|
|
É Natal
Minha vida rotária iniciou-se bem antes de
eu ter me tornado adolescente, quando fui levado para dentro do Rotary pelas mãos de meu pai, sócio-fundador do segundo clube do norte do Paraná, o Rotary Club de Cambará, em 1939. Tão entusiasmado ficou ele com a nova Organização, que ativamente participou da fundação de mais outros doze clubes na região, inclusive Londrina. Sempre que lhe era possível, levava-me consigo nas reuniões do seu clube, como também eu fazia-lhe companhia quando às tardinhas, no chique Hotel Avenida de Cambará, ia “bater papo” com os governadores de distrito em suas visitas oficiais. Estas, eram de vários dias de saudável companheirismo, desfrutando novas amizades e ao mesmo tempo ensinando e difundindo a doutrina rotária. E naturalmente como sempre tem sido, expandindo nossa Organização com a trabalhosa mas gratificante formação de novos clubes nas redondezas. Nem importava que as estradas eram de terra, poeirentas, quando chovia se tornavam quase intransitáveis para os automóveis da época, mesmo os “pé-de-bode” ou “fordecos,” valentes na lama. Imperava o grande entusiasmo por Rotary – fonte inesgotável de crescimento pessoal e de preciosas amizades novas.
É dessa época bem distante no tempo, que guardo o termo “boa vontade” como característica fundamental para uma pessoa tornar-se rotariano. Fui aprendendo desde muito cedo, na vivência que me era possível e sempre muito agradável junto aos rotarianos, que além de outras importantes qualificações ou virtudes exigidas para ser sócio de um Rotary Club, despontava como luminosa característica pessoal, a disponibilidade para o bem, o coração aberto para a compreensão, a alegria em estender a mão, a paciência no ouvir e a parcimônia no falar, numa palavra, o “espírito de servir.” O mesmo que dizer: “uma pessoa de boa vontade”.
A boa vontade tem sido a mola propulsora da auto-realização da grande maioria de todos nós, e em Rotary alcança grande destaque, pois que nossa Organização é humanitária, que procura tornar melhor o mundo em que vivemos, a partir das nossas comunidades, pelo trabalho voluntário que no mundo rotário é realizado diuturnamente.
É o presente que Rotary, alegremente, vem oferecendo, de modo impessoal e contínuo, desde seus primórdios. Quase 100 Natais Rotary temos vivido desde a luminosa idéia de Paul Harris ter estabelecido o primeiro clube. Realizados por homens e mulheres de boa vontade. Natais que duram os doze meses de cada ano, seja através da nossa Organização ou pessoalmente – rotarianos e rotarianas. Por certo ainda somos poucos, muito poucos, face ao desafio das necessidades que este nosso mundo diariamente nos mostra e nos estende a mão em súplicas. Porém, mesmo sendo poucos, o pouco feito é de grande valia e significado humano ante o gigantismo das carências, pois “tudo é grande quando o coração não é pequeno”, como nos lembra Fernando Pessoa.
FELIZ NATAL – Dezembro
alegre, colorido, cheio de luzes, que traga a felicidade para os olhos e para os corações de toda a grande família rotária brasileira. Neste dezembro e sempre, sejam os nossos lares alegres e luminosos, quais faróis a refletir com grande intensidade as inspirações que Rotary leva aos nossos corações. Estes são os nossos votos melhores, meus e de Laila, que brotam também do fundo dos nossos corações.
|