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Carlos Enrique Speroni
(Diretor do RI 2005-07)
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Ética, um princípio que não pode ter fim

slogan acima – criado em 1988 pelo publicitário e também rotariano Aroldo Mendes Araújo para uma campanha do RC do Rio de Janeiro – serviu de inspiração para o seminário realizado pela Brasil Rotário no último dia 23 de novembro na Associação Comercial do Rio de Janeiro. Tive a honra de participar desse evento, realizado em comemoração ao 81º aniversário da revista, a convite do meu amigo Roberto Petis Fernandes, presidente da Cooperativa Editora Brasil Rotário.
   Além de muito atual, o seminário a que me refiro foi uma excelente iniciativa para permitir que nós, rotarianos, firmemos nossa posição perante uma questão que muitas vezes observamos com preocupação – insinuada por meio de atitudes amistosas que se afiguram como condutas que implicam em cumplicidade.
   A ética é um dos motores básicos da vida, uma atitude clara, sem a qual não somos pessoas completas, e que se baseia no amor ao próximo, na promoção da liberdade e na luta pela justiça. Além disso, a ética deve ser entendida como a ciência do bem fazer, do cumprimento do dever, das origens da nossa própria moralidade, determinante dos princípios e regras de conduta de nossas vidas.
   O perfil do rotariano está voltado para o compromisso, sendo, portanto, uma decisão ética que ninguém – exceto a própria consciência – pode questionar. Quantas vezes já ouvimos alguém ser chamado de “Dom Quixote” por pertencer a um mundo de ficção ou até mesmo de loucura? Essa é uma referência às situações e ideais que moviam o personagem Dom Quixote de La Mancha, da obra de Miguel de Cervantes, livro que reflete a sociedade de seu tempo e cujo tema central é a contradição entre os ideais elevados e as necessidades materiais daquela época, refletidos respectivamente nas personalidades do cavaleiro e de seu fiel escudeiro Sancho Pança.
   Quero convidá-los a refletir sobre a lição de heroísmo, resultante de uma fé intangível, de uma pureza perfeita e de sinceros sentimentos de amor, fidelidade, coragem e renúncia que nos foram legados por Dom Quixote, que sabia por que andava sobre a Terra. Sua grandeza consistiu justamente em saber quem ele era e em assumir seu papel humano, lutando contra o vento e a maré e marcando seu destino.
   Esses sentimentos, atitudes e lições que nos foram legados por Dom Quixote são os mesmos que nós, rotarianos, assumimos em nossas atividades como empresários e profissionais quando nossa presença assegura que somos confiáveis, sérios, responsáveis e estamos dispostos a servir.

   Exemplos de conduta
   Por isso quero destacar a adequação do título da coluna deste mês. Não devemos aceitar que a ética tenha fim, como também não têm fim os ideais que formam parte das nossas tradições, dos acervos que recebemos daqueles que nos antecederam e que devemos ter o compromisso de transmitir, depois de aprimorados.
   Recordo-me daqueles rotarianos de escol que privilegiavam seus princípios, sua moral e seu exemplo permanente, colocando-os acima de suas atividades e interesses pessoais. Presenciei alguns desses companheiros – e é bom que se saiba que muitos eram rotarianos de longa data – solicitando dispensa de seu clube quando se viam diante de possíveis dificuldades financeiras, pois suas conseqüências poderiam ser consideradas pouco apropriadas a homens de honra e, conseqüentemente, à boa imagem do Rotary.
   De um modo geral, a queda do número de sócios em muitos clubes é atribuída à crise, especialmente por aqueles que não admitem e não assumem as suas próprias culpas. Convido-os a fazermos uma reflexão e recordarmos parte de sua história, levando em conta o número e a qualidade do quadro de associados de seus clubes há 30 anos ou mais.
   Atualmente, poucos poderiam apresentar quadros semelhantes aos existentes em 1975 ou antes, quando os clubes eram verdadeiras referências nas cidades, tanto em relação à quantidade como à qualidade de seus sócios, personalidades indiscutíveis nas suas comunidades que ocupavam cargos de direção em suas atividades e, por isso mesmo, atraíam vontades de qualidade semelhante. Uma época em que o crescimento dos clubes não era tema de estudos permanentes, como acontece agora.

   Alerta e reflexão
   O tempo passou, mudaram os costumes, houve progressos em termos científicos e tecnológicos, mas nem todos entenderam que não se pode renunciar aos princípios. Uma experiência avassaladora vai demonstrar que se os recursos e as potencialidades disponíveis – por maiores que sejam – não forem regidos por objetivos morais e orientações de cunho ético, acabarão se voltando contra eles mesmos e contra a sociedade que integram.
   Que isso seja um motivo de reflexão para todos aqueles que estão envolvidos em questões judiciais ou que têm problemas com o RI e com a Fundação Rotária no que diz respeito à prestação de contas ou à falta dos relatórios correspondentes às funções por eles desempenhadas. Além de não honrarem suas dívidas e seus compromissos, eles ainda continuam mantendo seu ritmo de vida e exercendo suas atividades econômicas por meio de terceiros e – amparados pela ingenuidade ou indiferença de seus clubes – ainda têm a pretensão de dar aulas de moral e ensinar comportamentos. Estas são as “atitudes amistosas” a que me referi no começo do texto – e que desbancam a verdade.
   Imagino que eles sejam poucos, podendo ser contados nos dedos das mãos, mas a verdade é que existem, assim como os desonestos e os corruptos que freqüentemente são notícia em nossa sociedade civil e na política. A isso devemos antepor as atitudes dignas, éticas e as idéias elevadas que eventualmente tenhamos construído por conta própria ou que recebemos de exemplo de nossos pais e professores e também daqueles grandes políticos que nos serviam de exemplo e que algumas vezes nos fizeram sonhar com uma Pátria Grande, merecedora dos seus méritos e desvelos.
   Convido-os a continuarmos pensando que a ética é um princípio que não pode ter fim – e que, por isso mesmo, merece toda a nossa consideração e apoio
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