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Carlos Enrique Speroni
(Diretor do RI 2005-07)
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Imaginando o futuro

cada dia, aumenta a nossa surpresa ao descobrirmos como se modificam os fatos e as circunstâncias que até então acreditávamos ser estáveis. A capacidade do nosso assombro não tem limites e, graças aos exercícios diários a que somos submetidos, encontra-se preparada para absorver a torrente dos avanços científicos e tecnológicos gerados pela inteligência do homem cada vez com mais freqüência – e, também, com maior transcendência no nosso dia-a-dia.
   O desenvolvimento globalizador, potencializado pelo avanço da tecnologia das comunicações, gera um processo mutante que joga por terra muitos dos costumes mais tradicionais, aqueles que – mantidos quase imutáveis durante muitos anos – devem dar lugar a mudanças mais avançadas e tão velozes que mais parecem um longa-metragem do que uma seqüência fotográfica.
   Esse processo tem como característica o movimento, a passagem de uma situação para outra, os avanços ou retrocessos. Em suma, é a conversão daquilo que foi até hoje no que será amanhã – e que também deixará de sê-lo em pouco tempo, superado pela ciência, pela técnica, pela habilidade ou por decisões oportunas, inteligentes ou desafortunadas.
   Como disse anteriormente, são cenas de um filme cujo argumento nos leva ao entusiasmo, a pensarmos que existem coisas que nos colocam no mundo da modernidade e que, por ali estarmos, são superadas por elas mesmas, deixando-nos o conceito de que ser moderno e estar no processo de mudança permanente é o melhor.
   Felizmente, também existem princípios que não representam nada mais que darmos uma olhada retrospectiva e entrarmos no túnel do nosso tempo, e retornar assim às nossas fontes, valorizando os nossos ancestrais para reencontrarmos a figura do homem que respeitava o homem. Estamos falando daquele homem que ordena sua vida baseado no que ele quer ser, e não no que ele quer ter.

   O desafio de preservar valores
   “Não é possível prever o futuro, mas é possível preparar-se para ele”, aconselhava o austríaco Peter Drucker, considerado o inventor da administração como área de estudo. Isso nos leva a pensar se, como rotarianos, não estamos enfrentando um desafio que não podemos e nem devemos evitar. Essa é nossa responsabilidade como sócios de clubes que integram uma das maiores organizações de serviços do mundo.
   Nosso Primeiro Século de Serviços já faz parte do nosso acervo histórico. Celebrado com muitos atos, homenagens e lembranças, ficamos muito felizes por tê-lo percorrido e pelos sucessos conquistados, responsáveis por transformar o Rotary numa organização mundial de primeiro nível no que se refere à solidariedade social.
   Ao cabo desse tempo, também podemos dizer seguramente que o sonho de Paul Harris transformou-se em realidade por meio do trabalho de milhares de clubes. Cobrindo o planeta, esses RCs prestam sua ajuda de forma silenciosa em todos os locais onde desenvolvem sua missão de prestação de serviços, sempre contando com a contribuição generosa e protetora da Fundação Rotária, que lhes permite participar do projeto para um mundo menos conflituoso e caótico.
   A celebração do Centenário não teria ocorrido se não contivesse, de forma implícita, nosso compromisso de sermos observadores fiéis dos postulados que regem o Rotary, uma organização que nos acolhe e espera, de cada um de nós, lealdade com as responsabilidades assumidas ao aceitarmos o convite para sermos rotarianos.
   Que teremos, então, daqui por diante? O enorme desafio de compatibilizar os avanços tecnológicos menos imagináveis – mas que serão uma realidade no futuro imediato – com as melhores tradições e os mais puros ideais que o Rotary nos permitiu cultivar até agora. Será, pois, nossa tarefa – como daqueles que nos sucederão – preservá-los para os próximos anos.


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