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Fazendo
um balanço
o momento em que atravessamos o 101º ano de história
do Rotary – e chegamos à segunda metade deste novo
ano do século 21 – a América Latina continua
vivendo os mesmos sérios dramas (ou ainda piores) que sempre
atingiram nossa região:
- Uma importante
dívida externa
- O fato de
metade de sua população viver em estado de pobreza
crítica
- O acelerado
aumento do número de nascimentos, o que poderá se
tornar uma das maiores incógnitas da região, provocada
pelo aumento das doenças de origem sexual
- O crescimento
do narcotráfico, que destrói povos inteiros
Conseqüentemente,
a triste sina de ser criança, mulher ou idoso nessas condições
tem os mesmos aspectos trágicos de um naufrágio. Na
América Latina, um quarto da população –
formada por jovens com a idade dos nossos interactianos e rotaractianos
– vive com um estigma: uma grande e assustadora porcentagem
desses jovens não vai encontrar vagas nas escolas secundárias,
trabalho, nem poderá fazer muita coisa que os permita romper
as abomináveis cadeias do subdesenvolvimento.
Se estendermos nosso olhar para os outros continentes,
vamos reconhecer que o mundo – fustigado por lutas e injustiças
– não oferece um panorama muito melhor. Milhões
de seres humanos sofrem com a fome, e milhões de crianças
morrem por causa desse flagelo.
As guerras continuam – e o que é
pior: causadas por interesses obscuros.
Com isso, quero apenas recordar os detalhes dessa
dolorosa realidade contra a qual lutam muitos governos, enquanto
outros a dissimulam, permitindo que a maior parte dos meios de comunicação
lucre com essa situação, destinando as primeiras páginas
das publicações a esses problemas – porque “as
boas notícias não são notícias”.
Foi nesse contexto que o Rotary completou o Centenário.
Foram 100 anos de êxito que permitiram – e seguem permitindo
– à nossa organização lançar uma
ampla gama de projetos em todos os campos das atividades humanas,
buscando motivar, educar, realçar a criatividade e despertar
o interesse não apenas pela cultura, a arte e a ciência,
mas também pela saúde, pelo desenvolvimento e a vida.
Todos esses fatos nos levam a refletir sobre o papel que cabe a
nós, rotarianos, em relação ao avanço,
o progresso e o futuro da nossa organização.
Crescimento
O Rotary acaba de completar seu primeiro centenário,
e está preparado para o segundo, com feitos transcendentes,
que indicam que a obra a que nos propomos não é uma
tarefa para gigantes, mas para homens e mulheres como nós,
que se dão ao trabalho de mostrar que os grandes empreendimentos
são possíveis quando nos comprometemos a realizá-los.
Não existe barreira que não possa ser saltada, nem
obstáculo que possa frear a engenhosidade humana. No entanto,
para que isso aconteça, precisamos crescer.
Nesse sentido, a América Latina deve fazer
um grande esforço para que o número de sócios
por clube pelo menos duplique para chegarmos à média
mundial de 37 sócios. É importante sabermos que, entre
junho de 1995 e maio de 2006, a quantidade de associados na América
Latina diminuiu 1%, enquanto que, em todo o mundo, perdemos quase
50 mil sócios – ou seja, um pouco mais de 4%. E isso
se refere a apenas uma década.
No entanto, a firme decisão do presidente
Carl Wilhelm-Stenhammar fez com que o Conselho Diretor aprovasse
as cartas constitutivas dos clubes provisionais de Xangai e Pequim,
possibilitando que o Rotary se estendesse até a China. Além
disso, ocorreram o reagrupamento dos clubes do Kosovo dentro de
um mesmo distrito – juntamente com Bulgária, Macedônia,
Sérvia, Montenegro e parte da Grécia – e a criação
do distrito 4220, no Oeste da Rússia, permitindo que mais
um distrito completo fosse incorporado ao Rotary International.
O processo de expansão também foi levado ao Vietnã,
proporcionando a formação de dois clubes que integram
o distrito formado pela Tailândia e pelo Camboja.
Todas essas informações nos oferecem
um panorama ambicioso, sério e alentador, e nos obrigam a
duplicar os esforços para que a nossa região alcance
os padrões que nunca deveria ter perdido.
Metas importantes foram estabelecidas para este
ano. Uma delas procura fazer com que os nossos compromissos com
a Fundação Rotária sejam honrados, desde o
apoio ao fortalecimento de seu Fundo Permanente até a doação
anual individual de US$ 100 – ou a quantia que estiver dentro
das possibilidades de cada rotariano. Mas tão importante
quanto isso é que cada companheiro saiba motivar a sua comunidade
para o uso de seus programas. Dessa maneira, poderemos postular
mais projetos de subsídios, mais equipes de voluntários
e mais bolsistas (cada vez mais bem escolhidos).
