|
Quando Wilfrid J. Wilkinson entrou para o RC de Trenton, Canadá
(D.7070) em 1962, seu clube preocupava-se em servir à comunidade
discretamente. Mas ele logo participou de sua primeira Convenção
do Rl e foi imediatamente conquistado pela internacionalidade de nossa
organização. Quatro décadas depois, ao longo das
quais ocupou os mais diversos cargos e funções no Rotary,
Wilfrid está às vésperas de ocupar o maior deles:
o de presidente do Rotary Internartional durante o ano 2007-08. Em uma
conversa com o editor-chefe da The Rotarian, Vince Aversano, ele fala
sobre a importância de seu papel, suas ênfases como presidente
e o lema para este ano, Rotary Compartilha.
Sua
presidência vai coincidir com a celebração de seus
45 anos como rotariano. Existem vantagens em pertencer por tanto tempo
à mesma organização de serviços?
Em primeiro lugar, minha mulher Joan e eu temos mantido
contato com os amigos rotarianos que fizemos no Canadá e no resto
do mundo. Existe também o sentimento de saber que fazemos a diferença,
seja em nível pessoal, de clube ou mesmo internacional. Uma organização
como o Rotary nos dá a chance de realizar grandes projetos de
serviço, como é o caso da campanha de erradicação
da pólio. Tudo isso nos deixa muito orgulhosos.
Você
será o primeiro canadense a presidir o Rotary International nos
últimos 50 anos. Os rotarianos canadenses possuem uma identidade
diferente de seus vizinhos norte-americanos?
Sim, a identidade dos rotarianos canadenses é
diferente, e de certa forma complementa a identidade dos norte-americanos,
colaborando para o sonho deles de fazer do Rotary uma organização
realmente internacional. Os rotarianos do Canadá e dos EUA parecem
querer pertencer ao mesmo distrito, o que ocasiona alguns problemas
administrativos. Dos 23 distritos existentes no Canadá, 16 são
internacionais. Há pelo menos três clubes que se reúnem
em semanas alternadas: uma nos EUA, outra em território canadense.
Isso acontece porque eles estão na fronteira entre os dois países.
Quais
são as suas credenciais para se tornar presidente do RI?
Os meus 44 anos de serviço rotário.
No Rotary, a gente aprende trabalhando. Antes de completar dois anos
como rotariano, eu e minha mulher tivemos a grande oportunidade de assistir
à nossa primeira Convenção Internacional. Naquela
ocasião, enxergamos as diversas oportunidades que a organização
oferecia. Numa Convenção Internacional, a internacionalidade
do Rotary é plenamente sentida e causa um grande impacto. Quando
vemos os rotarianos de todo o mundo usando seus trajes típicos
durante a cerimônia da bandeira, ou quando ouvimos os palestrantes
de altíssimo nível que se apresentam nesses eventos, não
demoramos a concluir o porquê da importância e do significado
do Rotary.
Como
você vê o seu papel como presidente?
O meu papel é o de liderar e servir de elo
de ligação entre o Conselho Diretor e a administração.
Mas também serei o principal porta-voz de nossa organização
durante o ano da minha presidência, e por isso tenho que estar
a par de todas as ações e decisões tomadas pelo
Rotary International para comunicá-las de forma adequada.
Você
acabou de falar que se tornará a principal figura pública
do RI durante seu ano à frente da organização.
Isso significa que o papel do presidente mudou de uns tempos para cá?
Não acho que as responsabilidades do presidente
do RI tenham mudado. Mas hoje nós temos uma necessidade maior
de envolvimento com a mídia, porque o Rotary concluiu, com acerto,
que precisamos reforçar nossa imagem pública. Assim, é
natural que o presidente possa identificar e enunciar essa política,
colaborando para aumentar a exposição pública do
Rotary em nível mundial.
Como
você vê a imagem pública do Rotary? E o que você
acha que deve ser melhorado no período entre os próximos
5 e 10 anos?
Desde que me tornei rotariano, assisti a enormes mudanças
em nossa organização. Ao entrar para o meu clube, na pequena
cidade de Ontário, nos preocupávamos prioritariamente
com as questões locais, especialmente ligadas às crianças
com deficiências físicas. Naquela época nossa intenção
era servir às pessoas e à comunidade sem alardes, sem
procurar notoriedade ou criar embaraço para as pessoas atendidas.
Essa era uma atitude típica daquele tempo. Hoje em dia, temos
que justificar aos sócios em potencial o porquê de se juntar
a nós. Para isso, precisamos mostrar à comunidade local
o que está sendo feito, e publicar as realizações
do Rotary. As pessoas são bombardeadas todos os dias com notícias
através da TV, dos e-mails e dos aparelhos celulares. O Rotary
precisa se adaptar a este novo e conturbado ambiente para não
correr o risco de ser engolido.
Na
convenção de Malmö e Copenhague, realizada no ano
passado, o então presidente do RI Carl-Wilhelm Stenhammar falou
sobre as mudanças que ele considerava necessárias ao Rotary.
E você, quais apontaria?
