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Ética,
um princípio que não pode ter fim
slogan acima – criado em 1988 pelo publicitário e também
rotariano Aroldo Mendes Araújo para uma campanha do RC do
Rio de Janeiro – serviu de inspiração para o
seminário realizado pela Brasil Rotário no último
dia 23 de novembro na Associação Comercial do Rio
de Janeiro. Tive a honra de participar desse evento, realizado em
comemoração ao 81º aniversário da revista,
a convite do meu amigo Roberto Petis Fernandes, presidente da Cooperativa
Editora Brasil Rotário.
Além de muito atual, o seminário
a que me refiro foi uma excelente iniciativa para permitir que nós,
rotarianos, firmemos nossa posição perante uma questão
que muitas vezes observamos com preocupação –
insinuada por meio de atitudes amistosas que se afiguram como condutas
que implicam em cumplicidade.
A ética é um dos motores básicos
da vida, uma atitude clara, sem a qual não somos pessoas
completas, e que se baseia no amor ao próximo, na promoção
da liberdade e na luta pela justiça. Além disso, a
ética deve ser entendida como a ciência do bem fazer,
do cumprimento do dever, das origens da nossa própria moralidade,
determinante dos princípios e regras de conduta de nossas
vidas.
O perfil do rotariano está voltado para
o compromisso, sendo, portanto, uma decisão ética
que ninguém – exceto a própria consciência
– pode questionar. Quantas vezes já ouvimos alguém
ser chamado de “Dom Quixote” por pertencer a um mundo
de ficção ou até mesmo de loucura? Essa é
uma referência às situações e ideais
que moviam o personagem Dom Quixote de La Mancha, da obra de Miguel
de Cervantes, livro que reflete a sociedade de seu tempo e cujo
tema central é a contradição entre os ideais
elevados e as necessidades materiais daquela época, refletidos
respectivamente nas personalidades do cavaleiro e de seu fiel escudeiro
Sancho Pança.
Quero convidá-los a refletir sobre a lição
de heroísmo, resultante de uma fé intangível,
de uma pureza perfeita e de sinceros sentimentos de amor, fidelidade,
coragem e renúncia que nos foram legados por Dom Quixote,
que sabia por que andava sobre a Terra. Sua grandeza consistiu justamente
em saber quem ele era e em assumir seu papel humano, lutando contra
o vento e a maré e marcando seu destino.
Esses sentimentos, atitudes e lições
que nos foram legados por Dom Quixote são os mesmos que nós,
rotarianos, assumimos em nossas atividades como empresários
e profissionais quando nossa presença assegura que somos
confiáveis, sérios, responsáveis e estamos
dispostos a servir.
Exemplos
de conduta
Por isso quero destacar a adequação
do título da coluna deste mês. Não devemos aceitar
que a ética tenha fim, como também não têm
fim os ideais que formam parte das nossas tradições,
dos acervos que recebemos daqueles que nos antecederam e que devemos
ter o compromisso de transmitir, depois de aprimorados.
Recordo-me daqueles rotarianos de escol que privilegiavam
seus princípios, sua moral e seu exemplo permanente, colocando-os
acima de suas atividades e interesses pessoais. Presenciei alguns
desses companheiros – e é bom que se saiba que muitos
eram rotarianos de longa data – solicitando dispensa de seu
clube quando se viam diante de possíveis dificuldades financeiras,
pois suas conseqüências poderiam ser consideradas pouco
apropriadas a homens de honra e, conseqüentemente, à
boa imagem do Rotary.
De um modo geral, a queda do número de
sócios em muitos clubes é atribuída à
crise, especialmente por aqueles que não admitem e não
assumem as suas próprias culpas. Convido-os a fazermos uma
reflexão e recordarmos parte de sua história, levando
em conta o número e a qualidade do quadro de associados de
seus clubes há 30 anos ou mais.
Atualmente, poucos poderiam apresentar quadros
semelhantes aos existentes em 1975 ou antes, quando os clubes eram
verdadeiras referências nas cidades, tanto em relação
à quantidade como à qualidade de seus sócios,
personalidades indiscutíveis nas suas comunidades que ocupavam
cargos de direção em suas atividades e, por isso mesmo,
atraíam vontades de qualidade semelhante. Uma época
em que o crescimento dos clubes não era tema de estudos permanentes,
como acontece agora.
Alerta
e reflexão
O tempo passou, mudaram os costumes, houve progressos
em termos científicos e tecnológicos, mas nem todos
entenderam que não se pode renunciar aos princípios.
Uma experiência avassaladora vai demonstrar que se os recursos
e as potencialidades disponíveis – por maiores que
sejam – não forem regidos por objetivos morais e orientações
de cunho ético, acabarão se voltando contra eles mesmos
e contra a sociedade que integram.
Que isso seja um motivo de reflexão para
todos aqueles que estão envolvidos em questões judiciais
ou que têm problemas com o RI e com a Fundação
Rotária no que diz respeito à prestação
de contas ou à falta dos relatórios correspondentes
às funções por eles desempenhadas. Além
de não honrarem suas dívidas e seus compromissos,
eles ainda continuam mantendo seu ritmo de vida e exercendo suas
atividades econômicas por meio de terceiros e – amparados
pela ingenuidade ou indiferença de seus clubes – ainda
têm a pretensão de dar aulas de moral e ensinar comportamentos.
Estas são as “atitudes amistosas” a que me referi
no começo do texto – e que desbancam a verdade.
Imagino que eles sejam poucos, podendo ser contados
nos dedos das mãos, mas a verdade é que existem, assim
como os desonestos e os corruptos que freqüentemente são
notícia em nossa sociedade civil e na política. A
isso devemos antepor as atitudes dignas, éticas e as idéias
elevadas que eventualmente tenhamos construído por conta
própria ou que recebemos de exemplo de nossos pais e professores
e também daqueles grandes políticos que nos serviam
de exemplo e que algumas vezes nos fizeram sonhar com uma Pátria
Grande, merecedora dos seus méritos e desvelos.
Convido-os a continuarmos pensando que a ética
é um princípio que não pode ter fim –
e que, por isso mesmo, merece toda a nossa consideração
e apoio.
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