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O
Permanente desafio de crescer
o longo dos anos, poucos temas – ou praticamente nenhum outro,
me atrevo a dizer – têm sido alvo de tantas opiniões
e conseguido tanto espaço nos veículos de comunicação
rotária como o crescimento de nossa organização.
Nos últimos anos, porém, com a esperança do
crescimento se desvanecendo diante das realidades do cotidiano,
esse debate foi intensificado.
Permitam-me fazer uma breve referência a
alguns números que são, por si sós, muito ilustrativos.
Em 1935, ao completarmos 30 anos de história, tínhamos
153 mil associados e 3.350 clubes. A partir de então, os
registros foram os seguintes:
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Em 30 de junho de 1945,
5.441
clubes e 247.713 associados;
-
Em 30 de junho de 1960,
10.701
clubes e 498.616 associados;
-
Em 30 de junho de 1975,
16.520
clubes e 779.373 associados;
-
Em 30 de junho de 1990,
25.128
clubes e 1.121.230 associados;
-
Em 30 de junho de 1995,
27.446
clubes e 1.170.936 associados.
No
ano rotário de 1996-97, durante a presidência de Luis
Vicente Giay, chegamos a ter 28.736 clubes e 1.213.748 sócios,
ou seja: os maiores índices registrados até então.
A partir dessa data, e até 30 de junho de 2001, tínhamos
30.149 clubes e 1.188.492 associados. Havíamos decrescido
em número de sócios, mas não em número
de clubes, o que fez com que o problema se concentrasse, perigosamente,
na falta de retenção, e não na extensão.
Esta, pelo contrário, aumentou em conseqüência
da criação de mais clubes com freqüência
mista e de Novas Gerações.
Em julho de 2001, foi lançada a Iniciativa
Mundial, cujos objetivos eram a criação de três
novos clubes por distrito e um aumento mínimo anual de cinco
sócios por clube, sem levar em consideração
o tamanho desses clubes. A meta era aumentar em 15% o número
de sócios e em 4% o número de clubes.
A realidade, no entanto, foi outra: em 30 de junho
de 2002, ao finalizarmos o ano rotário de 2001-02, os registros
indicavam a existência de 31.256 clubes com 1.243.431 associados,
o que representou um crescimento de clubes e de sócios, respectivamente,
de 3,6% e 4,6%. Ou seja: estávamos abaixo da meta, mas havíamos
crescido.
A
América Latina
Os anos seguintes, até 2005, ofereceram
o seguinte panorama: em 30 de junho de 2003, não houve grande
mudança, uma vez que, com 31.561 clubes e 1.227.545 rotarianos,
perdemos 1% dos associados e ganhamos 1% na quantidade de clubes,
tendências que se mantiveram até 30 de junho de 2004,
com 31.936 clubes e 1.219.532 rotarianos. Em 30 de junho de 2005,
estávamos com 32.403 clubes e 1.221.920 sócios, mostrando
que as variações não foram significativas.
As cifras são tão claras que, lamentavelmente,
abrem um caminho óbvio a outro comentário. Enquanto
a média mundial de associados por clube é de 36, na
América do Norte é de 50; na Europa, 43; e na Ásia,
36. A lista se encerra com os latino-americanos, com uma média
de apenas 21 sócios por clube, atrás da África,
com 26.
Os distritos argentinos e os compartilhados com
o Uruguai e o Paraguai atingem uma média de apenas 17 sócios
por clube, inferior à da América Latina. O Brasil,
com 50.165 rotarianos e 2.281 clubes, atinge a média de 22
sócios por clube, seguido de perto pelo Equador – país
que possui um único distrito e 56 clubes – com uma
média de 24. Os demais países latino-americanos registram
médias ainda menores, que na sua maioria se aproximam dos
18 ou 19 sócios por clube.
Atualmente, todos ou a maior parte dos distritos
da Argentina, Bolívia, Colômbia, Peru e Venezuela se
encontram diante do grave dilema – de acordo com as propostas
do Plano 1 de Crescimento – de crescer ou admitir a consolidação
com alguns de seus vizinhos. Embora nos doa, concordamos com José
Martí, herói da independência cubana, que disse:
“A verdade é para ser dita e não para ser ocultada”.
