Fale conosco Conheça o Rotary Página inicial

Themístocles A. C. Pinho
(Diretor do RI 2007-09)
 Artigos anteriores
 Fale com a redação


 
 

   Caros companheiros e companheiras,

este mês em que a ênfase do presidente Wilf é a alfabetização, proponho que revisemos nossos projetos educacionais, num esforço maior para não somente alfabetizar as pessoas, mas também para melhorar sua capacidade de interpretação na leitura – e, também, melhorar a nós próprios, internamente, procurando cada vez mais conhecer e nos aperfeiçoar de acordo com as normas que orientam o Rotary International.
   No anedotário brasileiro, conta-se a história de um cidadão que trabalhava numa ferrovia no interior do país. Sua missão era a de dar três pancadinhas com uma barra nas rodas de ferro de cada vagão da composição. Executava essa tarefa durante oito horas por dia. A estrada era muito movimentada, pois a cada duas horas passava uma composição de duzentos vagões transportando minério de ferro rumo ao porto marítimo para exportação, além dos expressos de passageiros.
   O homem trabalhou durante 35 anos e, ao se aposentar, conseguiu com a empresa passar o cargo para seu filho mais velho. Ao explicar ao filho qual seria seu trabalho, o rapaz perguntou qual a razão das três batidas nas rodas. “Eu faço isso há 35 anos e não sei”, respondeu o pai. “E você está começando hoje e já quer saber?”
   Os rotarianos se posicionam assim algumas vezes, repetindo conceitos e idéias que ouviram, por vezes até de forma equivocada, sem se preocuparem em conhecer efetivamente o Rotary, através de sua vasta literatura e dos ensinamentos que, desde Paul Harris, verdadeiros pensadores e estudiosos da nossa organização colocam à nossa disposição.

   O papel das lideranças
   Recentemente, na Assembléia Internacional do Rotary International, realizada de 13 a 20 de janeiro em San Diego, nos EUA, um grupo expressivo de líderes recebeu uma enorme quantidade de informações. Para os menos avisados, esse evento da nossa organização – diga-se de passagem, exemplar – teria por enfoque exclusivo preparar essas lideranças para o próximo ano rotário. Mas na verdade ele representa muito mais, pois principalmente pretende dotá-las de conhecimentos que lhes permitam garantir a continuidade de nossa centenária organização de prestação de serviços voluntários através das lideranças por elas representadas.
   Pelo que pude conhecer e observar deste seleto grupo, estamos certos de que, tanto em seu ano de governadores como no futuro, esses líderes não se limitarão a repetir o que lhes foi transmitido, mas – com senso de responsabilidade, e um verdadeiro e correto sentido crítico – tomarão as decisões e adotarão as providências que distinguem os simples repetidores de atos, sem preocupação do como e do por quê (a exemplo do homem da anedota) daqueles que, efetivamente, querendo saber mais, buscam de forma consciente atualizar-se a cada momento, não se dando por satisfeitos com as simples e repetidas respostas que podem parecer cômodas, mas nada acrescentam, procurando de forma ordenada e de acordo com os princípios que dirigem nossa organização, emanados em sua escala maior do Conselho de Legislação, que a cada três anos se reúne, sempre vendo, de forma bastante lúcida e clara, o Rotary como parte da comunidade, a ela atendendo e dela participando.
   Mas este assunto não se esgota, e neste particular, num exame de forma mais objetiva, poderemos extrapolar do anedotário para a realidade, e veremos hoje a preocupação de todos, não apenas com o analfabetismo em seu conceito mais tradicional, mas atingindo uma forma mais objetiva e atual, que é o analfabetismo funcional.

   É preciso ir além
   Assim, um país que cuida com seriedade da educação tem que se preocupar nos dias de hoje em dar um passo à frente, isto é: não apenas dar a possibilidade ao indivíduo de ser tornar cidadão, mas de ter a capacidade de ir além, no sentido de ler e interpretar um manual de equipamento ou de trabalho, oferecendo-lhe meios e modos que permitam proporcionar condições para conhecer a fundo a tarefa que lhe cabe e discutir detalhes com outros profissionais, e não mais executando o trabalho automaticamente, sem a menor consciência do que se está fazendo.
   Um operário bem instruído não será apenas mais um operário, mas se transformará num profissional, podendo sugerir e argumentar em seu trabalho com conhecimento de causa e firmeza de idéias. De há muito, o Rotary dá ênfase à educação, em todos os níveis, seja através da sua Fundação Rotária, concedendo bolsas educacionais para fins diversos, seja incentivando o apoio dos Rotary Clubs a toda ação que vise ampliar o conhecimento das pessoas. Dezenas de Escolas Rotary foram e são construídas; fizemos doações de material escolar e encaminhamentos profissionais; realizamos simpósios educacionais; e outros projetos são constantemente levados a efeito no mundo, sob a inspiração e, muitas vezes, pela ação direta dos rotarianos.
   Devemos, pois, pensar na educação em seu mais amplo espectro e em dimensões largas, começando assim com a nossa própria educação rotária, indispensável ao crescimento e à manutenção da nossa organização, e de nós mesmos como seres prestantes do Servir, até compartilhar, com especial interesse, da ampliação do conhecimento humano, certos de que este é o melhor caminho para a paz.


| Voltar | Principal | Rotary | E-mail |

© Copyright 2008 - Revista Brasil Rotário