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Carlos Enrique Speroni
(Diretor do RI 2005-07)
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As Novas Gerações do Rotary

o nosso dia-a-dia, podemos observar que o século 21 – apesar de ainda ser muito jovem – já se apresenta como um grande desafio, especialmente para as Novas Gerações, tema deste mês no calendário do RI. Os avanços diários e constantes da robótica, da informática e de outras tecnologias, em todas as suas facetas e em todos os campos do conhecimento humano, demandam uma capacitação especial – e é particularmente por esses motivos que todos nós, rotarianos ou não, devemos assumir as responsabilidades que nos competem, fixando nosso olhar naquelas pessoas que no momento presente (que já deixou de ser um futuro imediato) desempenham ou desempenharão os importantes papéis que são, e continuarão sendo, o nosso legado.
   Devemos admitir que poucas gerações de dirigentes estiveram tão envolvidas como a nossa no processo de acelerar os tempos e concretizar metas, razão que nos leva, diante da magnitude do projeto e das suas conseqüentes responsabilidades, a perguntar: como fazê-lo?
   A resposta espontânea que surge é uma só: pedindo a participação de todos. Se olharmos para as gerações que vêm e, como se costuma dizer, são as depositárias do futuro, também precisamos estender o pedido a todos esses novos jovens, porque precisamos de todos eles. Aqueles a quem chamo de “novos jovens” não são os que a cronologia ou a biologia assim denominam, mas os que ainda não passaram dos 30 anos.
   Os outros novos jovens são aqueles que renovaram seus corações e as suas habilidades e continuam a fazê-lo constantemente. São os que não permaneceram estáticos diante do que já fizeram ou viveram e que, acompanhando o nosso símbolo maior, que é a roda, continuam em movimento, comprometidos, entusiasmados e apaixonados, conscientes tanto do desafio como da necessidade. Também a esses chamo de novos jovens porque, por acaso, o mundo pode se dar ao luxo de desperdiçar a experiência já vivida, a inteligência consolidada, os critérios assumidos e as energias melhor reguladas? Os anos vividos com honestidade agregam uma tolerância amadurecida, uma perspectiva diferente, uma consciência dos benefícios espirituais que resultam do companheirismo e amizade, da paz e do serviço. Jovens e maduros constituem os dois lados de uma mesma moeda, e isto acontece porque, se a juventude tem mais sonhos, a maturidade tem mais realizações; se a juventude tem mais emoção, a maturidade tem mais raciocínio; se a juventude tem mais entusiasmo, a maturidade tem mais serenidade.

Juventude e maturidade
   A receptividade para novos ideais implica também em se chegar a novas concretizações. Se não queremos barreiras e nem restrições de classe e de títulos, também não devem existir restrições de idade, e para isso necessitamos que floresça a tolerância. Se votamos pela juventude, porque os jovens permanecerão no tempo, também devemos votar pela maturidade, porque não convém esquecer que o futuro se constrói hoje – e é no hoje que estão a juventude e a maturidade.
   As crianças, os adolescentes e os adultos jovens representam quase a metade da população mundial. Eles convivem conosco e não devemos esquecê-los. Eles constituem o amanhã imediato, e o futuro que já bate às nossas portas. É por essa razão que o Programa do Rotary para as Novas Gerações representa nossa aposta no futuro.
   Essas Novas Gerações verão os mais velhos com mais disposição para compartilhar seus projetos e realizações, seus sonhos e suas realidades. Como afirmei anteriormente, jovens e maduros são os dois lados da mesma moeda, uma vez que nesse amanhã (quase hoje) eles serão os responsáveis pelos países, empresas e famílias.
   No entanto, mesmo aceitando esses fatos, o mundo facilmente os esquece, deixando-os crescer sozinhos, sem levar em consideração que, venham de onde vierem, os jovens imitam o estilo de vida dos mais velhos e têm suas próprias metas. Se não queremos que os jovens nos interpelem, precisamos dar-lhes o seu lugar, que é junto a nós, assim como o nosso lugar é junto a eles.
   Podemos e devemos ajudar a todos, mas como? Trabalhando juntos e em prol da juventude, os rotarianos de todo o mundo devem oferecer-lhes sua mão amiga e apoio sustentado e solidariedade, além de anos de experiência, trabalho e luta constante. Trabalhar e compartilhar com a juventude é uma experiência gratificante porque, por um lado, é certo que essa juventude constitui a reserva física e moral da humanidade, além de ser uma permanente esperança do futuro. Por outro, não é menos certo que o futuro também se constitui em uma de suas grandes inquietações. Portanto, nosso compromisso deve traduzir-se em uma atitude de participação – e não é esse um aporte valiosíssimo?