E a verdade é que, à exceção
dos distritos 4320 e 4340 (Chile), 4400 (Equador), 4910 e 4920 (Argentina),
assim como o 4880 e o 4960, da Argentina e de parte do Uruguai,
que se consolidaram formando o distrito 4940, todos os demais têm
prazos limitados para apresentarem um crescimento significativo
ou consolidarem-se com alguns dos seus vizinhos. O Brasil merece
uma consideração especial, uma vez que somente dois
dos seus 38 distritos estão na situação a que
me referi anteriormente.
A aplicação rigorosa dessa exigência
pode reduzir à metade a maioria dos distritos mencionados,
com todas as conseqüências da relativa perda de representação
perante os Conselhos de Legislação, e também
no que se refere à designação de diretores
do Rotary International.
Cabe então a pergunta: o que fazer para
crescer? Esse é um esforço necessário porque
precisamos compreender que a consolidação de um novo
mapa rotário não nos exime do compromisso de melhorarmos
a posição do rotarismo latino-americano em comparação
às médias mundiais.
Um
caminho
Podemos encontrar um caminho na citação
de John Adams, que foi presidente dos EUA: “Em todo o mundo
só existem duas classes de pessoas que contam: as que contraem
compromissos e as que os cumprem”. Se é mesmo assim
– pelo menos deveria ser – teríamos chegado ao
momento de deixarmos de nos perguntar “O que fazer para crescer?”,
porque estaríamos demonstrando, a nós mesmos e aos
demais, que assumimos a premissa de que nossa responsabilidade é
grande, por entendermos que o Rotary não é uma instituição
apenas com fins sociais, nem recreativa ou, muito menos ainda, um
agrupamento de amigos ou conhecidos.
O Rotary é muito mais que isso, e é
exatamente por esse motivo que não podemos incorporar pessoas
que não estejam qualificadas desde o aspecto moral até
os pontos de vista profissional ou empresarial, e que é o
mesmo que citar a antiga definição do Direito Romano
para a busca do arquétipo bon pater familiae, ou seja, o
bom pai de família. Estaríamos muito equivocados –
e, de fato, temos nos equivocado muito – se encarássemos
o crescimento do Rotary como um fato matemático, ignorando
o necessário melhoramento qualitativo. Somente este –
e nenhum outro – se refletirá como conseqüência
natural geradora de um processo genuíno, localizado dentro
das premissas do Decálogo do Crescimento que, em seu devido
momento, assinalou o caminho por inspiração do EPRI
Luis Vicente Giay.
Permitam-me concluir relembrando parte de um artigo
que li, há muito tempo, em uma revista do antigo distrito
113: “No alto dos Alpes Suíços, uma pequena
aldeia conservava uma pequena jóia: a sua igreja. Quando
se aproximava a hora do serviço religioso, ao entardecer,
os moradores saíam de suas casas levando uma lamparina. No
começo, podia-se ver apenas um fraco resplendor na escuridão,
mas à medida que os fiéis iam chegando, a luz aumentava
até que a igreja se punha resplandecente porque cada um deles
fazia o possível para espantar as trevas”.
É exatamente isso o que se passa no Rotary:
começamos como uma luz pequena que foi se intensificando
com o passar dos anos. Alguns de nós carregam pequenas lamparinas,
outros levam lamparinas mais fortes. Mas o que necessitamos é
de tantas lamparinas quantas sejam possíveis para que, quando
as juntemos, sua luz possa iluminar o mundo. E o mundo que nos acolhe
necessita, e muito, dessa luz: a luz do coração, a
luz das preces, a luz da amizade, a luz da compreensão, a
luz da boa vontade, a luz das lealdades, a luz da ajuda aos nossos
semelhantes.
Se todas essas luzes realmente nos acompanharem,
é provável que esses simples pensamentos – que
servem para expor a triste realidade que nos rodeia – passem
a formar parte daquelas lembranças que, por não poderem
se apagar devido à sua gravidade, acabam demonstrando a nós
mesmos e aos demais que são apenas recordações
– e que também servem para que, quando mais maduros,
não tornemos a cometer os erros que nos levaram a transformá-los
em preocupações, felizmente de outros tempos já
passados.
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