|
|
Caros
companheiros e companheiras,
Rotary dedica o mês de agosto à promoção
do desenvolvimento de seu quadro associativo e à expansão
rotária, com a criação de novos clubes –
sobre este aspecto temos um vasto campo de argumentações,
certamente com prós e contras.
No entanto, antes de nos atermos ao tema específico
deste mês, achamos que um outro assunto, de tanta relevância
quanto este (e que, podemos afirmar, é a sua natural conseqüência),
deverá merecer nossa rápida atenção:
a internacionalidade do Rotary International.
Um dos elementos caracterizadores de nossa organização
centenária de prestação de serviços,
e talvez o mais importante, a internacionalidade do Rotary demonstra
quão vasta é a influência e a penetração
de nossa organização em todo o mundo livre, procurando
envolver todos aqueles que a ela se associam, sem diferença
de credos, raças ou costumes, e nos dando a certeza de que
o quadro associativo constitui-se numa peça angular na prestação
de serviços.
Recentemente, ao iniciar este novo ano rotário,
pude sentir bem de perto o quanto é ampla a dimensão
desta internacionalidade. Refiro-me à composição
do Conselho Diretor do Rotary International para o período
2008-09. Em torno de uma mesma mesa, num dia muito especial, quando
se fazia a troca da direção do Rotary, constatamos
a participação de nada menos do que 14 países
ali representados: a Coréia do Sul, pelo presidente Dong
Kurn Lee; a Irlanda, pelo presidente-eleito do RI, John Kenny; o
Canadá, pelo vice-presidente Monty J. Audenart; a Bélgica,
pelo tesoureiro Bernard L. Rosen; e completando a Comissão
Executiva, os diretores Paul A. Netzel, dos EUA; eu, Themístocles
A. C. Pinho, do Brasil; e Kauhiko Ozawa, do Japão. Seguiram-se
ainda os diretores R. Gordon R. McInally, da Escócia; Ashok
M. Mahajan, da Índia; Michael J. Johns e Thomas A. Branum
Sr., dos EUA; e os recém-empossados Lars-Olof Frederiksson,
da Finlândia; José Alfredo Sepúlveda, do México;
Michael Colasurdo Sr., Eric E. Adamson e Philip J. Silvers, dos
EUA; Catherine Noyer-Riveau, da França; John Melvyn Lawrence,
da Austrália; e Jackson San-Lien Hsieh, de Taiwan. Uma grande
prova da internacionalidade do Rotary e uma verdadeira amostragem
do universo rotário. Idiomas, culturas e raças totalmente
diferentes em torno de uma mesa, com todos voltados para um mesmo
ideal: Servir na busca de um bem comum – a paz.
Só através desta internacionalidade
(em que as diferenças se complementam, as opiniões
divergentes se convergem, e o bem maior representado pelo Dar de
Si Antes de Pensar em Si se torna algo mensurável e facilmente
palpável) é que nossa organização mundial
de prestação de serviços se justifica.
O
desafio do quadro social
A partir desta constatação, voltamos
às origens desta mensagem. Muito já se falou, e muito
ainda se fala, sobre o quadro associativo do Rotary, inclusive que
ele é de capital importância para a sobrevivência
da nossa organização e que sem ele nada se poderá
realizar. Mas, companheiros e companheiras, amigos todos: será
que estamos sabendo fazer com que as nossas comunidades sejam representadas
em nossos clubes através de pessoas qualificadas e que possam,
efetivamente, fazer parte do Rotary?
Esta é a pergunta que alguns poucos fazem,
mas que todos nós certamente deveríamos responder.
Essa é uma obrigação e um exercício
permanente dos rotarianos e rotarianas: trazer para o nosso convívio
rotarianos em potencial, profissionais e empresários de diversos
matizes, proporcionando a devida e necessária mescla de opiniões
e experiências. Homens e mulheres que disponham de verdadeiras
condições não apenas para ingressar nos clubes
rotários, mas principalmente para neles permanecerem e participarem
da prestação de serviços voluntários.
Desta forma, devemos proporcionar àqueles
que engrossam nossas fileiras a oportunidade de prestar serviços
desinteressadamente, contribuindo para minorar as agruras das comunidades
que nos cercam e, de igual forma, das comunidades mais distantes,
visando melhorar a paz no mundo, a confiança na inter-relação
pessoal, profissional e empresarial; a moral, a ética e a
valorização da família. Por norma e consenso,
a base da nossa organização são os clubes,
e é a partir deles que todo o processo se desenvolve –
e, particularmente, através da execução de
projetos bem-sucedidos.
