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Por
uma cultura de paz
esses 105 anos, o Rotary tem cultuado a paz e o respeito aos direitos
humanos como elementos indivisíveis e pertencentes a todos.
A cultura da paz está intimamente ligada ao desenvolvimento
humano, principal razão da existência da nossa organização.
A conexão direta com a paz também
é estabelecida com justiça social. Sem paz o desenvolvimento
não pode se sustentar e, sem desenvolvimento e justiça
social, não há paz.
A construção da cultura da paz requer
a identificação dos conflitos inerentes às
relações humanas e o desenvolvimento de métodos
e técnicas para a prevenção e resolução
pacífica dos mesmos. A cultura da paz é tema multidisciplinar
e requer envolvimento da comunidade.
O século 21 deverá ver, a cada dia,
o desenvolvimento de mais comunidades multirraciais e multiculturais,
como resultado da globalização. E como consequência
disso, continuarão a aparecer interesses opostos que irão
se contrapor uns aos outros, necessitando de uma organização
cuja ênfase se expresse no amor, na paz e na possibilidade
de compreensão internacional para intermediar essas disputas.
Nesse aspecto, o Rotary passa a ser o catalisador
de forças geradoras em benefício desta nova comunidade
mundial, para a qual o serviço destinado era até então
representado pelo suprimento de assistência física
ou financeira. Embora essa assistência ainda seja necessária,
isto está mudando.
O Rotary tem a missão de encontrar soluções
para estes novos modelos de prestação de serviço,
para os quais nossos governos têm falhado em encaminhar soluções.
Há necessidade de transitar de uma cultura de confrontação
para uma cultura de convivência e mobilizar, para isso, os
sistemas de educação formal e informal.
Em sua contribuição nessa direção
de aculturamento objetivando a paz, o Rotary está:
• formando especialistas na cultura da paz e resolução
de conflitos;
• preparando resolvedores de conflitos, quer sejam eles urbanos
ou regionais, com cursos de curta duração;
• alfabetizando adultos e crianças;
• estabelecendo redes de mediadores para a paz, formados com
o apoio das bolsas concedidas pelo Rotary;
• mitigando a fome, a sede e a mortalidade infantil;
• promovendo o intercâmbio de jovens, que ao conhecer
outras culturas e o modo de pensar de outros povos podem auxiliar
na promoção da paz;
• preservando o planeta Terra e conservando-o para as futuras
gerações.
Todos estes esforços devem ser apoiados
por nós para que prossigam. Mas, por mais incrível
que possa parecer, um professor da Universidade Federal do Paraná,
indicado pela Unesco como professor itinerante sobre a Cultura da
Paz, não encontrou um livro sequer sobre o tema, mesmo em
grandes livrarias dos centros urbanos.
Neste processo de promoção da cultura
da paz, a luta é desigual. O Instituto Internacional de Pesquisa
para a Paz, com sede em Estocolmo, capital da Suécia, denunciara,
já em 1990, que US$ 2 milhões eram gastos por minuto
para comprar armas em todo o mundo. Em um dia, tal montante corresponde
a mais do que o orçamento de um ano da Fundação
Rotária para promover a paz. Cada míssil Harm disparado
na Iugoslávia, por exemplo, custou US$ 800 mil, incluindo
os que erraram o alvo. A indústria de armamentos emprega,
só nos Estados Unidos, mais de 3,5 milhões de pessoas.
No entanto, fatos como esses não nos dão
o direito de desistir. A discrepância dos números pode
ser absurda, mas ainda menos sentido têm o mal, a guerra,
o ser humano matar outro ser humano.
O grande filósofo Cícero dizia preferir
a paz mais injusta à mais justa das guerras. Paz. Paz individual,
urbana, nacional, sem fronteiras territoriais, ideológicas,
religiosas ou raciais. É dessa paz que precisamos.
Levantemos, pois, como rotarianos, a bandeira
mais antiga que conhecemos: a bandeira branca da pureza da paz.
Paz em todos os momentos, em todos os lugares,
em todos os idiomas. Paz, peace, paix, frieden, salam, shalom, pace,
paco, Ping An, pax, shanti, pokój, ukuthula, mir...
Paz, apenas isso. Mil vezes paz. Mais de seis
bilhões de vezes paz, para que ela exista no coração
de cada ser humano.
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