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Carlos Enrique Speroni
(Diretor do RI 2005-07)
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A nossa liderança

ão tenho dúvida alguma de que é um desafio referir-se à liderança diante de líderes como os que compõem o Rotary, uma organização modelar que oferece conjuntamente com a Fundação Rotária a excelência de seus programas, que a colocaram entre as melhores do mundo.
   Na verdade, meus amigos, será que teríamos celebrado o centenário do RI se não existisse uma liderança certa entre seus integrantes? Seremos capazes de percorrer os caminhos deste segundo século de existência com igual, melhor ou mais sucesso, se não dispusermos de dirigentes capazes e comprometidos com os objetivos da organização? Tenho certeza que não. Para sermos bem-sucedidos devemos deixar de lado os alardes do poder e as atitudes autoritárias que alguns, por não possuírem outras, pretendem usar para qualificar-se.
   O Rotary nos convoca para que ofereçamos autoridade – que não é autoritarismo – mediante atitudes persuasivas, motivação sensata e exemplo pessoal, tendo-se em conta que todos nós, sem exceção, somos dirigentes voluntários, e como tal não podemos improvisar e nem regatear o nosso tempo e os nossos esforços compartilhados. Devemos ser generosos e positivos, objetivos e precisos; devemos também estar preparados e informados, com a certeza de que algumas de nossas ações – as que tiveram seu início em julho – terminarão em junho de 2006, mas outras serão tão permanentes quanto deve ser a nossa vocação para a prestação de serviços e a nossa dedicação ao Rotary. Desta forma, ao prestarmos todas e cada uma das provas finais do nosso empenho, estaremos oferecendo aos que nos sucederão o legado da convicção e da motivação, permitindo-lhes ser melhores do que nós mesmos o fomos.
   Este é um legado que devemos entregar, cheio daquelas atitudes que foram orientadas para serem compreensivas diante de cada um dos problemas em jogo, habilidosas para se comunicarem e com capacidade para o trabalho positivo, além de entusiastas, amistosas e inovadoras. Atitudes cheias de confiança com relação às suas conseqüências, convencidas de que onde existe vontade sempre surge um caminho.

   Dificuldades
   No Rotary, essas lideranças podem mudar todos os anos – e, na realidade, é isso o que acontece. No entanto, a liderança de nossa organização é o que não pode mudar jamais, pois é nossa responsabilidade exercitá-la, e para isso devemos “nos interessar pelos problemas, compartilhar as angústias e lutar pelas mesmas causas”, seguindo as palavras do grande estadista Winston Churchill.
   Diante das dificuldades com que nos defrontamos diariamente, não devemos nos justificar dizendo que não são fáceis, e sim nos motivar, repetindo que essas metas são possíveis. Recordemos aquele pensamento que dizia que tentar alcançar as estrelas com um salto pode ser uma utopia, mas sempre serve para tirar os pés do barro.
   Existe um delicado equilíbrio entre a realidade e o otimismo, entre a confiança e a humildade. Quantas vezes imaginamos resultados fáceis, mas os fatos nos mostraram que nossos esforços poderiam ter sido mais bem-sucedidos se tivéssemos mantido a necessária humildade para que trabalhássemos juntos com os outros, ao mesmo tempo? O Rotary nos convoca a isso permanentemente, dizendo-nos que o êxito das nossas tarefas resultará da soma de esforços de um grupo interessado, onde cada um será reconhecido pelo talento e habilidade que utilizou para que se alcançassem os objetivos comuns.
   Uma liderança eficaz é aquela que seleciona sabiamente os integrantes da sua equipe de tal forma que, alcançado o objetivo, o comentário final se refira ao sucesso coletivo, e não apenas às supostas façanhas individuais. Costumo dizer que nenhuma cadeia é tão forte quanto o mais fraco dos seus elos, e a cada dia que passa estou mais convencido de que no compartilhar – tanto responsabilidades quanto reconhecimentos – está o caminho que espera a nossa passagem.
   Liderança tem a ver com visão, motivação e com atitude positiva – e é por isso que, em tempos de dificuldades ou diante da crise, as grandes necessidades requerem grandes líderes. A liderança implica em termos respeito pelo futuro, consideração pelo presente e compreensão com o passado. A liderança implica em sermos coerentes com o que se pensa, se diz e se faz, tomando consciência de que os “líderes de hoje estão escrevendo a história de hoje”, como dizia Albert Schweitzer.
   Finalmente, peço-lhes que pensem que, sendo o futuro um acontecimento que sobrevirá inexoravelmente, também resultará sempre numa possibilidade que será conseqüência de nossas ações individuais e de grupo. Resta-nos estarmos envolvidos com a intenção de sermos melhores, ou esperarmos – de forma complacente e cômoda – que os outros o façam por nós. Se optarmos por esta última atitude, teremos perdido a oportunidade de nos aproximarmos de um mundo mais livre e solidário.


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