|
|
O futuro da humanidade
Na reunião de fevereiro, o Conselho Diretor do
Rotary International aprovou um “Memorandum
de Cooperação” com o “Fundo de População das Nações Unidas”, com a finalidade de colaborar em assuntos de população e desenvolvimento.
O Rotary é hoje reconhecido no mundo como a maior organização humanitária não subordinada a governos, religiões ou ideologias. Pela seriedade dos propósitos é que nossa organização tem sido constantemente consultada para assuntos de relevo que interessam diretamente ao ser humano.
O Fundo de População das Nações Unidas é o segmento líder, na ONU, que tem como objetivo coordenar a saúde reprodutiva da população, incluindo o planejamento familiar, em total respeito aos direitos humanos. Este fundo trabalha em três áreas:
1. Promover o acesso universal à saúde reprodutiva, incluindo saúde sexual, a todos os indivíduos até o ano 2015;
2. Promover a consciência em assuntos de população e desenvolvimento;
3. Apoiar estratégias para o desenvolvimento sustentado.
As Nações Unidas e o Rotary International compartilham do compromisso de colocar em debate os assuntos relativos ao desenvolvimento populacional com o objetivo de diminuir a pobreza, promover o desenvolvimento populacional sustentado, tendo em vista aperfeiçoar os padrões de vida em todo o mundo, bem como avaliar o sofrimento humano.
Também encorajam e promovem total respeito à liberdade e ao direito de todos os casais decidirem, livre e responsavelmente, a quantidade de filhos, bem como ter acesso à informação para exercerem este direito.
Em decisão de 1999 o Conselho Diretor estabeleceu o “Comitê de Crescimento Populacional e Desenvolvimento” e recomendou aos distritos e clubes que executassem projetos de impacto para o desenvolvimento sustentado, como, por exemplo, na área da educação, saúde familiar, nutrição adequada e de planejamento familiar, respeitando valores e religiões. Para esta finalidade, foram colocados à disposição dos rotarianos os subsídios da Fundação Rotária e de outras fontes, sendo que, em hipótese alguma, o aborto será promovido como método de planejamento familiar.
O Rotary busca, neste início do milênio, compromissos maiores com a humanidade, “Criando Consciência” para a justiça social.
As preocupações com a questão demográfica, segundo o prof. Petrelli Gastaldi, nasceram cientificamente há 200 anos, quando Thomas Malthus formulou a teoria populacional e a clássica concepção: “A capacidade de produção agrícola no mundo tende a crescer em proporção aritmética (1,2,3,4,5...), enquanto a sua população progride em proporção geométrica (2,4,6.8,16...). A persistir tal progresso, em gerações futuras a humanidade se defrontaria com a fome generalizada. Para se evitar essa catástrofe era recomendada a abstenção sexual antes do casamento e este em idade distanciada da mocidade”.
Para os estudiosos, a grande massa populacional tem efeitos positivos na construção da riqueza porque ela mesma condiciona o que deve ser consumido e o que deve ser produzido, exercendo influência no desenvolvimento das tecnologias de produção. Também se constata que a possibilidade de um país subdesenvolvido, de fraca densidade demográfica, progredir economicamente é bem menor que um de grande população.
A chave da progressão econômica está assentada no desenvolvimento sustentado, elevando-se o nível de renda, num processo de justiça social que permitirá a formação de capital.
Para se entender como ocorre a velocidade do progresso econômico, um economista a compara com a velocidade de um comboio de guerra, no mar. A frota regula a velocidade de acordo com a do navio menos rápido. Assim, a velocidade do progresso econômico dos países em desenvolvimento é medida pelo fator mais escasso, ou seja o capital.
Por outro lado, o crescimento populacional brasileiro permitiu a expansão da área territorial ocupada, impulsionando um processo de industrialização. De nada adianta a produção em massa sem o mercado consumidor e tudo indica que os países de baixa densidade demográfica deverão se unir em blocos econômicos para, unidos, poderem investir em pesquisas, somente amortizáveis por volumes crescentes de produção dirigida para um mercado certo.
Segundo o IBGE, o Brasil tinha um índice populacional de 3,2% na década de 1960 e baixou para 2,5% na década de 1970, caindo para 1,5% no inicio deste século. Apesar dos dados otimistas, o crescimento ainda é preocupante, porque equivale, em uma década, a uma Espanha ou Argentina ou a quatro Suécias.
Caminhamos bastante quanto ao controle da explosão demográfica, mas ainda persiste uma distribuição de renda extremamente desigual. Precisamos de mais programas de desenvolvimento e estes passam pela educação e saúde publica.
O Rotary pode, portanto, dar uma extraordinária contribuição ao desenvolvimento ao Criar Consciência de uma melhor distribuição de renda, ao se emparceirar para potencializar seus serviços para o futuro da humanidade.
Está se abrindo um novo campo onde o Rotary haverá de dar sua contribuição para aliviar o sofrimento e, para isso, é indispensável a participação de todos.
Por falar no coletivo, lembramo-nos que estamos no mês de abril, dedicado à revista rotária, que tem sido veículo de promoção dos serviços do Rotary. As revistas regionais Latino-Americanas não têm se restringindo a gravar fatos e fotos da história da organização e, sim, têm ido além, sendo repertorio e fonte de inspiração para o servir. Temos orgulho da nossa Brasil Rotário, que com competência se renova a cada ano e tem caráter futurista. Reconhecer quem trabalha certo é, também, uma prestação de serviço!
O Rotary tem sido uma organização alicerçada nos valores e o espírito empreendedor de seus associados impulsiona para que seja um laboratório do bem. Estamos num momento em que os valores do conjunto são mais apreciados e os monólogos vão cedendo lugar a uma intensa participação, tal como ocorreu em Brasília, na Conferência Presidencial Latino-Americano de População e Desenvolvimento, de 15 a 18 de março, onde líderes rotários, das Nações Unidas e intelectuais debateram um tema difícil como o do crescimento populacional. A presença de Frank Devlyn reafirmou a importância da América Latina, bem como a profundidade do envolvimento rotário em assunto de interesse coletivo.
Estamos num novo momento, onde a participação do Rotary poderá contribuir para a mudança do pensar, para a diminuição das desigualdades sociais e, enfim, para o equilíbrio de povos e raças. É a hora do servir Criando Consciência para se repensar o futuro da humanidade.
|