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Para os rotarianos, todos os dias são importantes na prestação
de serviços à comunidade e na divulgação
dos ideais que norteiam nossa organização. No entanto,
fevereiro tem para todos nós um significado especial. Foi neste
mês, mais precisamente no dia 23 de fevereiro de 1905, que Paul
Harris e seus companheiros Gustavus Loehr, Hiram Shorey e Silvester
Schiele reuniram-se pela primeira vez em Chicago, iniciando nossa maravilhosa
história.
o
começo, o propósito dos quatro amigos era reunir-se periodicamente
sob o espírito do companheirismo, com o intuito de desfrutar
de sua amizade e de aumentar seu círculo de negócios e
de relacionamento profissional. Mas logo aqueles pioneiros notaram que
seria um egoísmo prender-se apenas a esses objetivos –
daí seu interesse em desempenhar amplas funções
cívicas de valor para toda a comunidade local, o que acabou sendo
um passo mais ou menos lógico e esperado.
O Ideal de Servir começou a tomar forma durante
essa fase inicial, em que também surgiu a convicção
de que os negócios poderiam ser encarados como um meio de servir
à sociedade. Já na convenção de 1910 foi
proposto o lema Mais Se Beneficia Quem Melhor Serve a Seus Companheiros.
No ano seguinte, foi proposto que os Rotary Clubs deveriam organizar-se
sob o princípio Servir, Porém Não a Si Próprio.
Os dois lemas, modificados posteriormente para Mais Se Beneficia Quem
Melhor Serve e Dar de Si Antes de Pensar em Si, foram rapidamente acolhidos
por todos os rotarianos.
Inúmeros
exemplos
Em 1911, com a fundação de um clube
em Winnipeg, no Canadá, e outro em Dublin, na Irlanda, o Rotary
tornou-se internacional. A partir de então, seu interesse em
desempenhar o papel de pacificador foi uma conseqüência natural.
Ao longo de mais de um século de existência, o Rotary vem
exercendo esse papel com extremo afinco e regularidade:
• Ocorrida num período próximo
à eclosão da Primeira Guerra Mundial, a convenção
de 1914 adotou uma resolução convocando para uma conferência
internacional pela paz e pedindo aos rotarianos que apoiassem movimentos
pela paz internacional;
• Em 1917, no auge da Primeira Guerra, durante
a convenção de Atlanta, Arch C. Klumph propôs o
estabelecimento de um fundo de dotações “para fazer
o bem no mundo”, o que seria a semente da Fundação
Rotária;
• Na convenção de 1922, os delegados
aprovaram a inclusão da paz como um dos objetivos do Rotary.
Apesar de mais tarde o objetivo ter sido escrito de forma diferente,
a linguagem original sobre a paz permanece inalterada até hoje;
• Na Guerra do Chaco, disputada entre a Bolívia
e o Paraguai entre 1932 e 1935, conflito em que morreram mais de 100
mil soldados e milhares foram feitos prisioneiros, rotarianos bolivianos
e paraguaios e de outros países sul-americanos fizeram um enorme
esforço para minorar o sofrimento dos prisioneiros e de suas
famílias. Eles ajudaram a repatriar os feridos, estabeleceram
postos para a troca de correspondência entre prisioneiros e suas
famílias e distribuíram roupas, alimentos e remédios;
• Em 1939, assim que começou a Segunda
Guerra Mundial, a revista The Rotarian iniciou a publicação
de uma série de 160 artigos sobre a paz, escritos por personalidades
notáveis como Henry Ford, Ghandi e George Bernard Shaw;
• Em 1942, rotarianos de Londres convocaram
uma conferência para planejar um mundo pacífico assim que
terminasse a guerra. Representantes de 21 nações compareceram
ao encontro, que serviu para desenvolver uma visão avançada
sobre educação, ciência e cultura, e que resultou
na criação da Unesco – Organização
das Nações Unidas para a Educação, a Ciência
e a Cultura;
• Mas este não foi o único envolvimento
dos rotarianos com o nascimento de organizações mundiais.
