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Do
Rotary que temos ao
Rotary que gostaríamos de ter
história nos mostra que 1905 foi um ano de acontecimentos
relevantes para a humanidade, em que surgiram teorias e doutrinas
que deixariam marcas profundas e representaram grandes mudanças:
• O nascimento da psicanálise, fundada pelo neurologista
vienense Sigmund Freud, e que – assim como os então
recém-descobertos raios-X permitiram olhar para dentro dos
corpos – fez com que as mentes se abrissem, modificando a
paisagem cultural e psicológica do mundo moderno.
• A teoria da relatividade, de Albert Einstein – que
veio modificar a lei da gravidade, de Newton – segundo a qual
o tempo não é uma coisa absoluta, nem seu curso é
sempre o mesmo.
• O surgimento das primeiras manifestações comunistas
na Rússia, inspiradas pelo marxismo, do filósofo e
economista alemão Karl Marx.
Todas
essas idéias nasceram, cresceram – modificando-se ou
desaparecendo – ou cederam seus lugares a outras. O ano de
1905 também apresentou outro fato relevante, como resultado
de uma grande idéia: em 23 de fevereiro, o advogado norte-americano
Paul Percy Harris – que não foi um homem genial, como
ele mesmo confessou com modéstia, mas que teve uma idéia
genial – compartilhou com três amigos um pensamento.
Era o nascimento do Rotary, hoje presente em quase 170 países,
e cuja chegada aos seis continentes foi se desenvolvendo ao longo
do século 20:
• 1905,
na América: fundação do Rotary Club de Chicago,
nos EUA
• 1911,
na Europa: chegada do Rotary a Dublin, na Irlanda
• 1919,
na Ásia: chegada do Rotary a Manila, nas Filipinas
• 1921,
na África e na Oceania: o Rotary é fundado em Johannesburgo,
na África do Sul, e em Melbourne, na Austrália
• 1997,
na Antártida: fundação de um RC em Base Marambio
Dentro
de algum tempo, virão mais países – cujos estudos
de extensão já estão em processo de desenvolvimento
– o que fará com que o Rotary esteja presente em quase
todo o mundo.
Felizmente, aquela idéia de Paul Harris,
já centenária, não teve a mesma sorte das teorias
e doutrinas a que me referi no começo do texto. Ao contrário:
com o decorrer do tempo, o rotarismo foi se consolidando, convertendo-se
na realidade que todos conhecemos e aceitamos, e na qual encontramos
muitas realidades e esperanças, assim como alguns desafios.
Trajetória
de sucessos
Entre as realidades, devemos reconhecer a universalidade
e a amplitude dos programas rotários, que apresentam novos
horizontes a quem os solicitou, e que encontram inspiração
e soluções para questões diversas, dentre as
quais se destacam:
• o
apoio às crianças em situação de risco
• ajuda
a pessoas com necessidades especiais
• a
luta contra a fome e a pobreza
• o
combate ao analfabetismo, não se limitando apenas a ensinar
a ler e escrever, mas também – e muito importante –
a tratar da inclusão no competitivo mundo tecnológico
• a
explosão demográfica
• a
preservação do meio ambiente
• e
a atenção às novas gerações.
Considerando-se
que é nos nossos clubes que encontramos a essência
da família rotária, deveremos fomentar ainda mais
essa atmosfera de calor, atenção e interesse pelos
nossos semelhantes, o que não supõe necessariamente
que envolvamos nossos familiares, a não ser que nossos clubes
se manifestem perante as comunidades que integram como unidades
familiares fortes e eficazes.
A consolidação da Fundação
Rotária é outro sucesso dessa trajetória –
e sem dúvida, o mais significativo – constituindo-se
na base do nosso desenvolvimento, devido ao seu potencial de converter
o mundo em um lugar melhor para se viver, dentro de um ambiente
de paz e compreensão.
Entre as esperanças, adquire relevância
(por sua própria transcendência) o desejo de se alcançar
um mundo sem poliomielite. A visão iluminada do Herói
da Saúde Pública das Américas, e então
presidente do RI, Carlos Canseco Gonzalez, consolidou um projeto
(nascido algum tempo antes) que demandou e seguirá demandando
ainda muito dinheiro – e, mais do que isso, esforços
muito vigorosos da família rotária para que as crianças
de todo o mundo possam ficar livres de um mal que as converte em
vítimas inocentes de um cruel flagelo.
“Adeus pólio, obrigado Rotary”
será a emocionada e agradecida expressão de todos
quando essa meta for cumprida, o ponto final de um pesadelo e o
nascimento de uma visão confiante: a de milhões de
crianças livres de próteses e aparelhos ortopédicos,
deformações e incapacitações físicas.
Sem dúvida, também se constituem
em esperanças o apoio que devem receber as novas gerações,
com as quais devemos assumir o compromisso de empreender projetos
que tratem de suas necessidades fundamentais: saúde, valores
humanos, educação e desenvolvimento pessoal. Dessa
mesma forma pode ser visto o fato de o Fundo Permanente da Fundação
Rotária (que garante a viabilidade da entidade) ter alcançado
o primeiro bilhão de dólares. Assim, poderemos atender
as metas ambiciosas e vitais que ainda não foram satisfeitas
em muitos lugares deste mundo – que clamam por elas, mas não
as obtêm de seus governos.
O grande desafio
O nosso maior desafio continua sendo o crescimento,
para o qual deveremos retomar os caminhos abandonados por nossa
indiferença ou despreocupação, buscando as
pessoas que disponham das qualificações apropriadas.
Não sejamos elitistas, e sim seletivos. Tratemos de encontrar
dirigentes capazes, tolerantes, solidários, sensatos ou,
resumindo, boas pessoas.
Será que essa é uma tarefa impossível?
Certamente não. Um silencioso rotariano disse com muito acerto:
“A fortaleza dos nossos clubes não vai depender de
programas de crescimento que se apresentem como eficazes, de campanhas
de publicidade, planos-pilotos que tenham obtido êxito em
outros cenários ou mesmo de uma boa dose de sorte. Nossos
clubes serão fortes quando entendermos que devemos utilizar
toda a nossa capacidade pessoal para convencer outros líderes
de que é bom ser rotariano – e, conseqüentemente,
nos esforçarmos para que assim seja”.
Se neste momento questionássemos o que
falta ao Rotary para que ele se torne o Rotary que nós gostaríamos
de ter, será que não encontraríamos uma resposta
ao aceitarmos o desafio de que falei anteriormente? Admitindo que
o preço da grandeza é a responsabilidade, nossa grandeza
– aquele Rotary que desejaríamos ter e que não
está tão longe daquele que temos – nos pede
quantidades sensatas de responsabilidade, as mesmas que diariamente
usamos em nossos afetos, trabalhos e vocações.
São também as mesmas que nós
assumimos naquele dia, tão caro para nossas recordações,
em que nosso padrinho nos apresentou a este mundo mágico
do Rotary, com a secreta ilusão de que havíamos compreendido
sua mensagem e nela basearíamos a nossa atuação.
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