As bolsas para os Crei – Centros Rotary
de Estudos Internacionais da Paz e Resolução de Conflitos
– são uma excepcional oportunidade para pessoas interessadas
nessa área. Embora as bolsas destinadas aos distritos latino-americanos
não tenham sido poucas, devemos reconhecer que os resultados
poderiam ser melhores se as propostas também tivessem sido
melhores e em maior número. Devemos redobrar os esforços
e multiplicar a divulgação dos Crei, já que
todos os anos são distribuídas 60 dessas excelentes
bolsas financiadas pela Fundação Rotária para
aproximadamente 160 candidatos.
Poderia falar muito mais sobre a nossa Fundação
Rotária – e digo nossa porque é assim que devemos
entendê-la e apoiá-la, para conseguirmos utilizar melhor
os seus programas. Não quero e nem devo deixar de lembrar
nossa épica luta contra a poliomielite, cujo primeiro episódio
remonta a 1919, quando Paul Harris criou os Comitês Especiais
de Reabilitação por ocasião da epidemia ocorrida
em Nova York três anos antes, e que teve prosseguimento em
1979, nas Filipinas, quando – através de um Projeto
3H – foram destinados US$ 700 mil para serem utilizados na
imunização de mais de 6 milhões de crianças.
Porém, não devemos esquecer que
o Desafio de Erradicar a Poliomielite – lançado através
de uma aliança entre o Unicef, a OMS e o Centro de Controle
e Prevenção de Doenças de Atlanta, nos EUA
– terá sempre no nosso presidente 1984-85, o mexicano
Carlos Canseco, seu grande impulsor e permanente motivador. Com
toda certeza, o melhor prêmio que Canseco recebeu em vida
foi o nosso sincero agradecimento pelo fato de nossos filhos não
terem sido vítimas da paralisia infantil – e nossos
netos também não serão. Nada menos que isso,
considerando-se que aqueles 1.000 casos diários da doença
que eram registrados há 20 anos diminuíram para menos
de dois casos por dia.
Os
próximos anos
A adoção do lema Dar de Si Antes de Pensar
em Si deve nos motivar a uma séria e profunda reflexão
sobre seu significado e a sua proposta. O importante papel que desempenham
as organizações de serviço em todo o mundo
é fundamental para a sociedade atual, demasiadamente carente
e necessitada. Em alguns casos, essas organizações
– inclusive o Rotary – têm suas possibilidades
e realidades bastante limitadas. É por esse motivo que nosso
comprometimento aumentará muito se entendermos que a chave
do nosso trabalho está na colaboração e na
continuidade.
A parceria entre a sociedade, o setor privado
e outras organizações de serviço deu ao Rotary
a evidência clara de seu acerto diante da luta contra a poliomielite.
Esse resultado levou nossa organização a ser tomada
como referência por outras ONGs, que têm solicitado
a colaboração dos rotarianos. Por que então
não pensar que esse fato poderá servir de modelo e
ser aplicado em nossos clubes, potencializando seus programas?
Grandes temas como saúde, nutrição,
alfabetização e recursos hídricos não
se esgotam em uma única gestão. Daí a necessidade
da continuidade: se fosse tão simples encontrar uma solução
para essas questões, os bons resultados também seriam
alcançados rapidamente. Vivemos nossas vidas dia a dia, assim
como nossos projetos são edificados peça por peça.
Alimentamos nossas ilusões sustentados pela continuidade
responsável que orienta nossas vidas.
A massificação do ser humano e seu
crescente individualismo são dois dos grandes problemas espirituais
que o mundo de hoje enfrenta. São dois perigos distintos
que tendem a romper nosso ideal rotário de atitude amistosa
e de serviço. Quando o homem se sente imerso em uma grande
multidão, impossibilitado de optar por seus gostos, interesses,
costumes e realidades, ele perde seu sentido espiritual e se deixa
levar pelo grupo. Porém, como resposta a essa massificação,
o homem busca sua individualidade, e com isso se encerra em suas
preocupações, se torna comodista e egoísta,
e chega a se esquecer do mundo que o rodeia.
Isso deve preocupar os rotarianos, uma vez que
o sentido da amizade e da solidariedade só prospera entre
as pessoas se cada um der de si antes de pensar em si, em benefício
dos demais, no fortalecimento de seus ideais e objetivos.
Atravessaremos assim este século 21 e os
próximos: como uma força espiritual poderosa e incontrolável.
Deveremos alimentá-la com mais e melhores sócios,
com melhor conhecimento dos nossos programas e com mais comprometimento.
Mais uma vez, afirmo que as pessoas se dividem
em duas classes: as que fazem as coisas e as que vivem as glórias.
Espero que nós, rotarianos, façamos as duas, demonstrando
que podemos fazer as coisas e, além disso, compartilhar os
sucessos.
Para que seja assim, fixemos nosso olhar no exemplo
dos mais antigos, aqueles que fizeram com que os nossos distritos
fossem grandes, e sigamos seus caminhos.
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