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Carlos Enrique Speroni
(Diretor do RI 2005-07)
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A família, nossa família

stamos nos aproximando do final do ano. Dezembro, o mês em que isso acontece, está sujeito a diferentes significados, conforme a ótica de quem o analisa. Para uns, dezembro significa a proximidade da festa máxima da cristandade, o dia do nascimento de um Menino – um entre milhões de outros que vieram ao mundo antes, ao mesmo tempo e depois Dele. Mas esse Menino era – em corpo e espírito – o Filho de Deus, que veio para salvar os que Nele acreditassem.
   Para outros, dezembro é o fim de um período que, por ser cíclico, não deixa de ser diferente de todos os outros e que, exatamente por esse motivo, permite que cada um se detenha, mesmo que de forma breve, em analisar suas ações, reformular suas metas, renovar esperanças e reforçar compromissos.
   Para todos – quaisquer que sejam suas condições, credos e pátrias – a proximidade da celebração do Natal e o início de um novo ano predispõem a um otimismo renovado. É o tempo do regozijo e da amizade.
   Esse também é o tempo da família reunida como expressão manifesta do papel que lhe compete: ser a base fundamental e de maior transcendência para a formação e educação dos filhos.

   Valores individuais
   O ano de 2004 foi declarado pela ONU como o Ano Internacional da Família. Se é certo que, por um lado, isso significou reconhecê-la como o espaço no qual se experimentam o amor e a solidariedade, também o Rotary fez o mesmo ao dedicar o mês de dezembro à família.
   Para as pessoas de bem, rotarianas ou não, a família constitui-se no único cenário no qual cada um é reconhecido pelos seus valores próprios e individuais, por sua maneira de ser. Tudo muito diferente e felizmente distanciado das concepções econômicas que nos invadem e de acordo com as quais a aceitação está regulamentada pela eficiência, pelo rendimento e pelo valor de apenas ter. Devemos nos perguntar se não estamos dando demasiada ênfase a esses aspectos e pouca – muito pouca – àqueles já mencionados e que constituem o afetivo e o emocional.

   Espaço ideal
   Hoje, o mundo está reconhecendo o papel relevante da família como célula básica de toda sociedade que mereça ser considerada como tal. Nesse sentido, a ONU e o Rotary merecem o crédito de pioneiros. Kofi Annan, secretário-geral da ONU, e Jonathan Majiyagbe, presidente 2003-04 do Rotary International, coincidem ao dizer que o conceito de família deve se constituir no espaço ideal e básico para a transmissão de valores e princípios.
   A crônica diária fala da estreita relação que há entre o avanço do delito, as distintas formas de marginalidade e o submundo dos vícios – para onde são arrastados os nossos jovens – e o conseqüente enfraquecimento das relações familiares. Diante dessas situações, dramaticamente acentuadas pelos processos de globalização, esse enfraquecimento vai se tornando um processo desintegrador cujos resultados atingem a sociedade em geral, transformando-a e levando-a a um ambiente de graves dificuldades e ameaças constantes.
   Por sorte, podemos dizer que os heróis não são apenas aqueles personagens que estudamos na história de nossos povos. Os heróis existem ainda hoje e continuarão a existir sempre, embora muitas vezes passem despercebidos por nós diariamente. Os vemos sempre, somos parte integrante de seus núcleos, somos aqueles pais de família que esperam um mundo melhor, mais parecido com o que nos acolheu e tanto nos ajudou a ser o que somos. Somos todos aqueles que vivem cheios de esperança na recuperação dos valores que nos foram ensinados e que praticamos: a honestidade, a lealdade e a sinceridade, compatibilizadas com o otimismo, a generosidade, a humildade e o permanente entusiasmo de sermos melhores e nos superarmos dia a dia.
   O Rotary é o melhor cenário para concretizarmos essa esperança. Nós, rotarianos, não podemos permitir que nuvens negras dispersem a capacidade ou os interesses de muitos dos nossos dirigentes. Devemos, sim, transformar essas nuvens em uma boa chuva, uma chuva de valores que seja espalhada por meio da única escola que dispõe de idoneidade e estará sempre disposta: a nossa família, que nos viu nascer, nos ensinou o caminho de uma vida digna e nos transformou em protagonistas responsáveis pelas atribuições que nos correspondem.
   Nossa maior tarefa será saber transmitir aos nossos filhos e netos esses valores – e o exemplo é o melhor caminho para isso.


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