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Caros
companheiros e companheiras,
esde os primórdios de nossa organização, o
compromisso do Rotary com a juventude povoa a mente e os corações
dos rotarianos. O primeiro projeto implantado por um Rotary Club
nesta área ocorreu em dezembro de 1913. Depois de tomar conhecimento
de uma família que não possuía recursos para
cuidar da filha, uma menina com deficiência física,
o RC de Siracuse, em Nova York, EUA, promoveu uma campanha e arrecadou
US$ 2.728,74 para custear o tratamento da criança. Esta atitude
certamente representou um embrião, ainda sem forma definida,
mas como tal, uma “nova vida” em formação.
Contada essa história na revista The Rotarian,
o Rotary se livrou da pecha de ser uma sociedade egoísta,
apenas com o intuito de promover bons negócios e proteger
seus associados. A partir dessa iniciativa, ao longo do tempo o
Rotary foi afirmando e consolidando sua reputação
de ser a mais importante e mais acreditada organização
particular de prestação de serviços, que congrega
homens e mulheres de boa vontade dispostos a colaborar com o seu
Ideal de Serviço desinteressado. Os rotarianos têm
consolidado em seus espíritos a solidariedade e o amor ao
próximo, consubstanciados na assertiva de que “ninguém
pode ser feliz se, ao redor, grassam as doenças, a fome,
o desamparo e a ignorância”. Por isso os rotarianos
esforçam-se para neutralizar tais aflições.
Em que pese ser benfeitora a ação
rotária em todas as situações que demandam
atendimento humanitário, neste mês de setembro queremos
nos fixar no tema predileto do presidente Dong Kurn Lee: a atenção
às crianças. Oriundo da Coréia do Sul, um país
que no século passado sofreu enormemente os efeitos de conflitos
armados, nosso presidente desenvolveu em seu caráter a convicção
de que o mundo somente poderá sair do estado de beligerância
em que se encontra se prepararmos as crianças de hoje para
uma vida saudável, de respeito mútuo e de busca contínua
da paz.
Ele ficou extremamente impressionado com a estatística
que apurou a morte de cerca de 30 mil crianças com menos
de cinco anos, diariamente, em todo o mundo, por falta de recursos
hídricos adequados, alfabetização, saúde
e alimentação apropriada. É certo que o Brasil
– como muitos outros países – ainda contribui
para essa lamentável estatística, alguns em menor
ou maior escala, mas é nosso dever cerrar fileiras em torno
do presidente D. K. Lee nessa tarefa, que – sabemos –
não se encerrará em um ano, mas irá demonstrar
quão importante e necessária ela é para todo
o mundo.
Cabe a nós, rotarianos e rotarianas, e
aos nossos clubes direcionarmos esforços, senão para
a solução total e definitiva desses problemas, mas
pelo menos para cumprirmos nossa parte ao minimizarmos e promovermos
medidas e projetos no campo da assistência à infância,
visando dar a essas crianças uma oportunidade para hoje se
ajustarem na vida e, no futuro, se tornarem os líderes de
um mundo melhor.
No entanto, a juventude tem merecido um lugar
muito especial no Rotary, particularmente através dos seus
clubes de jovens (Rotaract e Interact), de seus Programas Especiais
(RYLA e Intercâmbio de Jovens) e, em alguns países,
já está despontando uma nova atuação
voltada para as crianças através de grupos, ainda
com forma e conteúdo sem definição específica,
e que vêm se multiplicando a cada dia sob denominações
ainda não consolidadas, que variam de um país para
o outro, tendo merecido apreciação no último
Conselho de Legislação em 2007.
Em todo o mundo, milhares de projetos têm
sido implementados. Os rotarianos se dispõem a atuar como
mentores e a servirem de exemplo aos mais jovens (profissionais
que coordenam grupos de jovens para dissertar sobre suas atividades),
incentivando a ética no trabalho e nos negócios. No
Brasil, conhecemos escolas que reúnem alunos para ouvir profissionais
rotarianos de diversas áreas dissertarem sobre suas experiências
para ajudar na escolha da carreira futura.
O campo para a assistência e o apoio às
crianças e aos jovens é vasto. Bolsas de estudo, assistência
às creches comunitárias, doação de material
escolar, construção e manutenção de
escolas, programas de nutrição infantil, conscientização
das famílias em relação à maternidade
e sobre as atenções com a criança, cuidados
com a alimentação e ingestão de água
sem contaminação, e tantos outros projetos que, certamente,
poderão ajudar na futura formação de um cidadão
útil e produtivo.
