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Sobre
o papel da mulher
no trabalho rotário
fato
de já termos ouvido bastante sobre esse assunto não
nos impede de continuar recordando as etapas iniciais do relacionamento
da mulher com o Rotary. Uma relação que foi tênue
no princípio, mas que se torna cada vez mais forte nos dias
de hoje.
Da mesma forma, em todas as oportunidades em que
nos referirmos à história do Rotary é natural
e oportuno que façamos menção à famosa
reunião de Paul Harris e seus amigos ocorrida em 23 de fevereiro
de 1905, na cidade de Chicago. Foi nessa oportunidade que surgiu
uma idéia que, por ser muito boa e muito inspirada, não
sofreu mudanças ou substituições ao longo de
sua história mais do que centenária.
Muito pelo contrário: uma idéia
que se multiplicou e produziu frutos que a transformaram no núcleo
de uma das mais importantes organizações de serviço
voluntário do mundo. Uma história conhecida e repetida,
na qual a mulher encontrou o lugar que realmente merece, e que está
de acordo com o papel de destaque que sempre teve na sociedade.
O próprio Paul Harris, que se casou com Jean Thompson cinco
anos antes de fundar o Rotary, e com quem viveu durante toda a vida,
conheceu através dela a solidariedade, compreensão
e companheirismo femininos.
Em 1921, um grupo de mulheres de rotarianos de
Toronto se reuniu, por iniciativa do Rotary Club local, para confeccionar
roupas destinadas a bebês recém-nascidos, filhos de
mães carentes. No mesmo ano, surgiu também um outro
grupo, chamado Mulheres do Rotary, formado por esposas, mães
e filhas de sócios do RC de Chicago, com a finalidade de
colaborar em tarefas comunitárias.
Em 10 de janeiro de 1924, nasceu em Manchester,
na Inglaterra, o Primeiro Grupo de Mulheres de Rotarianos, que conta
com o seu próprio regulamento e se denomina Inner Wheel –
ou “Roda Interna”, em inglês – nome que
indica sua relação com o movimento rotário.
A Segunda Guerra Mundial encontrou essas mulheres trabalhando com
grande dedicação e prestando todo tipo de ajuda. Quando
a paz voltou, começou um ciclo de consolidação
e crescimento.
Mas ainda antes, em 1927, foi criado em Birmingham,
nos EUA, o primeiro clube denominado Rotary Anns, um jogo de palavras
com rotarian – “rotariano”, em inglês –
em homenagem às duas únicas mulheres participantes
da Convenção Internacional de Houston, em 1914, cujos
nomes eram precisamente Ann.
Devemos
muito a elas
A partir daí, essas associações
femininas começaram a expandir-se, instalando-se na Austrália
em 1931, e desenvolvendo-se com maior vigor na América Latina
(1937, em Victoria, Chile; 1938, em Dolores, Argentina; em 1948
no Rio de Janeiro; e em 1949, em La Paz, Bolívia), precisamente
a região em que esse movimento feminino mais cresceu.
É certo que, nos primeiros anos, nem todas
as Rodas Internas, Casas da Amizade ou Comitês de Senhoras
tiveram uma participação igual à dos clubes
nos projetos comunitários que atendiam às necessidades
locais, uma vez que elas se limitavam a um meio social mais restrito.
No entanto, pouco a pouco – sem pressa, mas sem pausas, exatamente
como o deslocamento das estrelas – a compreensão dos
problemas das comunidades e a percepção sutil da real
necessidade das pessoas fizeram as mulheres dos rotarianos participarem
e – ainda mais – organizarem ações destinadas
a objetivos precisos.
Por tudo isso, o Rotary e os rotarianos –
sem distinções de gênero – devem muito
a elas, desde o trabalho em hospitais, orfanatos, casas de saúde
e lares para idosos até o inestimável papel de segunda
mãe para nossos estudantes de intercâmbio e bolsistas,
entre muitíssimos outros serviços. Como nos recorda
a sabedoria de Rabindranath Tagore: “Mulher, tu rodeias o
coração do mundo, como o mar rodeia a terra, com o
abismo de tuas lágrimas”.
O provérbio chinês que abre a coluna
deste mês diz que as mulheres são responsáveis
pela metade do céu. A maioria de nós concorda com
isso, ainda mais ao pensarmos na participação da mulher
no lar, que freqüentemente acaba respondendo por muito mais
da metade do “céu familiar”.
O que me leva a perguntar: não é
disso que estamos falando quando nos referimos ao trabalho de muitos
dos nossos Rotary Clubs e à sua transcendência nas
comunidades? O que seria dos nossos clubes se eles não contassem
com a colaboração silenciosa, eficaz e permanente
das associações femininas?
Importâncias
iguais
A rotariana e a mulher do rotariano são
mulheres modernas, com suas aspirações, iniciativas
e capacidades, o que as faz protagonizar, por sua decisão
própria e responsabilidade, a tarefa de melhorar a sociedade
que integram. Por esse motivo, não consigo compreender e
nem admito os freqüentes comentários que ouvimos sobre
as diferenças entre a rotariana e a mulher do rotariano que
integra a Casa da Amizade de seu clube, simplesmente porque tais
diferenças não existem.
Da mesma forma, a mulheres que ingressam no Rotary
não são nem mais nem menos que os demais sócios
com quem dividem as atividades, e a melhor evidência disso
é a lista de rotarianas que atualmente são governadoras
de distrito, e que começam a ocupar vagas no Conselho Diretor
do RI e no Conselho de Curadores da Fundação Rotária.
Integrar uma associação feminina
é algo muito diferente, que implica em assumir um papel solidário
com os sócios de um Rotary Club sem aspirar a nada mais do
que isso: oferecer ajuda, esforços e consolidar aspirações.
Algo que foi muito bem definido pelo escritor Khalil Gibran: “Quando
trabalhas, és como uma flauta, cujo coração
converte o sussurro das horas em música... E o que é
trabalhar com amor? É tecer com fios tirados do coração,
como se o teu amado fosse vestir-se com esse tecido...”
Então, equivocam-se aqueles que reivindicam
essa situação como uma justificativa para a desnecessária
equiparação – no meu ponto de vista –
entre essas mulheres de acordo com os diferentes papéis que
desempenham. O que me leva a afirmar que o que precisa igualar-se
é, precisamente, a valorização que atribuímos
às mulheres no Rotary.
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