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Ouvir, ouvir, ouvir
Como presidente do Rotary International tenho a singular oportunidade de conversar com rotarianos do mundo inteiro. E tenho oportunidade, ainda maior, de ouvir os rotarianos e saber quais são suas preocupações, esperanças e sonhos para o Rotary. Mais do que uma oportunidade, considero uma responsabilidade sagrada do presidente do Rotary International ouvir, com a maior atenção, os sócios comuns dos clubes.
Para facilitar ainda mais essa comunicação, aumentei o número de Comissões de Assuntos do RI, incluindo a América do Norte e o Pacífico Sul, assegurando, assim, a representação de todas as zonas rotárias. Com o compromisso de oferecer consultoria ao Conselho Diretor e ao presidente sobre questões importantes em suas áreas, essas comissões formam um elo vital entre o rotariano comum e os líderes seniores. Promovendo o fluxo de idéias vindas dos rotarianos que trabalham no campo, na linha de frente, espero fazer uma mudança na tradicional organização "vertical" que o Rotary usa para trabalhar, ajudando a aumentar a nossa unidade e celebrando nossa diversidade.
Espero, também, que essa inversão da pirâmide da administração tradicional, em nível internacional, sirva de exemplo para líderes de clubes e distritos, encorajando-os a ouvir com mais atenção as preocupações e idéias dos sócios.
Mas nossa disposição para ouvir não deve se restringir à nossa organização. Se nossos clubes querem adquirir e manter a confiança, os rotarianos do mundo inteiro devem, também, ouvir as comunidades a que servem e assegurar que seu trabalho está realmente atendendo às suas necessidades. Apenas aqueles clubes que respondem às necessidades da comunidade de forma significativa podem esperar atrair e reter sócios de alta qualificação em um mundo onde tudo acontece de forma acelerada.
A mudança não acontece no vácuo. O progresso ocorre quando as pessoas se põem a ouvir as idéias novas e se expõem a uma nova visão. Se Rotary quiser mudar – e acredito que sua sobrevivência depende disso – devemos, como organização, a começar a ouvir, ouvir, ouvir. Peço a todos os companheiros que abram seus olhos e mantenham os ouvidos atentos para a realidade do declínio do envolvimento cívico e a mudança das solicitações de serviços. Procurem saber o que os sócios mais jovens estão pensando e prestem realmente atenção às idéias deles, para fazer com que seus clubes sejam mais eficientes. Andem por suas comunidades e ouçam o que as pessoas têm a dizer – descubram em primeira mão o que elas realmente precisam para melhorar suas vidas.
É uma idiossincrasia do ser humano ouvir mais cuidadosamente apenas o que lhe interessa. Como rotarianos servindo às nossas comunidades, todos temos prazer em ouvir a gratidão expressa por nosso trabalho rotário. Mas, será que ouvimos com o mesmo cuidado os sócios que criticam os programas semanais dos clubes por não serem inspiradores ou por representarem perda de tempo? Prestamos atenção aos habitantes das comunidades quando dizem que os projetos de serviços do Rotary são irrelevantes, ou que demonstram falta de interesse pelos nossos eventos não comparecendo a eles?
Chegou a hora de Rotary começar a ouvir todos as versões da história – ouvindo a resposta negativa com tanto interesse quanto a positiva. Somente quando abrirmos os nossos ouvidos para a crítica negativa é que estaremos, de fato, com a mente aberta para a mudança.
Antes, pedi a vocês para terem a coragem de mudar. Agora, peço que tenham a coragem de ouvir seus líderes rotários, seus companheiros de clube, os membros das comunidades e as pessoas necessitadas, mesmo que – e especialmente – elas estejam lhes dizendo coisas que não querem ouvir.
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