Um alerta, porém, se faz necessário: não basta
admitirmos novos associados. Nossa principal preocupação
deve ser a de apoiar e ajudar os rotarianos recém-admitidos,
envolvendo-os nas tarefas dos clubes e distritos, e assim transmitindo-lhes
ânimo e oportunidades para que se sintam úteis e possam
visualizar no Rotary tudo aquilo que lhes fez aceitar o convite
para fazer parte de um clube rotário. Seria impossível
um clube funcionar e servir se não contasse com membros dinâmicos
e motivados, mas isso não é tudo. Todos nós
somos responsáveis pelo presente e pelo futuro do Rotary
International. Devemos plantar novas idéias e Realizar os
Sonhos, assim como é nosso compromisso solidificado, cada
vez mais, aumentar de maneira expressiva nosso quadro associativo.
Rompendo a barreira
O boletim de um clube publicou a seguinte frase:
“Cada vez que um homem ou uma mulher se associa a um Rotary
Club, aumenta a mútua compreensão humana”. Num
mundo cheio de ódio, incompreensões e absurdos, necessitamos
de todas as pessoas em cujos corações palpite o Ideal
de Servir. Também não devemos ter medo de preconceitos
e opiniões facciosas, que por vezes dominam determinados
segmentos de nossa organização e só servem
para impedir o necessário e franco crescimento do quadro
social.
O aumento do quadro de associados é um
tema comum nas reuniões dos clubes. As opiniões, naturalmente,
divergem, com alguns apoiando e outros lançando observações
do tipo “Outra vez o mesmo assunto...”, mesmo que por
puro egoísmo – pois a admissão de novos associados
faz com que alguns temam a usurpação de sua liderança,
quer seja por preconceitos infundados ou pelas mais variadas formas.
O Rotary pode ser comparado a uma empresa. As
empresas buscam constantemente a ampliação e o crescimento
de seus negócios, e para tal necessitam de mais recursos
financeiros, de mais capital, para aumentar os lucros e a rentabilidade.
Assim também ocorre no Rotary, com a diferença de
que o seu capital é o associado, e que esse deve ser o foco
permanente do trabalho rotário.
Há mais de dez anos observamos que, em
relação ao quadro social, os números vêm
se mantendo constantes, na casa dos 1,2 milhão de associados,
o que significa que o ingresso de novos membros nos clubes se equivale
às demissões. Por que essa situação?
Alguns alegam razões como custos, falta de tempo, de participação,
além de outras mais, apresentadas como justificativas, mas
verdadeiramente sem uma explicação plausível.
Assim, o presidente do RI neste ano rotário,
Dong Kurn Lee, nos faz um desafio: temos que romper a barreira dos
1,2 milhão de associados, atingindo um novo patamar de 1,3
milhão. Isso é possível? E como fazer?
Estamos convictos de que essa meta será
cumprida através da promoção da verdadeira
integração dos novos associados e da revitalização
dos clubes; com a execução de projetos eficazes, que
sejam de interesse daqueles para os quais são direcionados;
e, finalmente, permitindo que cada rotariano e rotariana possa complementar-se,
tornar-se útil, dentro de suas possibilidades, características
e vontade. Nada que venha “de cima para baixo”, como
imposição, pode durar ou muito menos prosperar. O
trabalho rotário, por definição, deve ser voluntário.
E como tal, não há lugar para outras formas que não
sejam as resultantes do consenso, da vontade comum e coletiva. Se
agirmos assim, os resultados virão e da forma esperada.
Algumas
conclusões
A esta altura, não é demais lembrar
que, por ocasião da primeira reunião do novo Conselho
Diretor do Rotary International para o período 2008-09, ao
serem examinadas as causas e condições em relação
às metas para o quadro associativo, três foram as conclusões
que o grupo apoiou e que, por suas características, podem
ser definidas em três campos distintos:
•
A primeira, de caráter administrativo, propõe um maior
entrosamento entre os vários níveis de atuação
(diretores do RI, governadores distritais e coordenadores regionais
do Quadro Social), particularmente com vistas ao aumento em 33%
do número de sócios que trazem novos associados para
os clubes;
•
A segunda dá atenção a um importante segmento
do quadro associativo: as mulheres – e incentiva o aumento
do nosso número de sócias dos atuais 15% para 18%;
•
E, finalmente, a terceira conclusão, de natureza prática,
que visa promover a retenção de 96% do quadro de associados,
contribuindo desta forma para que esse processo de quase equiparação
do número de admissões e de demissões, há
vários anos em andamento, entre em colapso.
Na
verdade, essas metas (e tudo mais em relação ao quadro
associativo) deverão ser perseguidas por todos e por cada
um de nós, tendo por escopo fundamental a proposta do presidente
Dong Kurn Lee – que, à primeira vista, pode parecer
ambiciosa, mas que acreditamos plenamente alcançável,
desde que tenhamos a vontade e a coragem de Realizar os Sonhos.
|