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1968, os EUA eram agitados por uma série de mudanças:
enquanto as mulheres queimavam sutiãs em nome de sua emancipação,
diversos grupos exigiam o fim da guerra do Vietnã. Em abril daquele
ano, o assassinato de Martin Luther King detonava uma série de
barulhentas manifestações em todas as cidades do país.Em
meio a esse clima revolucionário, um grupo de estudantes empreendedores
pretendia fundar um novo clube na UCC – Universidade da Carolina
do Norte, em Charlotte, nos EUA. Todo esse entusiasmo resultou na criação
daquele que seria o primeiro Rotaract Club da história.
rograma
do Rotary International destinado aos jovens com idades entre 18 e 30
anos, o Rotaract cresceu e atualmente conta com aproximadamente 186
mil integrantes, agrupados em mais de 8.000 clubes, presentes em cerca
de 160 países.
Embora os rotaractianos tenham mantido as tradições
inauguradas por aquele clube pioneiro, pouco se conhece a respeito de
seus 21 fundadores. Para resgatar essa história, fomos à
procura de alguns deles para saber como estão vivendo, e quais
são as suas lembranças daquele tempo. Os rotarianos sabem,
há muito tempo, que o Rotaract forma líderes. Marcas registradas
de todo rotaractiano até hoje, o empreendedorismo, a criatividade
e o entusiasmo daqueles jovens ajudaram-nos a tornar-se homens bem-sucedidos
nos anos que se seguiram ao intenso 1968.
Bill Baumgardner
Em 1968: presidente do clube
Hoje: empresário e proprietário
de carros de corrida
Bill
Baumgardner era calouro da UCC quando ele e seu colega Dick Helms propuseram
ao RC de Charlotte-North a criação de um programa rotário
em nível escolar. “Naquela época, o nosso objetivo
era contribuir para o crescimento da escola e continuar a tradição
do Rotary”, conta Baumgardner, que tinha sido sócio de
um Interact Club na escola secundária. “Nós achávamos
que seria possível encontrar um Rotary Club disposto a patrocinar
uma versão universitária do Interact”.
Aquela era uma época apropriada para novas
idéias: quando Bill se inscreveu na UCC, os alojamentos ainda
estavam em construção, e somente cerca de 1.800 estudantes
deslocavam-se diariamente até o campus.
A idéia de expandir o Rotary para estudantes
em idade universitária foi bem acolhida por Charlie Grier, sócio
do RC de Charlotte-North. “Num encontro na casa de Charlie, expusemos
nossa idéia a diversos rotarianos, que a acharam interessante”,
recorda Bill Baumgardner. Charlie Grier marcou um encontro com o diretor
do campus e com o reitor da universidade, a quem pediu permissão
para criar um clube nos moldes do Interact, patrocinado pelo RC de Charlotte-North.
Bill conta: “A partir dali a idéia cresceu
como uma bola de neve. Fomos até o conselho da universidade e,
quando o Rotary nos deu a permissão oficial, tornei-me o presidente
do clube”. Ele guarda até hoje, em seu escritório,
a placa que recebeu do RI em agradecimento por sua atuação
como presidente do clube. “Tenho uma estante envidraçada
e uma parede cheias de lembranças reunidas em várias partes
do mundo”, ele diz. “Aquela placa do Rotary está
lá, com tudo o que significou para mim”.
Ultrapassada a fase de Rotaract, Bill Baumgardner
fundou um pequeno escritório de contabilidade. Mais tarde, ele
criou a StaffAmerica, uma agência de recursos humanos que oferece
apoio a diversas empresas. “No início, éramos apenas
eu e uma secretária que trabalhava em meio expediente”,
ele explica. “Mas nós crescemos até nos tornarmos
uma empresa de quase US$ 1 bilhão”. A StaffAmerica foi
vendida em 2003 e Bill mudou o rumo de seus negócios. “Aposentei-me
do dia-a-dia porque quero trabalhar com meus filhos”, ele diz,
contando também que está pensando em criar uma nova empresa
com seus quatro herdeiros.
Outra iniciativa de Bill Baumgardner segue de vento
em popa: a Bace Motosports, escuderia que compete na série Nascar
Busch Grand National e que já conquistou três campeonatos
nacionais dos EUA. “Temos planos mais ousados para a equipe, mas
eu ainda não posso revelá-los”, diz, fazendo segredo
sobre o futuro.
John Lafferty
Em 1968: tesoureiro do clube
Hoje: advogado e rotariano
Depois
de deixar o Rotaract, John Lafferty não se afastou muito de casa.
Graduado em direito pela UCC, ele abriu seu próprio escritório
em Lincolnton, cidade a oeste de Charlotte, onde nasceu e foi criado.
Em Lincolnton, John resolveu seguir os passos do seu pai e tornou-se
rotariano. “Meu pai era radiologista e minha mãe estava
grávida na época em que ele fazia residência na
Universidade da Pensilvânia”, conta, orgulhoso de suas raízes.
