|
|
Atitude
amistosa e amizade
significado
da amizade apresenta uma conotação muito profunda
toda vez que se refere a um caminho longo de vivências diversas
e sentimentos compartilhados.
A ingenuidade da filosofia do gaúcho, o habitante de nossas
generosas pradarias, fazia com que, ao se expressar, dissesse que
a amizade “era a sensação de sentir-se dentro
da pele do outro”.
Aristóteles, em sua Ética a Nicômano,
concebe a amizade sob três óticas distintas. Duas delas
se localizam em zonas de sombra, como são as que se sustentam
por meio do prazer e do interesse; desde o tratamento ligeiro, ao
criar relações que podem parecer intensas, mas que
são efêmeras e se sustentam em conveniências
pessoais ou relações comerciais. A terceira, a amizade
perfeita para o filósofo grego, era que se baseava na virtude.
Também Voltaire concordava com esta definição,
ao expressar que “a amizade é a união da alma
entre homens virtuosos, porque os maus somente têm cúmplices;
os voluptuosos, companheiros de vício; os interesseiros,
sócios; os políticos, partidários; os príncipes,
cortesões. Somente os homens honrados têm amigos”.
E para concluir essas referências e opiniões
de origens diversas, lembremo-nos desta máxima: “Os
amigos que tu tens e cuja amizade já puseste à prova,
trata de prendê-los com ganchos de aço”, como
diz o insigne dramaturgo e poeta inglês William Shakespeare.
No âmbito de alguns clubes e em boa parte
da nossa literatura rotária, notamos a rapidez com que, em
muitos casos, se confunde amizade com uma simples relação
amistosa, nascida em um ambiente no qual seguramente nem todos são
amigos, mas apenas foram convocados para sê-lo.
É a “magia dos amigos por conhecer”,
de que nos falou o presidente M.A.T. Caparas na Assembléia
Internacional de Nashville, quando fomos treinados para servir como
governadores de distritos, há mais de 20 anos!
A própria tradução para o
espanhol da primeira parte do Objetivo de Rotary International –
“el conocimiento mutuo y la amistad como ocasión de
servir” – não é a mais adequada, pois
se observarmos a redação do texto oficial em inglês,
“the development of acquaintance as an opportunity for service”,
devemos entender que diz: “o desenvolvimento do conhecimento
mútuo como uma oportunidade de serviço”.
Encontramos esse conceito nas traduções
para outros idiomas, nos quais não aparece a palavra “amizade”,
e foi exatamente isso que levou o Rotary Club de Quilmes, do meu
distrito 4910, na Argentina, a apresentar ao Conselho de Legislação,
neste mês de abril, o Projeto de Resolução 07-143,
solicitando ao Conselho Diretor que estude a possibilidade de modificar
a tradução para o espanhol da primeira parte do Objetivo
de Rotary, que passará a ser “el desarrollo de relaciones
personales amistosas como una oportunidad de servicio”, ou
seja, “o desenvolvimento de relações pessoais
amistosas como uma oportunidade de serviço”.
Boa
parte da psicologia mantém uma clara diferenciação
que é fundamental nas relações amistosas entre
as pessoas. Referindo-se aos conhecidos e aos amigos, a diferença
repousa na profundidade de tal relação. Afinidade
para os primeiros e lealdade, compreensão e solidariedade
para os amigos.
Qual seria a nossa resposta se nos perguntassem
como vemos a amizade no Rotary?
Minha resposta seria simples: como um horizonte, uma meta, que alcançaremos
tão logo entendamos que o caminho que nos leva a eles deve
estar sempre assentado em lealdades recíprocas. Sem personalismos
vãos, sem invejas, repelindo as intenções obscuras
daqueles que buscam tirar proveito do nosso afeto ou das nossas
fraquezas.
Vejo a amizade no Rotary como um sol nascente,
cuja ascensão dependerá de nós mesmos, de nossa
amizade, nossa fraqueza e nossa autenticidade. Um sol nascente que,
em seu desenvolvimento, nos ajude a compreender que irmãos
podem ser os amigos que nos dão o sangue, porém, sempre,
os nossos amigos serão os irmãos que nos são
presenteados pela vida.
|