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Auto-suficiência em hemoderiados

Rotary está apoiando a instalação da primeira
fábrica da Hemobrás, em Pernambuco

onvidado pelo RC do Recife-Largo da Paz, PE (D. 4500) o presidente da Hemobrás – Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia, João Paulo Baccara, esteve na capital pernambucana no dia 7 de fevereiro para proferir uma palestra sobre a função social da empresa e os esforços que ela vem propondo desenvolver para que o Ministério da Saúde (ao qual é vinculada) reduza a importação de hemoderivados essenciais ao tratamento dos pacientes do SUS – Sistema Único de Saúde, entre eles os portadores de hemofilia, o que hoje representa um custo superior a US$ 450 milhões.
   A Hemobrás vai instalar sua primeira grande unidade industrial em nível nacional no município de Goiana, localizado na Mata Norte de Pernambuco. Demandando um investimento superior a US$ 80 milhões, a unidade deverá entrar em funcionamento nos próximos três anos, e vai ocupar uma grande área plana onde o governo do estado irá implantar o pólo farmoquímico, tendo a fábrica da Hemobrás como âncora.
   A Hemobrás foi criada a partir de uma autorização do Congresso Nacional ao Poder Executivo em dezembro de 2004. Sua efetivação ocorreu pouco depois, em setembro de 2005, com a nomeação da diretoria e o início do processo de implantação da empresa, que tem como principal objetivo substituir a importação dos hemoderivados, possibilitando que o Brasil alcance a auto-suficiência na produção de albumina, imunoglobulina e dos concentrados do fator VIII e IX de coagulação. Dessa maneira, a Hemobrás ampliará em todo o país a oferta de produtos essenciais e de alto custo para os pacientes portadores de doenças graves como hemofilia, câncer, Aids e patologias infecciosas, entre outras, além de pesquisar e desenvolver novos produtos e insumos através da biotecnologia.

   Estado pioneiro
   “Saúde, Desenvolvimento e Inclusão Social” foi o tema da palestra que o presidente da Hemobrás proferiu para um auditório de mais de uma centena de rotarianos e convidados durante a reunião plenária do RC do Recife-Largo da Paz, atualmente presidido por Celma Antonino, mulher do EDRI Mário de Oliveira Antonino. João Paulo Baccara explicou que a Hemobrás terá por finalidade produzir hemoderivados a partir do fracionamento do plasma sangüíneo excedente do uso em transfusões, observando-se sempre a prioridade para o tratamento dos pacientes do SUS. A empresa vai fabricar produtos biológicos e reagentes obtidos por engenharia genética ou por processos de biotecnologia na área de hemoterapia, além de executar atividades de pesquisa básica ou aplicada de caráter científico e tecnológico.
   Segundo ele, a Hemobrás cumprirá suas finalidades com excelência de qualidade e responsabilidade sócio-ambiental. João Paulo também falou sobre as características naturais da área onde a fábrica será instalada em Pernambuco, uma região em que predomina a monocultura do açúcar, não havendo qualquer possibilidade de agressão ao meio ambiente.
   Demonstrando conhecer a realidade de Pernambuco, o palestrante lembrou que o estado é pioneiro no desenvolvimento de ações relacionadas ao sangue, pois o Hemope – Hemoterapia de Pernambuco – é uma instituição que vem realizando serviços de hematologia e hemoterapia desde 1970. João Paulo Baccara recordou que foi por meio de um projeto apoiado pela Fundação Rotária do RI em 1976, e estimado em US$ 42 mil, que o RC do Recife (o mais antigo das regiões Norte e Nordeste, com 76 anos de existência) importou dos EUA equipamentos para crioscopia e conservação sangüínea. Todos esses equipamentos foram doados ao Hemope, hoje uma bem-sucedida fundação que realiza um importante trabalho nessa área, sob a liderança de competentes profissionais da medicina, destacando-se o pioneirismo de Luiz Gonzaga dos Santos e a relevante atuação dos médicos Cândida Cairutas, Aderson Araújo e Alita Azevedo.