Essa é uma pergunta muito difícil para
um presidente entrante, cuja função é se conduzir
de acordo com as normas e procedimentos estabelecidos pelo Conselho
Diretor. De qualquer forma, eu acredito que as maiores mudanças
sempre são feitas pelos sócios. Agora nós temos
a presença feminina em nosso quadro social, o que é um
detalhe fundamental. Já temos uma mulher no Conselho de Curadores
da Fundação Rotária, brevemente teremos outra no
Conselho Diretor e, esperamos, na presidência do RI.
Mas há outras novidades. No meu clube, por
exemplo, cuja presença nas reuniões sempre ficou em torno
de 90%, considerávamos relaxado o sócio que não
recuperava suas faltas. No entanto, para nos acomodarmos às necessidades
dos nossos sócios mais jovens e suas agendas profissionais apertadas,
modificamos as regras de comparecimento. As faltas eram dificilmente
toleradas no meu tempo. Hoje, compreendemos que os sócios viajam
mais a trabalho e passam mais tempo com suas famílias. Mas é
importante não esquecer que o Rotary é companheirismo.
Se os sócios perdem o hábito de freqüentar as reuniões,
essa característica se perde.
O
que deveria ser enfatizado em nossas campanhas de relações
públicas para convencermos as pessoas de que o Rotary é
efetivamente importante?
A Humanidade em Movimento é um grande tema
de campanha, assim como o nosso novo slogan, A Paz é Possível.
Se compartilharmos essas idéias com o resto do mundo, tenho certeza
de que seremos reconhecidos. Temos feito coisas maravilhosas em muitos
lugares, e acredito que a nossa tarefa é levar mensagens positivas
através de uma mídia que anda tão contaminada por
notícias negativas. Este é o nosso desafio: alargar o
alcance das nossas mensagens positivas e encorajar as pessoas a se juntarem
a nós.
O
Rotary ainda é importante para os jovens e homens de negócio?
Tinha acabado de completar 30 anos quando entrei para
o Rotary. Eu era um dos “meninos”, o segundo sócio
mais jovem do meu clube. No ano passado, dois companheiros tiveram filhos,
e assim voltamos a ser jovens outra vez. A verdade é que alguns
clubes podem morrer se não recrutarem sócios mais jovens.
Mas à medida que criarmos novos clubes, poderemos superar esse
fato. Não vejo coisa melhor para um jovem do que se tornar rotariano,
por isso fico feliz ao ver que meus filhos também estão
aderindo a essa idéia. O Rotary oferece muitos atrativos aos
jovens ao proporcionar-lhes oportunidades que eles não encontrariam
em outro lugar.
O
que os seus filhos acham do Rotary?
Graças a Joan, meus filhos cresceram no Rotary.
É claro que eles poderiam falar de algumas lembranças
não muito boas, como a ocasião em que os envolvi numa
campanha de arrecadação de fundos promovida pelo meu clube.
Por outro lado, eles também vão contar coisas maravilhosas,
como a ida deles às convenções do RI. Todos os
nossos filhos já compareceram a pelo menos uma convenção.
Em 1976, fomos juntos a Nova Orleans, nos EUA. Até hoje, toda
vez que a família se reúne sai alguma coisa sobre aquela
experiência. Dois dos meus filhos já são rotarianos,
e um outro é Kiwanis! (N.E.: Um clube internacional de serviços
fundado em Detroit em 1915 que se dedica prioritariamente às
crianças)
O
que distingue o Rotary das outras organizações humanitárias?
Nossa grande vantagem é a internacionalidade.
Somos uma organização que conta com mais de 1,2 milhão
de sócios em mais de 200 países e regiões geográficas,
que promove a paz e a boa vontade, e incentiva a ajuda mútua.
Desta forma, somos capazes de construir pontes que nos levam aos pontos
onde existem problemas com maior velocidade do que outras entidades
prestadoras de serviços.
O
que une os rotarianos?
Acho que a nossa doutrina, espelhada na Prova Quádrupla,
e o nosso engajamento muito especial com o serviço comunitário
e o comportamento ético, em especial no mundo dos negócios.
Nosso compromisso com o serviço profissional também é
um ponto importante. Pretendo enfatizar essas virtudes no meu ano presidencial.
O Rotary congrega pessoas que compartilham esses valores tão
especiais.
Isto significa que a Prova Quádrupla
será um dos principais enfoques na difusão da imagem do
Rotary?
Sim. Queremos, com certeza, enfatizar o nosso trabalho
humanitário, mas não podemos esquecer que os padrões
éticos são igualmente importantes.
A
ênfase na melhoria dos padrões éticos nos negócios
foi o que mais o atraiu no Rotary?
Não exatamente. Eu vim para o Rotary principalmente
porque, recém-chegado a uma pequena cidade, estava envolvido
com a comunidade através dos escoteiros. O que me estimulou foi
conhecer alguns rotarianos naquele meio. Jamais imaginei que o Rotary
iria melhorar minha carreira, mas foi o que acabou acontecendo. Sempre
que entrevistava rotarianos em potencial, contava-lhes que, quando fui
presidente do meu clube, não tinha sócios no meu negócio.
