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As
Novas Gerações do Rotary
o nosso dia-a-dia, podemos observar que o século 21 –
apesar de ainda ser muito jovem – já se apresenta como
um grande desafio, especialmente para as Novas Gerações,
tema deste mês no calendário do RI. Os avanços
diários e constantes da robótica, da informática
e de outras tecnologias, em todas as suas facetas e em todos os
campos do conhecimento humano, demandam uma capacitação
especial – e é particularmente por esses motivos que
todos nós, rotarianos ou não, devemos assumir as responsabilidades
que nos competem, fixando nosso olhar naquelas pessoas que no momento
presente (que já deixou de ser um futuro imediato) desempenham
ou desempenharão os importantes papéis que são,
e continuarão sendo, o nosso legado.
Devemos admitir que poucas gerações
de dirigentes estiveram tão envolvidas como a nossa no processo
de acelerar os tempos e concretizar metas, razão que nos
leva, diante da magnitude do projeto e das suas conseqüentes
responsabilidades, a perguntar: como fazê-lo?
A resposta espontânea que surge é
uma só: pedindo a participação de todos. Se
olharmos para as gerações que vêm e, como se
costuma dizer, são as depositárias do futuro, também
precisamos estender o pedido a todos esses novos jovens, porque
precisamos de todos eles. Aqueles a quem chamo de “novos jovens”
não são os que a cronologia ou a biologia assim denominam,
mas os que ainda não passaram dos 30 anos.
Os outros novos jovens são aqueles que
renovaram seus corações e as suas habilidades e continuam
a fazê-lo constantemente. São os que não permaneceram
estáticos diante do que já fizeram ou viveram e que,
acompanhando o nosso símbolo maior, que é a roda,
continuam em movimento, comprometidos, entusiasmados e apaixonados,
conscientes tanto do desafio como da necessidade. Também
a esses chamo de novos jovens porque, por acaso, o mundo pode se
dar ao luxo de desperdiçar a experiência já
vivida, a inteligência consolidada, os critérios assumidos
e as energias melhor reguladas? Os anos vividos com honestidade
agregam uma tolerância amadurecida, uma perspectiva diferente,
uma consciência dos benefícios espirituais que resultam
do companheirismo e amizade, da paz e do serviço. Jovens
e maduros constituem os dois lados de uma mesma moeda, e isto acontece
porque, se a juventude tem mais sonhos, a maturidade tem mais realizações;
se a juventude tem mais emoção, a maturidade tem mais
raciocínio; se a juventude tem mais entusiasmo, a maturidade
tem mais serenidade.
Juventude
e maturidade
A receptividade para novos ideais implica também
em se chegar a novas concretizações. Se não
queremos barreiras e nem restrições de classe e de
títulos, também não devem existir restrições
de idade, e para isso necessitamos que floresça a tolerância.
Se votamos pela juventude, porque os jovens permanecerão
no tempo, também devemos votar pela maturidade, porque não
convém esquecer que o futuro se constrói hoje –
e é no hoje que estão a juventude e a maturidade.
As crianças, os adolescentes e os adultos
jovens representam quase a metade da população mundial.
Eles convivem conosco e não devemos esquecê-los. Eles
constituem o amanhã imediato, e o futuro que já bate
às nossas portas. É por essa razão que o Programa
do Rotary para as Novas Gerações representa nossa
aposta no futuro.
Essas Novas Gerações verão
os mais velhos com mais disposição para compartilhar
seus projetos e realizações, seus sonhos e suas realidades.
Como afirmei anteriormente, jovens e maduros são os dois
lados da mesma moeda, uma vez que nesse amanhã (quase hoje)
eles serão os responsáveis pelos países, empresas
e famílias.
No entanto, mesmo aceitando esses fatos, o mundo
facilmente os esquece, deixando-os crescer sozinhos, sem levar em
consideração que, venham de onde vierem, os jovens
imitam o estilo de vida dos mais velhos e têm suas próprias
metas. Se não queremos que os jovens nos interpelem, precisamos
dar-lhes o seu lugar, que é junto a nós, assim como
o nosso lugar é junto a eles.