   Conversa com o presidente
   Em entrevista, o presidente da Hemobrás afirmou que o Brasil recebe anualmente 4,5 milhões de doações de sangue, o que resulta num volume de plasma excedente da ordem de 500 mil litros, quantidade que poderia ser utilizada na produção de hemoderivados. Ele contou que em 1996 o Brasil iniciou a compra e a distribuição dos fatores VIII e IX, utilizados no tratamento dos pacientes hemofílicos, e que hoje o gasto anual com a compra desses produtos gira em torno dos US$ 120 milhões. Se considerarmos a demanda nacional por imunoglobulina poliespecífica e albumina, o gasto chega a cerca de US$ 450 milhões.
   Segundo João Paulo Baccara, a Hemobrás está trazendo a solução definitiva para esse problema ao criar condições para que o país fracione seu próprio plasma, uma decisão que, além de representar economia, vai gerar desenvolvimento tecnológico regional, desconcentração de conhecimento e ganhos sociais, com a criação de 230 empregos diretos. Por todos esses motivos, disse o presidente, justifica-se o custo de mais de US$ 80 milhões para a implantação da fábrica em Pernambuco, que terá a capacidade de fracionar 500 mil litros de plasma anualmente, tornando-se auto-sustentável num prazo estimado de três anos após o início de seu funcionamento.
   Finalizando, João Paulo informou que já foi iniciado o processo de seleção de transferência de tecnologia, e que apenas 10 países e 22 empresas em todo o mundo detêm a tecnologia para o fracionamento do plasma nos moldes solicitados pela Hemobrás. O processo, segundo ele, é muito complexo, por tratar-se de tecnologia de ponta e acesso a segredo industrial. Cumprindo-se o cronograma estabelecido no planejamento estratégico da empresa, no início de 2010 a equipe técnica estará treinada, e a planta industrial pronta e equipada. No início do segundo semestre daquele ano, os processos deverão estar validados, assim como a fábrica e os equipamentos, e os três primeiros lotes aprovados e, posteriormente, registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Espera-se que no último trimestre de 2010 os primeiros produtos resultantes do fracionamento do plasma brasileiro possam ser entregues ao Ministério da Saúde.
   Ainda em 2007, através de uma parceria com o Hemope, a Hemobrás estará entregando ao SUS os primeiros lotes da cola de fibrina – um produto muito utilizado em cirurgias ortopédicas e transplantes hepáticos. Com a parceria de outras entidades, como a Bio-Manguinhos (da Fundação Osvaldo Cruz), a Universidade Federal do Rio de Janeiro e Instituto de Biologia Molecular do Paraná, a Hemobrás vai finalizar o desenvolvimento e a validação do NAT – Teste de Ácido Nucléico – utilizado na detecção dos vírus da Aids e da hepatite C. O exame será utilizado em toda a rede de bancos de sangue e hemocentros do país.

   A parceria do Rotary
   O Rotary fechou uma parceria com a Hemobrás e a prefeitura de Goiana ao participar da inauguração de um Quiosque da Cidadania, onde funcionará uma biblioteca. Os primeiros 500 títulos colocados à disposição da população foram doados pelo RC do Recife-Largo da Paz. Para viabilizar o programa de Inclusão Digital, idealizado pelo Ministério da Integração Nacional, todos os equipamentos foram doados pela Hemobrás. O projeto já está em funcionamento num amplo espaço cultural onde, antigamente, funcionava um presídio público, e que foi cedido pelo prefeito de Goiana, Henrique Fenelon.
Lá, jovens carentes estão sendo preparados para conquistar espaço no mercado de trabalho, o que, segundo o EDRI Mário de Oliveira Antonino, é coerente com a filosofia do Rotary ao representar uma significativa contribuição à causa do Servir, fomentando o desenvolvimento e a inclusão social da comunidade.




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