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A
família, nossa família
stamos nos aproximando do final do ano. Dezembro, o mês em
que isso acontece, está sujeito a diferentes significados,
conforme a ótica de quem o analisa. Para uns, dezembro significa
a proximidade da festa máxima da cristandade, o dia do nascimento
de um Menino – um entre milhões de outros que vieram
ao mundo antes, ao mesmo tempo e depois Dele. Mas esse Menino era
– em corpo e espírito – o Filho de Deus, que
veio para salvar os que Nele acreditassem.
Para outros, dezembro é o fim de um período
que, por ser cíclico, não deixa de ser diferente de
todos os outros e que, exatamente por esse motivo, permite que cada
um se detenha, mesmo que de forma breve, em analisar suas ações,
reformular suas metas, renovar esperanças e reforçar
compromissos.
Para todos – quaisquer que sejam suas condições,
credos e pátrias – a proximidade da celebração
do Natal e o início de um novo ano predispõem a um
otimismo renovado. É o tempo do regozijo e da amizade.
Esse também é o tempo da família
reunida como expressão manifesta do papel que lhe compete:
ser a base fundamental e de maior transcendência para a formação
e educação dos filhos.
Valores
individuais
O ano de 2004 foi declarado pela ONU como o Ano
Internacional da Família. Se é certo que, por um lado,
isso significou reconhecê-la como o espaço no qual
se experimentam o amor e a solidariedade, também o Rotary
fez o mesmo ao dedicar o mês de dezembro à família.
Para as pessoas de bem, rotarianas ou não,
a família constitui-se no único cenário no
qual cada um é reconhecido pelos seus valores próprios
e individuais, por sua maneira de ser. Tudo muito diferente e felizmente
distanciado das concepções econômicas que nos
invadem e de acordo com as quais a aceitação está
regulamentada pela eficiência, pelo rendimento e pelo valor
de apenas ter. Devemos nos perguntar se não estamos dando
demasiada ênfase a esses aspectos e pouca – muito pouca
– àqueles já mencionados e que constituem o
afetivo e o emocional.
Espaço
ideal
Hoje, o mundo está reconhecendo o papel
relevante da família como célula básica de
toda sociedade que mereça ser considerada como tal. Nesse
sentido, a ONU e o Rotary merecem o crédito de pioneiros.
Kofi Annan, secretário-geral da ONU, e Jonathan Majiyagbe,
presidente 2003-04 do Rotary International, coincidem ao dizer que
o conceito de família deve se constituir no espaço
ideal e básico para a transmissão de valores e princípios.
A crônica diária fala da estreita
relação que há entre o avanço do delito,
as distintas formas de marginalidade e o submundo dos vícios
– para onde são arrastados os nossos jovens –
e o conseqüente enfraquecimento das relações
familiares. Diante dessas situações, dramaticamente
acentuadas pelos processos de globalização, esse enfraquecimento
vai se tornando um processo desintegrador cujos resultados atingem
a sociedade em geral, transformando-a e levando-a a um ambiente
de graves dificuldades e ameaças constantes.
Por sorte, podemos dizer que os heróis
não são apenas aqueles personagens que estudamos na
história de nossos povos. Os heróis existem ainda
hoje e continuarão a existir sempre, embora muitas vezes
passem despercebidos por nós diariamente. Os vemos sempre,
somos parte integrante de seus núcleos, somos aqueles pais
de família que esperam um mundo melhor, mais parecido com
o que nos acolheu e tanto nos ajudou a ser o que somos. Somos todos
aqueles que vivem cheios de esperança na recuperação
dos valores que nos foram ensinados e que praticamos: a honestidade,
a lealdade e a sinceridade, compatibilizadas com o otimismo, a generosidade,
a humildade e o permanente entusiasmo de sermos melhores e nos superarmos
dia a dia.
O Rotary é o melhor cenário para
concretizarmos essa esperança. Nós, rotarianos, não
podemos permitir que nuvens negras dispersem a capacidade ou os
interesses de muitos dos nossos dirigentes. Devemos, sim, transformar
essas nuvens em uma boa chuva, uma chuva de valores que seja espalhada
por meio da única escola que dispõe de idoneidade
e estará sempre disposta: a nossa família, que nos
viu nascer, nos ensinou o caminho de uma vida digna e nos transformou
em protagonistas responsáveis pelas atribuições
que nos correspondem.
Nossa maior tarefa será saber transmitir
aos nossos filhos e netos esses valores – e o exemplo é
o melhor caminho para isso.
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