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depois do terremoto que devastou o norte do Paquistão em outubro
do ano passado, a equipe dedicada à erradicação
da pólio na região dirigiu seus esforços ao resgate
das vítimas e às atividades de emergência. Em fevereiro
deste ano, quando agentes de saúde confirmaram três casos
de gripe aviária em galinhas na Nigéria, a OMS –
Organização Mundial da Saúde – colocou-se
à disposição imediatamente para divulgar a informação
e fazer a coleta e o transporte de amostras para diagnóstico.
Essa reação rápida não seria possível
sem a infra-estrutura montada pelos rotarianos para a erradicação
da paralisia infantil no Paquistão – o plus (mais, em inglês)
que o Polio Plus ajudou a criar.
Antes de lançarem seu ambicioso programa para
proteger todas as crianças do mundo contra a poliomielite, em
1985, as lideranças do Rotary refletiram bastante sobre o nome
que dariam ao projeto. A palavra Polio foi escolhida para mostrar ao
mundo o desafio que o Rotary estava assumindo de eliminar o vírus
da paralisia infantil em todo o planeta; o termo Plus foi acrescentado
para expressar a convicção dos rotarianos de que um ataque
dirigido à pólio estimularia um grande aumento na imunização
contra o sarampo, a tuberculose, a difteria, a coqueluche e o tétano
– as outras cinco doenças infantis que podem ser prevenidas,
de acordo com o Programa de Imunização Estendida da OMS.
No início, muitas lideranças mundiais
da área de saúde duvidaram da viabilidade desse objetivo
duplo. Eles temiam que qualquer programa dirigido a uma só doença
resultasse na exaustão dos recursos públicos destinados
a doenças infantis mais graves e de mortalidade maior que a da
pólio. Havia poucas evidências de que campanhas de saúde
pública específicas para uma determinada doença
poderiam deixar em seu rastro infra-estruturas sustentáveis.
Todas essas preocupações – aliadas ao fato de que
o Rotary não possuía a menor experiência em projetos
de saúde em larga escala até então – levaram
o Polio Plus a ter uma recepção morna por parte das autoridades
do setor na época do seu lançamento.
Apesar disso, o Rotary não se intimidou. Ao
contrário: os rotarianos investiram em esforços voluntários
e apoio financeiro para melhorar as infra-estruturas de refrigeração,
transporte e comunicação, e aumentar a conscientização
das pessoas a respeito da importância da imunização.
Os efeitos da estratégia dupla adotada por nossa organização
não demoraram a surtir efeito: no final dos anos 80, as taxas
de imunização contra a difteria, o tétano e a coqueluche
haviam crescido muito.
Em duas décadas, a Iniciativa Global pela Erradicação
da Pólio alcançou uma redução de 99% dos
casos da doença no mundo inteiro. Além disso, nas áreas
de controle de doenças, mobilização social, ação
política, estratégias de distribuição de
vacina e financiamento, o plus do nome Polio Plus tem se mostrado altamente
valioso.
Cadeia
de refrigeração
A necessidade de se preservar o princípio ativo
das vacinas nos países com pouca ou nenhuma capacidade de refrigeração
provocou o desenvolvimento dos sistemas de estocagem a frio que hoje
são usados para preservar muitas outras vacinas.
Cerca de um terço da atual capacidade de refrigeração
da África Subsaariana foi implementado para apoiar o programa
Polio Plus. Rotarianos de todo o mundo auxiliaram na aquisição
dos equipamentos através do programa Parceiros Polio Plus. Nos
países onde a pólio ainda é endêmica, os
companheiros ajudam na supervisão e manutenção
dos sistemas.
“Atualmente, essas cadeias de resfriamento estão
sendo usadas para conservar as vacinas utilizadas no combate a outras
doenças infecciosas, como sarampo, tétano e difteria”,
diz Marie-Irène Richmond-Ahoua, presidente do Comitê Polio
Plus da Costa do Marfim.
Supervisão
Uma rede de supervisão formada por milhares
de clínicas de saúde e postos avançados foi desenvolvida
para detectar os primeiros sinais de paralisia nos pacientes infectados.
Hoje em dia, esta rede mundial de diagnóstico precoce, apoiada
por 147 laboratórios, atua também como um sistema de alerta
prévio para o combate a outras doenças, como sarampo,
tétano neonatal, cólera, Ebola e gripe aviária.
