| Os
pais e professores precisam saber os verdadeiros riscos que correm os
usuários de cocaína. A grande verdade é que o viciado
nesta droga tem que se lembrar sempre de que fez um pacto com o diabo,
e que para sair verdadeiramente do inferno terá que lutar todos
os dias. Um fato incontestável é que a cocaína
é a única substância tóxica, entre as drogas
usadas normalmente, capaz de matar repentinamente sua vítima.
Entre as seqüelas deixadas por ela, podem estar a paralisia de
parte do corpo, as dificuldades respiratórias e a destruição
da cartilagem nasal e do chamado céu da boca.
princípio,
a cocaína provoca euforia, gera a dependência e depois
mostra a sua face nos estragos que produz no organismo, podendo resultar
em morte súbita ou em complicações hepáticas,
cardíacas ou nas glândulas sexuais.
O efeito anorexígeno (inibidor da fome) resulta
da ação da cocaína sobre o hipotálamo. No
cérebro, a droga bloqueia os níveis pré-sinápticos
e rompe os neurotransmissores dopamina, serotonina e noradrenalina.
Com isto, ocorre um “excesso de oferta” desses neurotransmissores,
que ficam à disposição dos receptores pós-sinápticos,
um eixo biológico que provoca uma somação de grandiosidade,
euforia, prazer, excitação sexual e outros sintomas. Esse
conjunto de sensações também é chamado de
“Síndrome de Popeye”, numa comparação
da cocaína ao espinafre que dá superpoderes ao marinheiro
do desenho animado.
Um
preço alto demais
Precisamos compreender que em nossos cérebros
ocorrem trilhões de intercâmbios neuroquímicos por
minuto, e se perceberá com evidência o preço que
se paga por viver uma experiência de euforia. Um preço
alto demais, considerando-se as conseqüên-cias que o indivíduo
terá que suportar.
A grande cilada da cocaína é que numa
primeira etapa a droga parece muito eficiente como ação
bloqueadora da recaptação pré-sináptica,
ou seja: ela chega a produzir efeitos semelhantes aos dos antidepressivos
inibidores da recaptação da serotonina. Porém,
a cocaína vai destruindo, vai queimando os receptores pós-sinápticos,
e começa a perder suas funções – ou simplesmente
tem suas forças anuladas. Isto produz estados paranóicos
que podem chegar a níveis psicóticos e depressões
graves, que acabam gerando ações suicidas.
Na luta contra a cocaína, o tratamento psiquiátrico
é fundamental. Na verdade, ao recorrer à droga, a pessoa
está psicologicamente muito mal. O dependente precisa ser convencido
da importância da vida. O tratamento com antidepressivos e aminoácidos
ajuda a evitar que ele saia em busca da droga assim como o Popeye procura
o espinafre, certo de que ali está a sua força, a sua
energia.
A psicoterapia de apoio tem uma grande importância,
já que o abandono e a carência afetiva são fatores
importantes para a atração pela droga. Convém lembrar
que, se o dependente de cocaína quiser ficar livre dela, ele
não poderá ingerir nunca mais uma gota de álcool.
Atualmente, sabemos que a cocaína é
um inimigo incomparável, que pode arruinar pessoas e destruir
comunidades. Por isso, precisamos combater esse mal com educação
e prevenção. A sociedade precisa estar muito bem informada
sobre os males provocados por essa droga.
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