Entre 1943 e 1945, eles participaram de uma série de reuniões
que conduziram à formação da ONU. O Rotary recebeu
o status de conselheiro durante a conferência de São Francisco,
que resultou no lançamento da carta de constituição
da ONU. Além disso, como ainda não tinha equipe própria,
a ONU contou com os rotarianos para realizar diversos serviços,
como tradução, preparação de textos de resoluções
e acordos para disputas entre os diversos delegados do mundo;
• Edward Stettinius Jr, à época
secretário de estado e líder da delegação
norte-americana, disse: “O convite para o Rotary International
participar não foi apenas um gesto de boa vontade e respeito
por essa grande organização. Foi um reconhecimento pela
parte prática que os rotarianos desempenharam e continuarão
desempenhando no desenvolvimento da compreensão entre as nações”.
Poderíamos citar inúmeros outros exemplos
do envolvimento do Rotary e dos rotarianos em trabalhos dessa natureza.
A verdade é que o Rotary abriu mão do que poderia ser
– apenas mais um clube social – para tornar-se uma grande
organização internacional, que merece o respeito dos mais
poderosos líderes do mundo devido ao trabalho que executa em
nome da compreensão entre os povos e da paz mundial.
Compreensão
e paz
Na segunda metade do século 20, o Rotary focou
seu trabalho na disseminação da harmonia internacional.
Para isso, o RI e a Fundação Rotária estabeleceram
uma série de programas que colocaram nossa organização
na vanguarda dos movimentos de paz entre os povos. São programas
como Serviços à Comunidade Mundial, Intercâmbio
Internacional de Jovens, Bolsas Educacionais, Intercâmbio de Grupos
de Estudos e Subsídios Equivalentes, que envolvem a participação
de pessoas de diferentes culturas e nacionalidades e certamente criam
um vínculo de compreensão e paz entre essas pessoas.
O Rotary sempre sonhou em ter uma instituição
educacional destinada à promoção da boa vontade
e da compreensão internacional. Esse sonho foi concretizado há
poucos anos com o lançamento dos Crei – Centros Rotary
de Estudos Internacionais da Paz e Resolução de Conflitos.
Todos os anos, 70 bolsistas são selecionados numa competição
de caráter global para estudar nas seis unidades dos Crei existentes
em universidades parceiras do programa espalhadas pelo mundo. Em dois
anos de curso de mestrado, ao custo de US$ 50 mil por bolsa de estudo,
os alunos são formados embaixadores da paz.
Portanto, muito embora vivamos momentos de incerteza
frente à possibilidade de novos conflitos mundiais, não
devemos abandonar os ideais dos nossos precursores. A paz, que nos parece
um objetivo inalcançável, um dia será realidade.
Apesar da arrogância daqueles que detêm o poder bélico
e se julgam os donos da verdade; apesar da ganância dos senhores
do poder econômico, sempre interessados em aumentar suas riquezas;
apesar da intolerância daqueles que colocam fatores religiosos
ou culturais acima do bem comum, e da ignorância das massas que
são conduzidas por esses profetas do apocalipse, nós,
os homens de boa vontade, grupo ao qual os rotarianos pertencem –
embora, graças a Deus, não sejamos os únicos –
temos a esperança de um dia ver concretizada a visão do
futuro do Prêmio Nobel da Paz, Martin Luther King:
“Um dia os jovens aprenderão palavras
que não compreenderão.
As crianças da Índia vão perguntar:
‘O que é fome?’
As crianças do Alabama questionarão:
‘O que é segregação racial?’
As crianças de Hiroshima se assombrarão:
‘O que é bomba atômica?’
E as crianças na escola vão indagar:
‘O que é guerra?’
E tu lhes responderás, tu lhes dirás:
São palavras que não se usam mais, como
as diligências, as galeras ou a escravidão.
São palavras que nada exprimem. Essa é
a razão por que foram retiradas do dicionário.’”
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