Ao me tornar governador do distrito, tinha três sócios,
que já eram 14 quando me tornei diretor do RI – e minha
firma já tinha se estendido para três comunidades. Descobri
que muitas vezes as pessoas procuram conselheiros em quem possam confiar.
Quem seria mais indicado do que alguém comprometido com os mesmos
padrões de ética que você, como acontece com os
rotarianos? Os negócios florescem de forma natural quando existe
essa forma de ligação. Mas eu sempre alertei meus parceiros
para não ingressarem num Rotary Club a menos que quisessem realmente
participar e prestar serviços. Além da satisfação
no ato em si, a prestação de serviços traz a certeza
de que o negócio irá prosperar.
Qual
o seu relacionamento com o presidente Bill Boyd, que está terminando
o mandato?
Muito bom, até porque ele está realizando
um mandato maravilhoso. Na ONU, Bill fez um ótimo discurso, e
com duas peculiaridades: dentro do tempo disponível e sem consultar
nenhum apontamento. Sei que qualquer EGD conseguiria falar com propriedade
sem recorrer à consulta de notas, mas Bill fez isso dentro do
tempo permitido (risos). Se investigarmos, talvez descubramos que Bill
nunca foi EGD!!
Você
escolheu o lema Rotary Compartilha para o seu ano como presidente. O
que o levou a essa decisão?
Essa sempre foi a minha concepção do
Rotary. Ao longo de todos esses anos em que pertenço à
organização, sinto que o Rotary International sempre compartilhou
as coisas com os outros de forma extraordinária. Os rotarianos
trabalham lado a lado de outras organizações voltadas
para a comunidade, como a Easter Seals, e de entidades internacionais
como a Unesco e a ONU. E com a mesma competência. A maior prova
disso são os nossos grandes projetos internacionais, como o Polio
Plus. Somos uma organização que se baseia na participação,
mas ainda temos muito o que realizar. Foi por essa razão que
escolhi o lema 2007-08. Em primeiro lugar, para que ele seja uma afirmação.
Em segundo, para que simbolize um ideal a ser indicado para os nossos
sócios em potencial; e em terceiro lugar, para que ele seja um
desafio aos clubes que não estão compartilhando como deveriam.
Sinto que o lema Rotary Compartilha tipifica a nossa organização,
aquilo que deveríamos fazer, o que estamos fazendo agora e a
nossa esperança no futuro.
Quais
serão as suas maiores ênfases, no ano que vem?
Lendo o plano estratégico do RI, que ajudei
a preparar em 2001-02, convenço-me de que o Rotary precisa manter
um alvo consistente. Assim, as minhas ênfases serão similares
às dos outros presidentes. Temos que cuidar dos recursos hídricos,
promover a saúde e a alfabetização e combater a
fome. Temos que continuar com a expansão da Família Rotária
e nos concentrarmos, em especial, na juventude. Como presidente, criarei
um novo grupo voltado aos nossos jovens.
Espero que todos os clubes encontrem os meios de atender
essas ênfases. Com a ajuda dos grupos de recursos e da comissão
presidencial de assessoria, vamos oferecer-lhes novas idéias.
Por exemplo: iremos desenvolver um enorme esforço em prol da
alfabetização através do método Lighthouse.
É impressionante o número de pessoas que ensinamos a ler
e a escrever. Isto será feito, prioritariamente, nos países
em desenvolvimento. Mas aqui na América do Norte, o analfabetismo
ainda representa um grande problema. Espero que através de programas
de alfabetização assistida, feita por meio de computadores,
possamos tratar da questão com maior eficiência, com projetos
de dicionários e o sistema canadense de alfabetização
através de computadores. Espero ainda promover programas de microcrédito
para ajudar a tirar mais pessoas da condição de pobreza,
na África em especial. De uma maneira geral, as ênfases
consistirão em dotar os clubes com mais sugestões sobre
assistência. Todo mundo tem que participar, mas a liderança
pode ser do Rotary.
No entanto, o crescimento do quadro social é
um item essencial. Não podemos examinar o que os rotarianos estão
fazendo hoje sem nos preocuparmos com o que eles poderão fazer
amanhã. Acredito que cada rotariano deve se sentir responsável
por trazer pelo menos um novo sócio para seu clube. Um novo companheiro
que eles assistirão e transformarão num rotariano comprometido.
É assim que o Rotary compartilha.
O
que você espera da Convenção de Los Angeles?
As perspectivas para a Convenção Internacional
de 2008 me animam bastante. Há mais de 18 mil rotarianos somente
na Califórnia, e eles estão ansiosos para abrigar esse
evento. Esperamos poder saudar todos os clubes. Teremos a presença
de muitos líderes rotários, como o EDRI e curador da Fundação
Rotária Ray Klinginsmith, que será o coordenador-geral
da Convenção, além de muitas pessoas qualificadas
na comissão organizadora, como Gerry Turner. Um dos pontos altos
será a ênfase dada à alfabetização.
Com a parceria do jornal Los Angeles Times, esperamos formar uma pilha
de 25.000 livros. Todos estão determinados a fazer desse evento
um grande sucesso.
|