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Nobel da Paz inspirou rotarianos

Pioneiro dos microcréditos, Muhammad Yunus recebeu
a maior honraria de nossa organização em 1999

Para os rotarianos, todos os dias são importantes na prestação de serviços à comunidade e na divulgação dos ideais que norteiam nossa organização. No entanto, fevereiro tem para todos nós um significado especial. Foi neste mês, mais precisamente no dia 23 de fevereiro de 1905, que Paul Harris e seus companheiros Gustavus Loehr, Hiram Shorey e Silvester Schiele reuniram-se pela primeira vez em Chicago, iniciando nossa maravilhosa história.

urante a Convenção do RI de 1999, realizada em Cingapura, o economista Muhammad Yunus foi agraciado com a maior honraria do Rotary, o Prêmio pela Compreensão Mundial, por sua idéia de ajudar os pobres a iniciar seus próprios negócios com o auxílio de microcréditos. O prêmio, no valor de US$ 100 mil, foi doado ao Grameen Bank, instituição concessora dos créditos. “A idéia de Yunus, embora simples, revolucionou as iniciativas humanitárias de assistência”, afirmou o então presidente do RI, James Lacy. “Este prêmio serve para reconhecer os significativos resultados do Grameen Bank, que permitiu a pessoas do mundo inteiro melhorar seu padrão de vida. Na qualidade de ativistas humanitários, os sócios do Rotary International enaltecem esse trabalho de desenvolvimento econômico”.
   Os rotarianos também mantêm seus projetos de microcréditos, sustentados através de programas da Fundação Rotária, como o Subsídios Humanitários e de Serviços à Comunidade Mundial. A Fundação financia atualmente mais de 60 projetos dessa natureza em todo o mundo.
   Muhammad Yunus teve seu momento de inspiração em 1976 quando, conversando com uma pequena fabricante de bancos de bambu em Jobra, Bangladesh, soube de sua dificuldade para adquirir a crédito o suprimento diário de matéria-prima – à época por 25 cents de dólar – junto a um fornecedor que, por sua vez, comprava-lhe a produção por pouco mais do que nada. Yunus, professor da Universidade de Chittagong, próxima do local, não hesitou em dar-lhe a quantia necessária. Ele soube que outros aldeões costumavam cair naquele tipo de armadilha financeira, que totalizava US$ 27.
   “Dei o dinheiro do meu bolso para livrar aquela gente da relação difícil com seus credores e fornecedores”, contou Yunes aos rotarianos na Convenção de Cingapura. Com o dinheiro, os trabalhadores foram capazes de comprar a matéria-prima necessária para um dia de trabalho. Ao final de seu primeiro dia como trabalhadores independentes, os pequenos e satisfeitos empreendedores obtiveram um lucro das suas atividades e foram capazes de pagar os empréstimos contratados. “Comecei a imaginar que, se fui capaz de fazer tanta gente feliz com uma pequena quantia de dinheiro, por que não poderia fazer ainda mais?”, lembrou o economista, que então criou o Grameen Bank, depois de constatar que os aldeões não tinham acesso a empréstimos de instituições tradicionais. Hoje em dia, o banco concede empréstimos às pessoas mais pobres sem lhes pedir garantia.
   O sistema tem se revelado um grande sucesso, em especial para as mulheres, e vem tirando muitas famílias da pobreza. O impressionante retorno de 98% dos financiamentos constitui motivo de inveja para muitos dos grandes bancos do mundo. O sistema de microcréditos funciona atualmente em dezenas de países.




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