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Caros
companheiros e companheiras,
este mês em que a ênfase do presidente Wilf é
a alfabetização, proponho que revisemos nossos projetos
educacionais, num esforço maior para não somente alfabetizar
as pessoas, mas também para melhorar sua capacidade de interpretação
na leitura – e, também, melhorar a nós próprios,
internamente, procurando cada vez mais conhecer e nos aperfeiçoar
de acordo com as normas que orientam o Rotary International.
No anedotário brasileiro, conta-se a história
de um cidadão que trabalhava numa ferrovia no interior do
país. Sua missão era a de dar três pancadinhas
com uma barra nas rodas de ferro de cada vagão da composição.
Executava essa tarefa durante oito horas por dia. A estrada era
muito movimentada, pois a cada duas horas passava uma composição
de duzentos vagões transportando minério de ferro
rumo ao porto marítimo para exportação, além
dos expressos de passageiros.
O homem trabalhou durante 35 anos e, ao se aposentar,
conseguiu com a empresa passar o cargo para seu filho mais velho.
Ao explicar ao filho qual seria seu trabalho, o rapaz perguntou
qual a razão das três batidas nas rodas. “Eu
faço isso há 35 anos e não sei”, respondeu
o pai. “E você está começando hoje e já
quer saber?”
Os rotarianos se posicionam assim algumas vezes,
repetindo conceitos e idéias que ouviram, por vezes até
de forma equivocada, sem se preocuparem em conhecer efetivamente
o Rotary, através de sua vasta literatura e dos ensinamentos
que, desde Paul Harris, verdadeiros pensadores e estudiosos da nossa
organização colocam à nossa disposição.
O
papel das lideranças
Recentemente, na Assembléia Internacional
do Rotary International, realizada de 13 a 20 de janeiro em San
Diego, nos EUA, um grupo expressivo de líderes recebeu uma
enorme quantidade de informações. Para os menos avisados,
esse evento da nossa organização – diga-se de
passagem, exemplar – teria por enfoque exclusivo preparar
essas lideranças para o próximo ano rotário.
Mas na verdade ele representa muito mais, pois principalmente pretende
dotá-las de conhecimentos que lhes permitam garantir a continuidade
de nossa centenária organização de prestação
de serviços voluntários através das lideranças
por elas representadas.
Pelo que pude conhecer e observar deste seleto
grupo, estamos certos de que, tanto em seu ano de governadores como
no futuro, esses líderes não se limitarão a
repetir o que lhes foi transmitido, mas – com senso de responsabilidade,
e um verdadeiro e correto sentido crítico – tomarão
as decisões e adotarão as providências que distinguem
os simples repetidores de atos, sem preocupação do
como e do por quê (a exemplo do homem da anedota) daqueles
que, efetivamente, querendo saber mais, buscam de forma consciente
atualizar-se a cada momento, não se dando por satisfeitos
com as simples e repetidas respostas que podem parecer cômodas,
mas nada acrescentam, procurando de forma ordenada e de acordo com
os princípios que dirigem nossa organização,
emanados em sua escala maior do Conselho de Legislação,
que a cada três anos se reúne, sempre vendo, de forma
bastante lúcida e clara, o Rotary como parte da comunidade,
a ela atendendo e dela participando.
Mas este assunto não se esgota, e neste
particular, num exame de forma mais objetiva, poderemos extrapolar
do anedotário para a realidade, e veremos hoje a preocupação
de todos, não apenas com o analfabetismo em seu conceito
mais tradicional, mas atingindo uma forma mais objetiva e atual,
que é o analfabetismo funcional.
É
preciso ir além
Assim, um país que cuida com seriedade
da educação tem que se preocupar nos dias de hoje
em dar um passo à frente, isto é: não apenas
dar a possibilidade ao indivíduo de ser tornar cidadão,
mas de ter a capacidade de ir além, no sentido de ler e interpretar
um manual de equipamento ou de trabalho, oferecendo-lhe meios e
modos que permitam proporcionar condições para conhecer
a fundo a tarefa que lhe cabe e discutir detalhes com outros profissionais,
e não mais executando o trabalho automaticamente, sem a menor
consciência do que se está fazendo.
Um operário bem instruído não
será apenas mais um operário, mas se transformará
num profissional, podendo sugerir e argumentar em seu trabalho com
conhecimento de causa e firmeza de idéias. De há muito,
o Rotary dá ênfase à educação,
em todos os níveis, seja através da sua Fundação
Rotária, concedendo bolsas educacionais para fins diversos,
seja incentivando o apoio dos Rotary Clubs a toda ação
que vise ampliar o conhecimento das pessoas. Dezenas de Escolas
Rotary foram e são construídas; fizemos doações
de material escolar e encaminhamentos profissionais; realizamos
simpósios educacionais; e outros projetos são constantemente
levados a efeito no mundo, sob a inspiração e, muitas
vezes, pela ação direta dos rotarianos.
Devemos, pois, pensar na educação
em seu mais amplo espectro e em dimensões largas, começando
assim com a nossa própria educação rotária,
indispensável ao crescimento e à manutenção
da nossa organização, e de nós mesmos como
seres prestantes do Servir, até compartilhar, com especial
interesse, da ampliação do conhecimento humano, certos
de que este é o melhor caminho para a paz.
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