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Hipólito Sérgio Ferreira
(1999-2001)
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Modelando o futuro

   Diz uma lenda hindu que o homem, em cada instante de sua vida, está diante de uma bifurcação: se escolhe o caminho certo, ele cresce. Com esse pensamento, conscientizam o homem para um mundo em permanente mutação. O homem fisicamente pode até parecer ser o mesmo, mas a grande mudança é interior.
   Muito em breve, todos os distritos terão suas Conferências Distritais e é esta uma grande bifurcação na história dos clubes. Por experiência, consideramos ser este o momento de maior concentração de emoções. É no instante em que as pessoas se tocam e deixam aflorar seus sentimentos que a história pode, efetivamente, tomar novos rumos. Se a emoção for conjugada com o tempo, ela poderá ser potencializada na concretização de metas para o bem comum. As realizações só tomam corpo se houver a possibilidade de se trabalhar nas três dimensões: o sentimento que aciona o livre arbítrio, o espaço físico para que a realização tome corpo e o tempo que deve existir para tudo, inclusive para rir e para chorar, tal como em Eclesiastes.
   As conferências tardias perderão a oportunidade de colher frutos por falta de tempo para realização. Mesmo existindo a continuidade, levada avante pelos sucessores, não há como negar que as pessoas deixam marcas profundas de sua ação de tal forma que podemos afirmar que o clube é a cara do presidente e o distrito é a cara do governador.
   Em muitas partes do mundo, conferências são realizadas no primeiro semestre, ou logo no início do segundo, o que permite transformar as emoções brotadas em serviços durante o tempo que restar para o término do mandato.
   Ainda que não houvessem emoções nas conferências, a sinergia entre os participantes consolida conceitos e forma alianças para a compreensão.
   O que buscamos conscientizar é que a conferência pode e deve ter seu lado luminotécnico mas que haja tempo e espaço para que as luzes dos sentimentos possam iluminar caminhos como, por exemplo, do crescimento de clubes existentes e da fundação de novos. É preciso ter tempo para “plantar e para colher”.
   Churchill dizia: “Se queres arranjar um inimigo proponhas uma mudança”. Como modelar o futuro se coragem não tivermos para, juntos, refletir o que queremos? Nos últimos nove anos, perdemos igual número de sócios no Brasil e nos Estados Unidos: portanto, é falácia querer atribuir, de forma generalizada, a perda de sócios a problemas econômicos. Na Europa e na Índia, o quadro social tem crescido e, no mundo inteiro, temos ouvido diferentes justificativas para as perdas. Achamos melhor dar um basta nessa perda de tempo para justificativas, pois devemos, sim, fazer apologia do sucesso de nossas ações, de tudo de bom realizado pelos Clubes de Jovens, de Rotary, de Núcleos Rotary e de Casas da Amizade ou Associações de Famílias de Rotarianos. Isto sim! O que enche nosso coração é a alegria de ter tido a oportunidade de servir!
   Além do tempo certo para “plantar e colher”, a conferência tem ainda três outros pontos para serem abordados. O primeiro deles é a inserção dos jovens na conferência, de maneira envolvente e não como inserções paralelas, pois estas só se encontram no infinito. Consciente da necessidade de agregar o jovem como força, a partir deste ano, o Conselho Diretor do RI recomendou que se realize um Ryla junto às próximas Convenções Internacionais, bem como junto aos Institutos Rotários.
   Um segundo ponto é a apresentação, pelo governador anterior, do Relatório Anual de Auditoria do Fundo Distrital e das Finanças do Programa de Intercâmbio de Jovens, ambos de responsabilidade do governador do distrito. É desejável que se confronte o orçamento proposto no ano anterior com as receitas e despesas, de maneira que se preste contas a todos, bem como rigoroso enquadramento nos dispositivos e leis brasileiras.
   O terceiro ponto, é lembrar que a conferência é o momento de valorizar e agradecer, sem distinção, buscando aglutinar e encontrar novas parcerias junto às forças vivas da comunidade.
   Neste ano, o rotarismo brasileiro está realizado, pois estatísticas recentes nos informam que ocorreu crescimento em praticamente 100% dos distritos brasileiros. Alguns distritos se empenharam tanto e terão resultados tão altos que justas emoções formarão uma corrente de Norte a Sul, pois a fé foi mantida e a tocha não será uma luz bacenta e bruxuleante a ser passada aos sucessores.
   Ao final, que possa prevalecer a emoção dos resultados do esforço para seguir Modelando o Futuro, pois ele é feito do talento que recebemos do Criador.


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