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A
nossa liderança
ão tenho dúvida alguma de que é um desafio
referir-se à liderança diante de líderes como
os que compõem o Rotary, uma organização modelar
que oferece conjuntamente com a Fundação Rotária
a excelência de seus programas, que a colocaram entre as melhores
do mundo.
Na verdade, meus amigos, será que teríamos
celebrado o centenário do RI se não existisse uma
liderança certa entre seus integrantes? Seremos capazes de
percorrer os caminhos deste segundo século de existência
com igual, melhor ou mais sucesso, se não dispusermos de
dirigentes capazes e comprometidos com os objetivos da organização?
Tenho certeza que não. Para sermos bem-sucedidos devemos
deixar de lado os alardes do poder e as atitudes autoritárias
que alguns, por não possuírem outras, pretendem usar
para qualificar-se.
O Rotary nos convoca para que ofereçamos
autoridade – que não é autoritarismo –
mediante atitudes persuasivas, motivação sensata e
exemplo pessoal, tendo-se em conta que todos nós, sem exceção,
somos dirigentes voluntários, e como tal não podemos
improvisar e nem regatear o nosso tempo e os nossos esforços
compartilhados. Devemos ser generosos e positivos, objetivos e precisos;
devemos também estar preparados e informados, com a certeza
de que algumas de nossas ações – as que tiveram
seu início em julho – terminarão em junho de
2006, mas outras serão tão permanentes quanto deve
ser a nossa vocação para a prestação
de serviços e a nossa dedicação ao Rotary.
Desta forma, ao prestarmos todas e cada uma das provas finais do
nosso empenho, estaremos oferecendo aos que nos sucederão
o legado da convicção e da motivação,
permitindo-lhes ser melhores do que nós mesmos o fomos.
Este é um legado que devemos entregar,
cheio daquelas atitudes que foram orientadas para serem compreensivas
diante de cada um dos problemas em jogo, habilidosas para se comunicarem
e com capacidade para o trabalho positivo, além de entusiastas,
amistosas e inovadoras. Atitudes cheias de confiança com
relação às suas conseqüências, convencidas
de que onde existe vontade sempre surge um caminho.
Dificuldades
No Rotary, essas lideranças podem mudar
todos os anos – e, na realidade, é isso o que acontece.
No entanto, a liderança de nossa organização
é o que não pode mudar jamais, pois é nossa
responsabilidade exercitá-la, e para isso devemos “nos
interessar pelos problemas, compartilhar as angústias e lutar
pelas mesmas causas”, seguindo as palavras do grande estadista
Winston Churchill.
Diante das dificuldades com que nos defrontamos
diariamente, não devemos nos justificar dizendo que não
são fáceis, e sim nos motivar, repetindo que essas
metas são possíveis. Recordemos aquele pensamento
que dizia que tentar alcançar as estrelas com um salto pode
ser uma utopia, mas sempre serve para tirar os pés do barro.
Existe um delicado equilíbrio entre a realidade
e o otimismo, entre a confiança e a humildade. Quantas vezes
imaginamos resultados fáceis, mas os fatos nos mostraram
que nossos esforços poderiam ter sido mais bem-sucedidos
se tivéssemos mantido a necessária humildade para
que trabalhássemos juntos com os outros, ao mesmo tempo?
O Rotary nos convoca a isso permanentemente, dizendo-nos que o êxito
das nossas tarefas resultará da soma de esforços de
um grupo interessado, onde cada um será reconhecido pelo
talento e habilidade que utilizou para que se alcançassem
os objetivos comuns.
Uma liderança eficaz é aquela que
seleciona sabiamente os integrantes da sua equipe de tal forma que,
alcançado o objetivo, o comentário final se refira
ao sucesso coletivo, e não apenas às supostas façanhas
individuais. Costumo dizer que nenhuma cadeia é tão
forte quanto o mais fraco dos seus elos, e a cada dia que passa
estou mais convencido de que no compartilhar – tanto responsabilidades
quanto reconhecimentos – está o caminho que espera
a nossa passagem.
Liderança tem a ver com visão, motivação
e com atitude positiva – e é por isso que, em tempos
de dificuldades ou diante da crise, as grandes necessidades requerem
grandes líderes. A liderança implica em termos respeito
pelo futuro, consideração pelo presente e compreensão
com o passado. A liderança implica em sermos coerentes com
o que se pensa, se diz e se faz, tomando consciência de que
os “líderes de hoje estão escrevendo a história
de hoje”, como dizia Albert Schweitzer.
Finalmente, peço-lhes que pensem que, sendo
o futuro um acontecimento que sobrevirá inexoravelmente,
também resultará sempre numa possibilidade que será
conseqüência de nossas ações individuais
e de grupo. Resta-nos estarmos envolvidos com a intenção
de sermos melhores, ou esperarmos – de forma complacente e
cômoda – que os outros o façam por nós.
Se optarmos por esta última atitude, teremos perdido a oportunidade
de nos aproximarmos de um mundo mais livre e solidário.
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