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Fevereiro,
mês da Compreensão Mundial
este
mês, o Rotary nos lembra de nosso compromisso com a paz, o
supremo objetivo dos rotarianos. Embora a paz total seja uma utopia,
pois o homem é beligerante por natureza, nós, os rotarianos,
não podemos esquecer este nosso compromisso de trabalhar
por uma paz duradoura.
Em épocas distantes, os povos da Terra
viviam isolados uns dos outros, e especialmente os acidentes geográficos
(como montanhas, rios, florestas, desertos e mares) eram barreiras
naturais para o seu relacionamento. Desta maneira, as comunidades
se relacionavam muito pouco umas com as outras, e o contato entre
elas era difícil. Mas mesmo assim a paz não era tão
fácil. As guerras sempre existiram, inicialmente entre tribos,
depois de conquistas, de cunho religioso ou por causa de ambições
incontroláveis e desmedidas. Enfim: em seu instinto próprio,
o homem sempre teve na guerra uma característica pessoal.
Na verdade, na condição de um ser racional, marca
que deveria diferenciá-lo dos demais seres vivos, no fundo
o homem ceifa vidas, recrudesce a pobreza, atingindo, o que é
pior, muitos inocentes.
Nunca é demais lembrar que as formigas,
por exemplo, praticam todas essas coisas por instinto, e que o homem
– com sua capacidade de raciocínio – ainda não
se deu conta de que seus inimigos não são seus semelhantes,
mas sim a miséria, a fome, a ignorância, as doenças
e tantas outras desgraças e males que infestam o mundo. A
partir da Revolução Industrial, os poucos recursos,
particularmente nas comunicações, transformaram-se
completamente com o surgimento do navio a vapor, do telégrafo,
das estradas de ferro, do telefone, do rádio, da televisão,
do avião, do jato, da energia atômica, do computador,
da internet e dessa maravilha da comunicação que é
a telefonia celular, hoje tão popularizada. Todos esses inventos
tornaram os homens vizinhos sem fronteiras.
No entanto, se o progresso tecnológico
proporciona ao homem o alargamento de seus horizontes, fazendo-o
conhecer uma vida de mais conforto e facilidades, não é
menos verdade que não modificou seu comportamento belicoso.
Ao contrário, o que vemos é o acirramento dos conflitos
com armas cada vez mais potentes e o constante medo que cerca a
humanidade, em face de uma nova e terrível forma de guerra,
silenciosa e sem fronteiras. Estamos falando do terrorismo, que
como o ar se espalha e nos envolve a cada hora e por todo o lugar,
sem que possamos sequer prever onde e quando ocorrerá.
Sem querermos ser pessimistas ou os arautos do
apocalipse, o fato é que a luta pelo controle dos bens materiais
tomou proporções assustadoras. O mundo transformou-se
em uma imensa fogueira, alimentada pelas paixões incontroláveis
e pela ambição desmedida. Os conflitos entre as nações
e as guerras civis se alastram como praga daninha, sem que os homens
consigam nada além de pequenos e efêmeros momentos
de “relativa paz”, representada aqui pela simples falta
de guerra, quando na verdade a paz há de ser muito mais que
isto – pois a paz em que cremos há de ser mais ampla
e duradoura, na qual todos os seres humanos possam viver com dignidade
e conforto, no pleno exercício de sua cidadania.
Mas, se neste mês enaltecemos a paz, vocês
poderão perguntar: por que falar tanto da guerra, se somos
uma organização formada por voluntários que
se dedicam à paz? Por que não damos a devida ênfase
aos trabalhos e iniciativas de milhares de homens e mulheres que,
por vocação, procuram, ano após ano, semear
exemplos e praticar ações no sentido de uma paz desejada
e duradoura?
