticados (pelos quais entendemos que vale a pena lutar,
preservar e transmitir às próximas gerações)
nos dão, pela fidelidade, um sentimento de utilidade e mantêm
aceso em nós um ideal.
É sabido, e não custa repetir, que
não se nasce jovem, mas adquire-se a juventude através
de um ideal. Idealista moral que é o rotariano, manter aceso
este ideal torna-o sempre jovem, mesmo que longevo. E talvez por
ser um idealista é que o rotariano é longevo.
Mantenhamos nosso ideal rotário aceso para
realizar hoje o que entendemos ser um futuro adequado para as próximas
gerações, mantendo-nos fiéis ao Rotary, seus
princípios e valores, lutando por sua preservação
e perpetuidade.
E que ao longo de nossa existência no Rotary
possamos afirmar, parafraseando o grande poeta Vinicius de Morais,
que a nossa fidelidade não seja imortal, posto que é
chama, mas que seja infinita enquanto dure.
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