Podemos e devemos ajudar a todos, mas como? Trabalhando
juntos e em prol da juventude, os rotarianos de todo o mundo devem
oferecer-lhes sua mão amiga e apoio sustentado e solidariedade,
além de anos de experiência, trabalho e luta constante.
Trabalhar e compartilhar com a juventude é uma experiência
gratificante porque, por um lado, é certo que essa juventude
constitui a reserva física e moral da humanidade, além
de ser uma permanente esperança do futuro. Por outro, não
é menos certo que o futuro também se constitui em
uma de suas grandes inquietações. Portanto, nosso
compromisso deve traduzir-se em uma atitude de participação
– e não é esse um aporte valiosíssimo?
A
juventude tem pressa
Sem dúvida alguma, mas como já disse
antes, devemos tratar disso ainda hoje. O amanhã pode ser
insuficiente para os menores acusados de delitos, aqueles que cresceram
em meio às crises econômicas, às drogas e à
Aids. Hoje podemos prevenir doenças; amanhã, depois
de serem vitimados por elas, nossos jovens poderão tornar-se
incapacitados.
Hoje, podemos oferecer o milagre das Américas
livres da poliomielite, e de um mundo esperançoso em poder
acompanhá-las nessa ilusão em um futuro próximo.
Hoje, também estamos nos ocupando da luta contra o HIV, envolvendo-nos
numa campanha de educação para a saúde, cujo
objetivo é esperar que o maior número de pessoas obtenha
uma qualidade de vida melhor. Para isso, é preciso informar
e despertar a população, buscando uma mensagem honesta,
séria, responsável e útil para sua formação.
Hoje, podemos oferecer aos jovens a esperança
de aprender a ler. Amanhã, eles poderão estar submetidos
à sua ignorância e a um mundo sem compaixão.
Hoje, podemos ajudá-los a compreender os benefícios
da educação, para que não venham a desertar,
movidos pelo desalento, pela falta de motivação e
carência de valores que os levem a assumir a busca do sucesso
fácil, colocando os fins na frente dos meios. Resumindo:
hoje podemos esperar que a droga, a violência, o analfabetismo,
a delinqüência e as enfermidades não tomem conta
das crianças, adolescentes e jovens que invadem as cidades
de todo o mundo.
Se conseguirmos essa vitória, os jovens
poderão tomar o seu lugar, certos de que o futuro, por sua
vez, não lhes será arrebatado pelos que virão.
Cada um de nós é responsável – e é
assim que devemos entender – pela preparação
das Novas Gerações, visando a sua melhor inserção
no desafio do amanhã através de uma ampla gama de
temas relacionados a elas, como educação, saúde,
valores humanos e as diversas alternativas a que esses jovens foram
expostos durante o árduo caminho do seu desenvolvimento pessoal.
Se olharmos para o passado, observaremos que várias
foram as gerações que viveram sob a mesma era. Mas
se transferirmos essas observações para o que ocorre
em nossos dias, nos daremos conta da transformação
substancial que se produziu: hoje, a tecnologia provoca mudanças
instantâneas, constantes e profundas, mas nem sempre positivas.
Algumas afetam a população mundial; outras aumentam
as barreiras entre as gerações, fazendo com que a
juventude perca parte dos seus ideais e se desiluda diante da evidência
de um mundo em que a ambição de ter prevalece ao orgulho
de ser.
Se concordamos no diagnóstico, qual será
o tratamento? O compromisso de todos os braços, todas as
inteligências e todos os corações envolvidos
em uma ação solidária que ratifique o que damos
por certo: o fato de que as Novas Gerações devem estar
preocupadas com o futuro e também – e muito importante
– que nós, rotarianos, devemos nos preocupar com elas.
O começo deste milênio nos apresenta
novos cenários para os quais devemos ter também respostas
novas, tendo como base a preservação de algo que é
uma constante para nós: o valor da vida humana em um ambiente
de paz, progresso, solidariedade e serviço.
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