Parceiros
da ONU
Numa rápida revisão histórica,
exemplos da atuação do Rotary em favor da paz aparecem
a toda hora, destacando-se a participação e verdadeira
parceria dos rotarianos com a Organização das Nações
Unidas (ONU) desde o surgimento desta entidade. A ONU foi criada
após a Segunda Guerra Mundial, com objetivos que guardam
uma identidade muito semelhante com os objetivos do Rotary. O Rotary
e a ONU advogam exclusivamente o estabelecimento de uma sociedade
justa, sem distinção de ideologia ou de raças,
com oportunidades para todos.
Convicta de que a paz depende de melhores condições
de vida, a ONU vem cumprindo seu papel de controlar os ânimos
mais belicosos, evitando consequências mais desastrosas, justamente
porque tem em seus princípios básicos a assistência
social a todos os seres humanos. Desde que a ONU foi fundada, o
Rotary tem pontificado seu trabalho em prol da paz, ora participando
diretamente de suas ações, ora envolvendo-se no estudo
de soluções – e, especialmente, desde 1985,
em parceria com a Organização Mundial da Saúde,
num combate sem tréguas para a erradicação
da paralisia infantil em nosso planeta.
Estes são fatos mundialmente reconhecidos
e que, no dia 8 de novembro de 2008, como ocorre todos os anos,
foram comemorados e reverenciados durante o Dia do Rotary na ONU,
evento realizado com a presença de mais de 1.500 participantes
na sede das Nações Unidas, em Nova York, e de representantes
dos países que fazem parte da ONU, além de autoridades
mundiais dos mais variados setores e da liderança rotária
mundial.
Já fizemos tudo?
Ainda dentro do destaque necessário a que
faz jus o Rotary, neste ano, cujo segundo semestre já estamos
em plena execução, o presidente D. K. Lee, através
de seu lema – Realizemos os Sonhos – também nos
oferece caminhos para a busca da paz. E o faz, de forma bastante
objetiva e clara, propondo-nos:
•
O trabalho pela redução da mortalidade infantil,
com ênfase especial às áreas de saúde
e nutrição, dos recursos hídricos e da alfabetização;
• Incentivando os Rotary Clubs a praticar
ações que façam a diferença no mundo,
seja mantendo e ampliando seu quadro social, ou através de
uma boa e vibrante administração.
A
esta altura, nunca é demais a pergunta: “Dentro da
atualidade do tema rotário deste ano, o que têm feito
os rotarianos, rotarianas e toda a Família Rotária
para alcançarmos a paz tão desejada por todos nós?”
A menos de seis meses do término deste ano rotário,
e mesmo que certamente já tenhamos feito muito, esta é
a hora de nos perguntarmos: “Fizemos tudo que podíamos?
Cumprimos com as nossas tarefas como cidadãos e rotarianos?”
Companheiros e companheiras: na oportunidade em
que enfatizamos a paz e a compreensão mundial, vale a pena
fazermos um simples (mas verdadeiro) exame de consciência,
pois o Rotary e toda a humanidade dependem de que cada um de nós
cumpra a sua parte neste momento em que vivemos, e onde o ser humano
deve ser o centro da atenção de todos.
Embora de muitos já conhecida, ao finalizarmos
esta mensagem não é demais lembrarmos uma passagem
do autor Jean J. C. Screiber, narrada em seu livro “O Desafio
Americano”, em que ele relata:
“Estava
ele escrevendo um trabalho, quando sua filha de oito anos insistia
em conversar. Para distrair a menina, pegou uma publicação
do mapa-múndi que se encontrava em sua mesa, rasgou-a em
vários pedaços e entregou-a à filha, para que
ela a reconstruísse tal e qual um quebra-cabeças.
Achou que desta maneira a ocuparia por muito tempo. Surpreendentemente,
a tarefa estava concluída em poucos minutos. ‘Como
conseguiu fazer isso tão depressa?’, perguntou à
filha. E ela respondeu: ‘Notei que atrás do mapa havia
a figura de um homem. Reconstruindo o homem foi fácil reconstruir
o mundo.’”
Não
seria esta uma grande lição?
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