“A taxa mundial de mortalidade provocada pelo
sarampo caiu em mais de 50% nos últimos seis anos”, afirma
o doutor Bruce Aylward, coordenador da Iniciativa Global pela Erradicação
da Pólio, da OMS. “Com isso, estamos evitando a morte de
meio milhão de pessoas anualmente, graças ao trabalho
de imunização e vigilância que foi feito aproveitando-se
a infra-estrutura de combate à pólio”.
Outras ferramentas desenvolvidas para supervisionar
as ações de combate à paralisia infantil têm
sido usadas em diversas áreas. Por exemplo: os agentes de saúde
utilizaram métodos de seqüenciamento genético desenvolvidos
para identificar e localizar a fonte dos vírus da poliomielite
para controlar um possível surto de Sars (um tipo grave de pneumonia)
na Ásia.
Estímulo
No espaço das vilas e cidades, o Polio Plus
representa um valioso estímulo aos pais, levando-os a procurar
assistência médica para seus filhos. Muitos desses pais
jamais haviam visitado um centro médico até descobrirem
que algumas gotinhas de vacina poderiam proteger seus filhos da paralisia
infantil. Além da vacina contra a pólio, as crianças
também são imunizadas contra outras diversas doenças
e recebem suplemento de vitamina A (que pode salvar vidas), telas para
proteção contra o mosquito transmissor da malária
e informações sobre nutrição e reidratação
oral para toda a família.
Planejamento
estratégico
Logo após 1988, ano em que a assembléia
da OMS adotou a resolução de erradicar a pólio
em todo o mundo, o Rotary criou um grupo formado por líderes
globais e regionais da OMS com o objetivo de fornecer orientação
técnica para a criação do que mais tarde seria
a Iniciativa Global pela Erradicação da Pólio.
Liderada pela OMS, pelo Rotary, pelo Unicef e os Centros de Controle
e Prevenção de Doenças dos EUA, atualmente esta
parceria é um exemplo perfeito de cooperação entre
os setores público e privado, que vêm trabalhando juntos
para combater doenças como Aids, malária, sarampo e tuberculose.
Para acelerar a imunização contra a
pólio, os planejadores da iniciativa viram nos DNIs – Dias
Nacionais de Imunização – a maneira mais prática
de erradicar a doença. A estratégia abriu as portas para
a participação maciça de voluntários rotarianos,
que se envolveram em diversos aspectos relacionados ao combate, como
mobilização social, transporte e comunicação,
além da defesa política da causa. Desde 1985, os rotarianos
já investiram milhões de horas de trabalho voluntário
no programa Polio Plus.
Apoio
financeiro
Quando a paralisia infantil estiver totalmente erradicada,
os rotarianos terão contribuído com US$ 650 milhões
para combatê-la através do Polio Plus. Além disso,
eles terão criado uma parceria que arrecadou mais de US$ 1,7
bilhão em doações junto a diversos países
– subsídios utilizados especificamente para combater a
paralisia infantil. À medida que a consciência sobre a
eficácia da imunização começou a crescer
em todo o mundo, surgiram outras fontes de apoio financeiro, como a
Aliança Global para Vacinas e Imunização, a Fundação
Bill & Melinda Gates e o Banco Mundial. Em 2000, quando o Rotary
e a Fundação das Nações Unidas uniram-se
para levantar fundos, foram arrecadados US$ 100 milhões.
Efeito
duradouro
O plus do Polio Plus vai continuar produzindo efeitos
mesmo depois da erradicação da paralisia infantil. Ao
participarem de todas as etapas do programa, os rotarianos estão
conquistando a confiança da população em iniciativas
de imunização patrocinadas pelos governos. O resultado
disso é que mais países têm respondido positivamente
aos pedidos públicos de incluir o financiamento das vacinas em
seus orçamentos.
“A herança do Polio Plus vai além
da erradicação de uma das mais devastadoras doenças
incapacitantes que a humanidade já conheceu”, diz o doutor
Bruce Aylward. “Cumprido esse objetivo, teremos como legado sistemas
de saúde mais poderosos em alguns dos países mais pobres
do mundo, o que vai permitir que eles enfrentem outros desafios na área
da saúde, especialmente no que diz respeito à imunização
e ao combate das doenças transmissíveis”.
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