John Lafferty e a mulher, Peggy, com quem está
casado há 36 anos, viveram quase todo esse tempo em Lincolnton,
cidade de 10 mil habitantes. Foi lá que eles criaram suas duas
filhas e onde John reencontrou seu caminho no Rotary.
Ao longo da sua carreira de 20 anos como advogado,
ele já cuidou de casos variados, como multas de trânsito
e assassinatos. “A maior parte dos meus processos, no entanto,
relaciona-se a problemas ligados a imóveis”, ele explica,
contando que sua experiência profissional foi útil ao RC
de Lincolnton na execução do projeto do Centenário:
a construção de um abrigo para famílias carentes,
em cooperação com a ONG Habitat for Humanity International.
“Disse para os meus companheiros: 'Eu não sou muito bom
em construções, mas posso cuidar da parte legal do projeto...'”
Essa não foi a primeira vez em que John precisou
confessar sua falta de jeito com habilidades manuais. Seu primeiro projeto
no Rotaract da UCC foi ajudar a construir um carro alegórico
para a Parada Anual de Natal de Charlotte. “Não sabíamos
nada sobre a construção de carros alegóricos –
e eu, então, nem pensar!” O tema do carro alegórico
era a corrida do ouro. Com a típica sorte dos principiantes,
ele pôde ser finalizado a tempo – e incluía até
uma montanha de papel machê com água corrente. Os rotaractianos
ficaram surpresos com a primeira colocação no concurso
– e mais felizes ainda pelo reconhecimento que receberam da universidade
e de seu recém-fundado clube.
John tem uma outra boa lembrança: a de ter
plantado um carvalho próximo ao centro acadêmico para marcar
a criação do clube. Ali nascia uma tradição
mantida até hoje: toda vez que um país funda seu primeiro
Rotaract Club, o clube da UCC planta uma muda de carvalho no campus.
Em 1969, John Lafferty fez uma palestra para seus
companheiros e diversos sócios do RC de Charlotte-North, resumindo
a curta história do Rotaract até ali. “Aqui começou
o Rotaract”, ele disse. “Não sei em que estágio
estamos, mas sei que esse foi apenas um passo para o nosso futuro e
o do clube. Na qualidade de estudantes e novatos na organização,
nós adotamos o lema Dar de Si Antes de Pensar em Si como a ferramenta
de nossa procura por melhores respostas às nossas dúvidas”.
Dick
Helms
Na época: presidente 1966-67
(antes da fundação oficial)
Hoje: representante comercial e pai
de quatro filhos
Logo
depois de se diplomar na UCC, Dick Helms (ao lado e abaixo) deixou a
presidência do Rotaract e foi convocado pelo Tio Sam para lutar
na guerra do Vietnã. “Tive a sorte de permanecer na reserva”,
ele conta. “Só estive no serviço ativo por seis
meses, em treinamentos no Fort Jackson, na Carolina do Sul, e no Forte
Dix, em Nova Jersey, de onde retornei como sargento instrutor, função
que desempenhei por seis anos”.
Em seguida, ele trabalhou numa empresa que fabricava
equipamentos para produzir fibras sintéticas, assumindo seis
anos depois uma posição de vendas na Deublin, empresa
que produz um lacre mecânico chamado união rotativa. Dick
dá uma risada: “Se você não utiliza uma peça
como essa, não terá a menor idéia do que se trata!”
Helms ainda mora em Charlotte e está casado
há 30 anos com sua ex-colega de ginásio, Linda. Eles têm
três filhas e um filho.
Com a experiência de ter presidido o primeiro
Rotaract Club, antes mesmo de sua fundação oficial, Dick
Helms conta que mais tarde ajudou na criação de diversos
outros clubes. Embora se encontre raramente com seus ex-companheiros
de Rotaract, Dick ainda vê Bill Baumgardner com certa freqüência,
e o auxilia em seus planos com os carros de corrida. Os dois ainda se
lembram das dificuldades que encontraram para produzir o carro alegórico
da parada de Natal. “Tivemos que superar um monte de dificuldades”,
ele conta, explicando a dificuldade do grupo em localizar uma carroceria
de caminhão plana e em construir uma montanha de papel machê.
Já o rotariano Bill Kemp, que auxiliava o grupo
com Charles Grier, diz que acreditava naqueles jovens desde o início:
“Eles eram educados, responsáveis e desejavam sinceramente
ajudar os outros”. Dean Colvard, que foi reitor da UCC em 1968,
orgulha-se do fato de a universidade ter abrigado o primeiro Rotaract
Club do mundo: “Sempre procuramos fazer com que os nossos estudantes
exercitem sua liderança de forma positiva. E isso o Rotary proporciona”.
Dean Colvard afirma isso com conhecimento de causa:
do alto de seus 90 anos, ele ainda é sócio do RC de Charlotte.
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