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Carlos Enrique Speroni
(Diretor do RI 2005-07)
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Crescer: vontade, obrigação, compromisso

hegamos ao Centenário e ficamos satisfeitos por mostrar os sucessos obtidos neste primeiro século de existência da maior organização mundial de prestação de serviços. Aquela idéia de 1905, nascida de um sonho, foi tomando corpo, com perseverança e firmeza, e hoje está presente em quase todo o mundo.
   Foram precisos 92 anos para que o Rotary acabasse de se instalar nos seis continentes, o que ocorreu em 17 de maio de 1997, durante a presidência de Luis Vicente Giay, que teve a honra de levar à frente o processo de formação do RC de Base Marambio-Antártida. Esse feito foi marcado pelo histórico desembarque de 164 rotarianos na Antártida, fato inédito na história do continente branco, acontecido em janeiro daquele ano como parte do programa do Foro Rotário para a Paz na Antártida.
   E dentro de pouco tempo virão Cuba, China e alguns outros países, fazendo com que a presença do Rotary se torne realidade em todas as nações e regiões geográficas do mundo, conforme a idéia de Paul Harris de “propor e dar alento ao desenvolvimento da amizade como oportunidade de servir”.
   Nas nossas zonas rotárias, aqui no continente americano, o desenvolvimento e a presença do Rotary, por intermédio de seus inúmeros clubes, atingem níveis bastante aceitáveis, o que não acontece com o percentual de crescimento do quadro social, que atualmente está muito aquém dos tradicionais 3% de outras épocas. A observação mais imparcial nos indica que o crescimento do número de associados na região – menor que o índice de crescimento de clubes – ratifica o que muitos de nós pensamos: quantas vezes nos dedicamos somente a incorporar novos sócios, e não a reter os rotarianos?

   O Rotary que queremos
   Conseqüentemente, onde essas circunstâncias acontecem é também o lugar onde deveremos dedicar nossos maiores e melhores esforços para que cada clube seja realmente uma manifestação correta e digna da comunidade em que atua. Devemos convencer todos os líderes sobre os benefícios de ser rotariano e exortá-los com nosso exemplo. Essa será a atitude mais qualificada, mais competente e a que queremos manter, mediante o esforço diário que faremos para que isso aconteça.
Atitudes como essa nos levarão a encontrar respostas firmes para as seguintes perguntas:
   Queremos um Rotary com mais associados?
   Sim, porém mais solidários e comprometidos, rotarianos plenos, em quem possamos aplicar tudo aquilo em que o valor das pessoas mais se assemelha à luz das estrelas, lembrando que nem sempre as maiores são as que mais brilham e que nos parecem de primeira grandeza.
   Queremos um Rotary com mais clubes?
   Não necessariamente, se as circunstâncias assim desaconselham, porém com clubes melhores, nos quais a atitude amistosa seja o vínculo da união entre tempo, esforço e dedicação que oferecem aos seus membros.
   Queremos um Rotary com mais clubes mistos?
   Não para satisfazer o convencionalismo, e sim pela convicção sensata de que o mais apropriado é situarmos nossos clubes no mesmo nível em que se encontram todas as demais organizações que integramos, na qualidade de líderes de nossas comunidades.

   Como o homem é o único animal que tropeça duas vezes na mesma pedra, devemos aceitar que a culpa não é da pedra, e sim do nosso pé, que não sabe onde pisa. Conseqüentemente, não devemos nos acomodar e acreditar que tudo está bem e que o tempo fará o milagre. Esse milagre deve ser produzido por nós, convertendo ditos em feitos e esperanças em realidades – e, mais ainda, nos convencendo de que é hora de agir.

   Redistritamento
   Vários distritos – 13 da Argentina, três do Peru, três do Brasil, dois da Colômbia, um do Chile, um da Bolívia e um do Uruguai – deverão atingir as metas de 1.000 sócios e 30 clubes até o dia 1º de julho de 2008, para o que apresentaram, antes do último dia 30 de setembro, a primeira alternativa do Plano de Ação para o Aumento do Número de Associados e de Clubes no Distrito.
Cada uma dessas propostas será monitorada semestralmente pelo Rotary International. Caso não sejam cumpridas, entrará em vigor o processo de redistritamento. Com relação a isso, existem duas opções:
   1. Aceitar o redistritamento a ser estabelecido por uma comissão do RI – e que anexará distritos sem fracioná-los;

   2. Apresentar, antes do próximo dia 17, a segunda alternativa do mesmo plano, que conta com a vantagem de poder realizar anexações parciais ou totais, segundo acordo feito com outros distritos.

   A diferença entre as duas opções é significativa, considerando-se que a segunda contempla a possibilidade de se propor um projeto já acordado e que, como tal, contempla afinidades regionais e antecedentes rotários.
   Como vemos, o Rotary International nos alerta sobre o tamanho dos distritos – no que se refere a associados e clubes – e nos motiva a crescer, o que devemos fazer. Não nos fazem falta mais argumentos, muito menos aqueles que se referem à crise que levianamente sustentamos – quando deveríamos justificar erros ou descuidos. A crise econômica e as mudanças trazidas por ela devem nos motivar a enfrentá-las e a demonstrar que, quando queremos, podemos!
   O que de pior pode nos acontecer – apesar de sabermos que, se não crescermos, nos fixarão novos limites – é repousarmos na tranqüilidade do “deixar fazer” e do “deixar passar” dos fisiocratas. Cada dia de nossas vidas começa com um novo projeto, embora nem sempre o percebamos, e é isso o que nos leva a ser melhores e a lutar por nossos objetivos.
   Portanto, é preciso que cada dia na vida de nossos clubes também comece com um projeto que, nascido da vontade, se transforme na obrigação e no compromisso de sermos mais e melhores.


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