A juventude tem pressa
   Sem dúvida alguma, mas como já disse antes, devemos tratar disso ainda hoje. O amanhã pode ser insuficiente para os menores acusados de delitos, aqueles que cresceram em meio às crises econômicas, às drogas e à Aids. Hoje podemos prevenir doenças; amanhã, depois de serem vitimados por elas, nossos jovens poderão tornar-se incapacitados.
   Hoje, podemos oferecer o milagre das Américas livres da poliomielite, e de um mundo esperançoso em poder acompanhá-las nessa ilusão em um futuro próximo. Hoje, também estamos nos ocupando da luta contra o HIV, envolvendo-nos numa campanha de educação para a saúde, cujo objetivo é esperar que o maior número de pessoas obtenha uma qualidade de vida melhor. Para isso, é preciso informar e despertar a população, buscando uma mensagem honesta, séria, responsável e útil para sua formação.
   Hoje, podemos oferecer aos jovens a esperança de aprender a ler. Amanhã, eles poderão estar submetidos à sua ignorância e a um mundo sem compaixão. Hoje, podemos ajudá-los a compreender os benefícios da educação, para que não venham a desertar, movidos pelo desalento, pela falta de motivação e carência de valores que os levem a assumir a busca do sucesso fácil, colocando os fins na frente dos meios. Resumindo: hoje podemos esperar que a droga, a violência, o analfabetismo, a delinqüência e as enfermidades não tomem conta das crianças, adolescentes e jovens que invadem as cidades de todo o mundo.
   Se conseguirmos essa vitória, os jovens poderão tomar o seu lugar, certos de que o futuro, por sua vez, não lhes será arrebatado pelos que virão. Cada um de nós é responsável – e é assim que devemos entender – pela preparação das Novas Gerações, visando a sua melhor inserção no desafio do amanhã através de uma ampla gama de temas relacionados a elas, como educação, saúde, valores humanos e as diversas alternativas a que esses jovens foram expostos durante o árduo caminho do seu desenvolvimento pessoal.
   Se olharmos para o passado, observaremos que várias foram as gerações que viveram sob a mesma era. Mas se transferirmos essas observações para o que ocorre em nossos dias, nos daremos conta da transformação substancial que se produziu: hoje, a tecnologia provoca mudanças instantâneas, constantes e profundas, mas nem sempre positivas. Algumas afetam a população mundial; outras aumentam as barreiras entre as gerações, fazendo com que a juventude perca parte dos seus ideais e se desiluda diante da evidência de um mundo em que a ambição de ter prevalece ao orgulho de ser.
   Se concordamos no diagnóstico, qual será o tratamento? O compromisso de todos os braços, todas as inteligências e todos os corações envolvidos em uma ação solidária que ratifique o que damos por certo: o fato de que as Novas Gerações devem estar preocupadas com o futuro e também – e muito importante – que nós, rotarianos, devemos nos preocupar com elas.
   O começo deste milênio nos apresenta novos cenários para os quais devemos ter também respostas novas, tendo como base a preservação de algo que é uma constante para nós: o valor da vida humana em um ambiente de paz, progresso, solidariedade e serviço.


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