Iniciativas
do Rotary
Num rápido exame das diversas atividades
promovidas/patrocinadas pelo Rotary no campo do apoio e incentivo
à juventude, destacamos:
Em 1959, o início do vitorioso programa
RYLA (sigla em inglês de Prêmios Rotários de
Liderança Juvenil), destinado a jovens estudantes de ambos
os sexos, os quais participam e praticam, por alguns dias, de atividades
culturais e educacionais patrocinadas por um distrito rotário.
É um programa que integra os jovens e procura transmitir
o empreendedorismo, o respeito aos valores sociais e éticos,
o conhecimento profissional e a liderança.
Por outro lado, o Rotary oferece uma excelente
oportunidade para os jovens de ambos os sexos, na faixa etária
dos 14 aos 18 anos, através do Interact, patrocinado por
um clube com o qual trabalha em parceria para promover e executar
projetos comunitários. Os interactianos se reúnem
em escolas e em vários outros locais, orientados por professores
e rotarianos experientes.
Outra vitoriosa iniciativa manifesta-se através
dos Rotaracts, que neste ano comemoram seus primeiros 40 anos de
produtiva existência e sadio funcionamento. A exemplo do Interact,
o Rotaract é um clube agregado a um Rotary Club e abriga
jovens/adultos de ambos os sexos, de 18 aos 30 anos, com a finalidade
de levar até eles o prazer de prestar serviços e desfrutar
de um ambiente de companheirismo e de altos padrões de ética
e moral, além de permitir que possam ser promovidas ações
que dignificam o ser humano e influenciam as suas vidas presente
e futura. Desde 1919, os Rotaracts se organizaram através
da OMIR (Multidistrict Information Organization) entidade internacional
criada pela necessidade, em todo o mundo, do estabelecimento de
uma estrutura organizada que facilitasse as trocas de informações
e atividades conjuntas, em diversas nações ou regiões
do planeta, e à qual nosso país se acha representado
pela Omir-Brasil, reconhecida pelo Rotary International em 1995.
O Intercâmbio Internacional de Jovens, programa
considerado padrão entre os congêneres, movimenta anualmente
milhares de estudantes ente 14 e 18 anos, os quais viajam a outros
países para um período de três a 12 meses, sob
a responsabilidade dos rotarianos do clube de origem e do clube
anfitrião, com o objetivo de dar aos jovens a oportunidade
de estudar e travar conhecimento com outras culturas, obter novas
informações e fazer amizades duradouras. É
um programa tão importante na formação do caráter
do jovem que de um relatório de um intercambiado extraímos
este conceito: “Se o meu país entrar em guerra contra
este país, jamais pegarei em armas para matar quem me acolheu
tão bem”.
Preparando
para a paz
No entanto, o Rotary vai além ao apoiar
e incentivar os jovens e adultos no desenvolvimento de suas tendências
profissionais, estando sempre atento às necessidades sociais
e, quando a oportunidade se apresenta, desenvolve ações
e programas através da preparação para uma
concreta assistência e participação efetiva
na busca de soluções adequadas e duradouras.
Assim é que, por esta razão, e sob
a inspiração do ex-presidente do Rotary International,
o brasileiro Paulo Viriato Corrêa da Costa, foram criados
os Centros Rotary de Estudos Internacionais da Paz e Resolução
de Conflitos, sob a responsabilidade da nossa Fundação
Rotária, que outorgam bolsas educacionais de dois anos, em
nível de pós-graduação, em seis universidades
espalhadas pelo mundo e em nível técnico, por três
meses, na Tailândia, através dos quais são preparados
jovens de real valor, competência e efetiva tendência
para a prática de atos e procedimentos que visem, em última
instância, a paz – que, como há muito já
se disse, não é apenas a ausência de guerras,
mas a possibilidade de uma vida digna e honesta para todos em nosso
planeta.
Neste aspecto, vale lembrar a mensagem do idealizador
da Fundação Rotária, Arch C. Klumph, presidente
do Rotary International em 1916-1917: “A Fundação
Rotária não serve para construir monumentos de tijolo
e pedra; se esculpirmos o mármore, ele perecerá; se
cinzelarmos o latão, o tempo o desgastará; se construirmos
templos, eles cairão em pó; mas se incutirmos nas
mentes imortais o espírito rotário, estaremos entalhando
as tábuas da lei com o brilho da eternidade”.
Amigas e amigos, neste mês exortamos todos
vocês e os clubes a promover projetos e ações
que contemplem as crianças e os jovens, pois eles serão
os líderes de amanhã. Realizemos o sonho de ver a
juventude trilhando o caminho da concórdia, do entendimento
e da paz, supremos objetivos dos rotarianos.
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