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Themístocles A. C. Pinho
(Diretor do RI 2007-09)
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   Caros companheiros e companheiras,

esde os primórdios de nossa organização, o compromisso do Rotary com a juventude povoa a mente e os corações dos rotarianos. O primeiro projeto implantado por um Rotary Club nesta área ocorreu em dezembro de 1913. Depois de tomar conhecimento de uma família que não possuía recursos para cuidar da filha, uma menina com deficiência física, o RC de Siracuse, em Nova York, EUA, promoveu uma campanha e arrecadou US$ 2.728,74 para custear o tratamento da criança. Esta atitude certamente representou um embrião, ainda sem forma definida, mas como tal, uma “nova vida” em formação.
   Contada essa história na revista The Rotarian, o Rotary se livrou da pecha de ser uma sociedade egoísta, apenas com o intuito de promover bons negócios e proteger seus associados. A partir dessa iniciativa, ao longo do tempo o Rotary foi afirmando e consolidando sua reputação de ser a mais importante e mais acreditada organização particular de prestação de serviços, que congrega homens e mulheres de boa vontade dispostos a colaborar com o seu Ideal de Serviço desinteressado. Os rotarianos têm consolidado em seus espíritos a solidariedade e o amor ao próximo, consubstanciados na assertiva de que “ninguém pode ser feliz se, ao redor, grassam as doenças, a fome, o desamparo e a ignorância”. Por isso os rotarianos esforçam-se para neutralizar tais aflições.
   Em que pese ser benfeitora a ação rotária em todas as situações que demandam atendimento humanitário, neste mês de setembro queremos nos fixar no tema predileto do presidente Dong Kurn Lee: a atenção às crianças. Oriundo da Coréia do Sul, um país que no século passado sofreu enormemente os efeitos de conflitos armados, nosso presidente desenvolveu em seu caráter a convicção de que o mundo somente poderá sair do estado de beligerância em que se encontra se prepararmos as crianças de hoje para uma vida saudável, de respeito mútuo e de busca contínua da paz.
   Ele ficou extremamente impressionado com a estatística que apurou a morte de cerca de 30 mil crianças com menos de cinco anos, diariamente, em todo o mundo, por falta de recursos hídricos adequados, alfabetização, saúde e alimentação apropriada. É certo que o Brasil – como muitos outros países – ainda contribui para essa lamentável estatística, alguns em menor ou maior escala, mas é nosso dever cerrar fileiras em torno do presidente D. K. Lee nessa tarefa, que – sabemos – não se encerrará em um ano, mas irá demonstrar quão importante e necessária ela é para todo o mundo.
   Cabe a nós, rotarianos e rotarianas, e aos nossos clubes direcionarmos esforços, senão para a solução total e definitiva desses problemas, mas pelo menos para cumprirmos nossa parte ao minimizarmos e promovermos medidas e projetos no campo da assistência à infância, visando dar a essas crianças uma oportunidade para hoje se ajustarem na vida e, no futuro, se tornarem os líderes de um mundo melhor.
   No entanto, a juventude tem merecido um lugar muito especial no Rotary, particularmente através dos seus clubes de jovens (Rotaract e Interact), de seus Programas Especiais (RYLA e Intercâmbio de Jovens) e, em alguns países, já está despontando uma nova atuação voltada para as crianças através de grupos, ainda com forma e conteúdo sem definição específica, e que vêm se multiplicando a cada dia sob denominações ainda não consolidadas, que variam de um país para o outro, tendo merecido apreciação no último Conselho de Legislação em 2007.
   Em todo o mundo, milhares de projetos têm sido implementados. Os rotarianos se dispõem a atuar como mentores e a servirem de exemplo aos mais jovens (profissionais que coordenam grupos de jovens para dissertar sobre suas atividades), incentivando a ética no trabalho e nos negócios. No Brasil, conhecemos escolas que reúnem alunos para ouvir profissionais rotarianos de diversas áreas dissertarem sobre suas experiências para ajudar na escolha da carreira futura.
   O campo para a assistência e o apoio às crianças e aos jovens é vasto. Bolsas de estudo, assistência às creches comunitárias, doação de material escolar, construção e manutenção de escolas, programas de nutrição infantil, conscientização das famílias em relação à maternidade e sobre as atenções com a criança, cuidados com a alimentação e ingestão de água sem contaminação, e tantos outros projetos que, certamente, poderão ajudar na futura formação de um cidadão útil e produtivo.

