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regras simples de convivência entre os homens e as nações
que sustentam o Rotary têm dado à nossa organização
um caráter universal. Essas regras são adaptáveis
a uma multiplicidade de situações de nossa vida social.
Sua importância e transcendência não se circunscrevem
aos modelos particulares do Rotary: elas se irradiam a uma esfera mais
ampla e completa, a das relações humanas.
Na vida, o elemento essencial é o homem –
e dentro do nosso conceito, esse homem está dotado de caráter
e condições definidos, não importando se esteja
associado ou não à organização que nos acolhe.
O que nos interessa é definir aquele que poderíamos chamar
de “o homem do Rotary” – ou Homo rotarium.
Eu creio que o Homo rotarium não deve ser nem
melhor nem pior que o homem comum. Logicamente, muitos homens e mulheres
que não estão associados ao Rotary poderiam ser rotarianos.
Muitos deles, sem querer ou sem saber, praticam nossos próprios
ideais como podem fazer os nossos sócios mais destacados.
Errado está aquele que espera ver em nosso
Homo rotarium um modelo de perfeição absoluta, como uma
imagem de virtude e de pureza imaculadas. Nós vivemos numa sociedade
onde são muitos os exemplos de generosidade e altruísmo,
mas onde também existe – em alto grau – o choque
das paixões e dos interesses, com suas intrigas, suas deslealdades,
seus ódios e rancores.
Será que o homem pode caminhar indiferente
a tudo que o rodeia? Poderá viver tão isolado, como que
menosprezando os fatores de reação que produzem tantos
elementos contraditórios?
O
valor da boa convivência
Se fosse assim, viveríamos a irrealidade e
o misticismo, mais próximos à santidade que ao humano,
e sairíamos do plano de nossos sentimentos e paixões para
irradiar dentro de nós um aspecto de moral e ética absolutas,
incompatíveis – até certo ponto – com a moral
e a ética do espaço e do tempo em que vivemos.
Nosso Homo rotarium não é uma abstração.
Ele caminha na vida, luta para assegurar um futuro melhor, exerce sua
profissão, sofre, se diverte, enfim: atua e age como se fosse
o mais comum dos mortais no eterno desafio de viver.
Mas ao viver ele não perde de vista determinadas
circunstâncias e normas de conduta que o permitem desenvolver-se
como cidadão com correção e prudência. Assim,
por exemplo, ele sabe que há um limite para sua atividade e para
seus desejos, que terminam justamente onde começa a atividade
lícita de outros homens. Ele compreende que ser útil e
prestar serviços ao outro ou a uma coletividade são atividades
benéficas que estimulam o próprio progresso e facilitam
o crescimento dos demais. E assim como o ditado afirma que “ser
honrado é um bom negócio”, com razão ainda
maior o Homo rotarium poderia dizer que, por sua própria convivência,
os homens estão obrigados a ser úteis à sociedade
em que vivem.
E se na vida corrente a boa vontade e a tolerância
recíprocas são fontes de acerto e de correção
de desvios – conceito que pode ser transportado a esferas mais
amplas, da coletividade e das nações – conclui-se
que fecundos frutos deverão privilegiar os povos dotados de um
espírito compatível com o sincero ideal de convivência.
Quando uma pessoa sente ou pensa assim, ela é
rotariana. E não continua agindo dessa forma por fidelidade aos
princípios rotários, mas para se sentir honrada com a
condição de bem nascida. O certo é que o Rotary
estimula essas pessoas, as aproxima umas das outras, enaltecendo-as
– e por emulação, outros homens e mulheres acabam
atraídos a agir de forma similar, e esse é o maior triunfo
conseguido pela difusão e pelo estímulo.
Quando esses homens e mulheres de sã e reta
intenção se reúnem, nasce no meio deles um conceito
que chega à sociedade em que vivem e que, em certa medida –
e sem usar os recursos do poder – governa e determina os atos
dos demais por gravitação própria do impulso generoso.
Nasce nesse momento a Cidadania Universal Rotária, reconhecida
em todas as nações onde existem ou não Rotary Clubs.
Façamos, portanto – nós, rotarianos
– um exame de consciência e vamos procurar trazer para nossa
organização mais pessoas que tenham esse perfil do Homo
rotarium para que possamos preservar o mundo atual e o futuro do Rotary
de modo seguro.
E tomara que no final possamos dizer: “Não
estamos arrependidos de viver o Rotary. Que todos os homens e mulheres
do mundo sejam dignos de formar em nossas fileiras, transformando-se
também em Homo rotarium”.
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