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Themístocles A. C. Pinho
(Diretor do RI 2007-09)
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   Fevereiro, mês da Compreensão Mundial

este mês, o Rotary nos lembra de nosso compromisso com a paz, o supremo objetivo dos rotarianos. Embora a paz total seja uma utopia, pois o homem é beligerante por natureza, nós, os rotarianos, não podemos esquecer este nosso compromisso de trabalhar por uma paz duradoura.
   Em épocas distantes, os povos da Terra viviam isolados uns dos outros, e especialmente os acidentes geográficos (como montanhas, rios, florestas, desertos e mares) eram barreiras naturais para o seu relacionamento. Desta maneira, as comunidades se relacionavam muito pouco umas com as outras, e o contato entre elas era difícil. Mas mesmo assim a paz não era tão fácil. As guerras sempre existiram, inicialmente entre tribos, depois de conquistas, de cunho religioso ou por causa de ambições incontroláveis e desmedidas. Enfim: em seu instinto próprio, o homem sempre teve na guerra uma característica pessoal. Na verdade, na condição de um ser racional, marca que deveria diferenciá-lo dos demais seres vivos, no fundo o homem ceifa vidas, recrudesce a pobreza, atingindo, o que é pior, muitos inocentes.
   Nunca é demais lembrar que as formigas, por exemplo, praticam todas essas coisas por instinto, e que o homem – com sua capacidade de raciocínio – ainda não se deu conta de que seus inimigos não são seus semelhantes, mas sim a miséria, a fome, a ignorância, as doenças e tantas outras desgraças e males que infestam o mundo. A partir da Revolução Industrial, os poucos recursos, particularmente nas comunicações, transformaram-se completamente com o surgimento do navio a vapor, do telégrafo, das estradas de ferro, do telefone, do rádio, da televisão, do avião, do jato, da energia atômica, do computador, da internet e dessa maravilha da comunicação que é a telefonia celular, hoje tão popularizada. Todos esses inventos tornaram os homens vizinhos sem fronteiras.
   No entanto, se o progresso tecnológico proporciona ao homem o alargamento de seus horizontes, fazendo-o conhecer uma vida de mais conforto e facilidades, não é menos verdade que não modificou seu comportamento belicoso. Ao contrário, o que vemos é o acirramento dos conflitos com armas cada vez mais potentes e o constante medo que cerca a humanidade, em face de uma nova e terrível forma de guerra, silenciosa e sem fronteiras. Estamos falando do terrorismo, que como o ar se espalha e nos envolve a cada hora e por todo o lugar, sem que possamos sequer prever onde e quando ocorrerá.
   Sem querermos ser pessimistas ou os arautos do apocalipse, o fato é que a luta pelo controle dos bens materiais tomou proporções assustadoras. O mundo transformou-se em uma imensa fogueira, alimentada pelas paixões incontroláveis e pela ambição desmedida. Os conflitos entre as nações e as guerras civis se alastram como praga daninha, sem que os homens consigam nada além de pequenos e efêmeros momentos de “relativa paz”, representada aqui pela simples falta de guerra, quando na verdade a paz há de ser muito mais que isto – pois a paz em que cremos há de ser mais ampla e duradoura, na qual todos os seres humanos possam viver com dignidade e conforto, no pleno exercício de sua cidadania.
   Mas, se neste mês enaltecemos a paz, vocês poderão perguntar: por que falar tanto da guerra, se somos uma organização formada por voluntários que se dedicam à paz? Por que não damos a devida ênfase aos trabalhos e iniciativas de milhares de homens e mulheres que, por vocação, procuram, ano após ano, semear exemplos e praticar ações no sentido de uma paz desejada e duradoura?

Parceiros da ONU
   Numa rápida revisão histórica, exemplos da atuação do Rotary em favor da paz aparecem a toda hora, destacando-se a participação e verdadeira parceria dos rotarianos com a Organização das Nações Unidas (ONU) desde o surgimento desta entidade. A ONU foi criada após a Segunda Guerra Mundial, com objetivos que guardam uma identidade muito semelhante com os objetivos do Rotary. O Rotary e a ONU advogam exclusivamente o estabelecimento de uma sociedade justa, sem distinção de ideologia ou de raças, com oportunidades para todos.
   Convicta de que a paz depende de melhores condições de vida, a ONU vem cumprindo seu papel de controlar os ânimos mais belicosos, evitando consequências mais desastrosas, justamente porque tem em seus princípios básicos a assistência social a todos os seres humanos. Desde que a ONU foi fundada, o Rotary tem pontificado seu trabalho em prol da paz, ora participando diretamente de suas ações, ora envolvendo-se no estudo de soluções – e, especialmente, desde 1985, em parceria com a Organização Mundial da Saúde, num combate sem tréguas para a erradicação da paralisia infantil em nosso planeta.
   Estes são fatos mundialmente reconhecidos e que, no dia 8 de novembro de 2008, como ocorre todos os anos, foram comemorados e reverenciados durante o Dia do Rotary na ONU, evento realizado com a presença de mais de 1.500 participantes na sede das Nações Unidas, em Nova York, e de representantes dos países que fazem parte da ONU, além de autoridades mundiais dos mais variados setores e da liderança rotária mundial.

Já fizemos tudo?
   Ainda dentro do destaque necessário a que faz jus o Rotary, neste ano, cujo segundo semestre já estamos em plena execução, o presidente D. K. Lee, através de seu lema – Realizemos os Sonhos – também nos oferece caminhos para a busca da paz. E o faz, de forma bastante objetiva e clara, propondo-nos:

• O trabalho pela redução da mortalidade infantil, com ênfase especial às áreas de saúde e nutrição, dos recursos hídricos e da alfabetização;
• Incentivando os Rotary Clubs a praticar ações que façam a diferença no mundo, seja mantendo e ampliando seu quadro social, ou através de uma boa e vibrante administração.

   A esta altura, nunca é demais a pergunta: “Dentro da atualidade do tema rotário deste ano, o que têm feito os rotarianos, rotarianas e toda a Família Rotária para alcançarmos a paz tão desejada por todos nós?” A menos de seis meses do término deste ano rotário, e mesmo que certamente já tenhamos feito muito, esta é a hora de nos perguntarmos: “Fizemos tudo que podíamos? Cumprimos com as nossas tarefas como cidadãos e rotarianos?”
   Companheiros e companheiras: na oportunidade em que enfatizamos a paz e a compreensão mundial, vale a pena fazermos um simples (mas verdadeiro) exame de consciência, pois o Rotary e toda a humanidade dependem de que cada um de nós cumpra a sua parte neste momento em que vivemos, e onde o ser humano deve ser o centro da atenção de todos.
   Embora de muitos já conhecida, ao finalizarmos esta mensagem não é demais lembrarmos uma passagem do autor Jean J. C. Screiber, narrada em seu livro “O Desafio Americano”, em que ele relata:

   “Estava ele escrevendo um trabalho, quando sua filha de oito anos insistia em conversar. Para distrair a menina, pegou uma publicação do mapa-múndi que se encontrava em sua mesa, rasgou-a em vários pedaços e entregou-a à filha, para que ela a reconstruísse tal e qual um quebra-cabeças. Achou que desta maneira a ocuparia por muito tempo. Surpreendentemente, a tarefa estava concluída em poucos minutos. ‘Como conseguiu fazer isso tão depressa?’, perguntou à filha. E ela respondeu: ‘Notei que atrás do mapa havia a figura de um homem. Reconstruindo o homem foi fácil reconstruir o mundo.’”

   Não seria esta uma grande lição?


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