   Iniciativas do Rotary
   Num rápido exame das diversas atividades promovidas/patrocinadas pelo Rotary no campo do apoio e incentivo à juventude, destacamos:
   Em 1959, o início do vitorioso programa RYLA (sigla em inglês de Prêmios Rotários de Liderança Juvenil), destinado a jovens estudantes de ambos os sexos, os quais participam e praticam, por alguns dias, de atividades culturais e educacionais patrocinadas por um distrito rotário. É um programa que integra os jovens e procura transmitir o empreendedorismo, o respeito aos valores sociais e éticos, o conhecimento profissional e a liderança.
   Por outro lado, o Rotary oferece uma excelente oportunidade para os jovens de ambos os sexos, na faixa etária dos 14 aos 18 anos, através do Interact, patrocinado por um clube com o qual trabalha em parceria para promover e executar projetos comunitários. Os interactianos se reúnem em escolas e em vários outros locais, orientados por professores e rotarianos experientes.
   Outra vitoriosa iniciativa manifesta-se através dos Rotaracts, que neste ano comemoram seus primeiros 40 anos de produtiva existência e sadio funcionamento. A exemplo do Interact, o Rotaract é um clube agregado a um Rotary Club e abriga jovens/adultos de ambos os sexos, de 18 aos 30 anos, com a finalidade de levar até eles o prazer de prestar serviços e desfrutar de um ambiente de companheirismo e de altos padrões de ética e moral, além de permitir que possam ser promovidas ações que dignificam o ser humano e influenciam as suas vidas presente e futura. Desde 1919, os Rotaracts se organizaram através da OMIR (Multidistrict Information Organization) entidade internacional criada pela necessidade, em todo o mundo, do estabelecimento de uma estrutura organizada que facilitasse as trocas de informações e atividades conjuntas, em diversas nações ou regiões do planeta, e à qual nosso país se acha representado pela Omir-Brasil, reconhecida pelo Rotary International em 1995.
   O Intercâmbio Internacional de Jovens, programa considerado padrão entre os congêneres, movimenta anualmente milhares de estudantes ente 14 e 18 anos, os quais viajam a outros países para um período de três a 12 meses, sob a responsabilidade dos rotarianos do clube de origem e do clube anfitrião, com o objetivo de dar aos jovens a oportunidade de estudar e travar conhecimento com outras culturas, obter novas informações e fazer amizades duradouras. É um programa tão importante na formação do caráter do jovem que de um relatório de um intercambiado extraímos este conceito: “Se o meu país entrar em guerra contra este país, jamais pegarei em armas para matar quem me acolheu tão bem”.

   Preparando para a paz
   No entanto, o Rotary vai além ao apoiar e incentivar os jovens e adultos no desenvolvimento de suas tendências profissionais, estando sempre atento às necessidades sociais e, quando a oportunidade se apresenta, desenvolve ações e programas através da preparação para uma concreta assistência e participação efetiva na busca de soluções adequadas e duradouras.
   Assim é que, por esta razão, e sob a inspiração do ex-presidente do Rotary International, o brasileiro Paulo Viriato Corrêa da Costa, foram criados os Centros Rotary de Estudos Internacionais da Paz e Resolução de Conflitos, sob a responsabilidade da nossa Fundação Rotária, que outorgam bolsas educacionais de dois anos, em nível de pós-graduação, em seis universidades espalhadas pelo mundo e em nível técnico, por três meses, na Tailândia, através dos quais são preparados jovens de real valor, competência e efetiva tendência para a prática de atos e procedimentos que visem, em última instância, a paz – que, como há muito já se disse, não é apenas a ausência de guerras, mas a possibilidade de uma vida digna e honesta para todos em nosso planeta.
   Neste aspecto, vale lembrar a mensagem do idealizador da Fundação Rotária, Arch C. Klumph, presidente do Rotary International em 1916-1917: “A Fundação Rotária não serve para construir monumentos de tijolo e pedra; se esculpirmos o mármore, ele perecerá; se cinzelarmos o latão, o tempo o desgastará; se construirmos templos, eles cairão em pó; mas se incutirmos nas mentes imortais o espírito rotário, estaremos entalhando as tábuas da lei com o brilho da eternidade”.
   Amigas e amigos, neste mês exortamos todos vocês e os clubes a promover projetos e ações que contemplem as crianças e os jovens, pois eles serão os líderes de amanhã. Realizemos o sonho de ver a juventude trilhando o caminho da concórdia, do entendimento e da paz, supremos objetivos dos rotarianos.


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