Fale conosco Conheça o Rotary Página inicial

Voluntários brasileiros no Quênia

Durante as férias, rotariano e a mulher viajam à África para
melhorar a vida de muitas pessoas e estreitar os laços entre dois países

   O Rotary International dedica o mês de outubro aos Serviços Profissionais. Em seu Manual de Procedimento (edição de 2004), o RI recomenda que durante este mês sejam prestadas homenagens a Voluntários do Rotary em eventos distritais; que sejam promovidos os Grupos de Companheirismo; que seja patrocinada uma atividade ou projeto de Serviços Profissionais e o desenvolvimento do quadro social de seu clube através do preenchimento das classificações vagas.
   Para comemorar o tema, estamos publicando este relato do dentista Rubem Beraldo dos Santos, presidente do RC de Cachoeira do Sul-Princesa do Jacuí, RS (D.4780), que durante suas férias viajou ao Quênia na companhia da mulher, Carmen, para prestar atendimento odontológico gratuito à população desse país africano que conta com pouquíssimos recursos de saúde.

nimados por estarmos pisando o solo africano pela primeira vez, chegamos a Nairóbi, capital do Quênia, no dia 31 de dezembro de 2006. Apesar do cansaço após as 21 horas de vôo desde Porto Alegre, começamos a viver 30 dias de férias diferentes de tudo que conhecíamos, servindo ao povo queniano como Voluntários do Rotary – eu como dentista e minha mulher, Carmen Lúcia, como minha assistente.
   Nós dois fomos aceitos no projeto Kilimambogo Dental Clinic porque, além de clinicar no meu consultório, sou professor do curso de odontologia da Ulbra – Universidade Luterana do Brasil, no campus de Cachoeira do Sul, RS, onde Carmen é estudante de graduação, além de ser técnica em prótese dental.
   Tenho a satisfação de dizer que, durante a viagem, cerca de 35 pessoas foram beneficiadas diretamente com a nossa atuação em cada um dos nossos extenuantes dias de trabalho – e isso em condições mais que precárias. No entanto, foi maravilhoso poder ajudar um povo tão carente. Somos gratos ao Rotary por ter nos proporcionado essa que foi, sem dúvida, a melhor experiência de nossas vidas”.

   Dificuldades
   “No Quênia, pelo menos de acordo com a nossa visão de voluntários, temos a sensação de ter regredido uns 50 anos em relação ao Sul e ao Sudeste do Brasil. Lá, quase a metade da população é analfabeta e a maior parte dos pacientes que atendemos não tinha escova de dentes. A maioria também não fala inglês (uma das línguas oficiais do país), principalmente os idosos e as crianças que ainda não freqüentam a escola. Para contornar essa dificuldade, contamos com a colaboração de Bernard e Michael, dois amigos que logo fizemos por lá. Além de traduzirem para nós o suaíli (outra língua oficial), eles dirigiam os veículos, esterilizavam e transportavam o instrumental e anotavam os procedimentos realizados.
   Vale registrar também que trabalhamos dois dias no Hospital de Kilimambogo, localizado a cerca de 70 quilômetros de Nairóbi, no povoado da cidade de Thika. Em outros três dias, demos expediente em postos avançados no interior do país. Para alcançarmos vários deles, foram necessárias viagens de até duas horas carregando um gerador, fundamental para o trabalho diante da falta de energia elétrica em muitos locais.
   Nossa presença nesses lugares atraía dezenas de pessoas, ávidas por qualquer assistência. Procuramos atender a maior parte delas. No entanto, uma assistência em caráter efetivo e permanente no Quênia e em outros países africanos vai exigir mais voluntários rotarianos, de todas as regiões do Brasil, viajando num sistema de rodízio.
   Na verdade, todas as áreas de saúde no Quênia – e não é só a assistência dentária – nos pareceram precárias. Como o povo das regiões que percorremos, nós desconhecemos ações de saúde custeadas pelo governo local. Diante desse cenário tão desfavorável, Carmen chegou a afirmar: ‘Provavelmente, a maioria das extrações que realizamos seriam evitadas se dispuséssemos das mesmas condições da odontologia oferecida no Brasil’.
   O povo de Kilimambogo é muito pobre, e a maioria só encontra trabalho temporário nas lavouras de abacaxi, sendo que sua vida torna-se infinitamente mais difícil entre agosto e outubro, meses marcados por uma terrível seca. Com a falta da chuva, a atividade agrícola é imediatamente interrompida, fato que dá origem a um outro mais grave: a escassez de alimentos”.

   RCs locais
   “Durante a viagem, visitamos os RCs de Thika e Nairóbi – este último, o mais antigo no Quênia (fundado em 1920), o maior da África e responsável pelo projeto. Em ambos, fizemos muitos amigos. O RC de Nairóbi materializou sua gratidão ao nosso trabalho por meio do registro de nossa passagem pelo país em um de seus boletins, que está disponível para leitura na internet <www.rotarynairobi.org/newsletters/RCNNewsV226.pdf>
   Além das atividades odontológicas, nos ocupamos também com a prevenção de doenças bucais, ministrando ensinamentos às crianças do Orfanato Kisutawi Village. A instituição é mantida com recursos vindos dos EUA – que possibilitam ainda o cultivo de milho, hortaliças e batata no terreno do orfanato – e uma receita adicional, obtida com a venda de produtos artesanais, complementada com as doações de pessoas que conhecem a seriedade do trabalho dirigido pela companheira Elizabeth Gitaw, do RC de Thika.
   A entidade acolhe 63 crianças entre meninas e meninos, com histórias de vida tristes, já que a maioria perdeu os pais vitimados pela AIDS. Algumas meninas ainda carregam o relato de terem sido vendidas pelas famílias para homens mais velhos, de terem trabalhado como escravas domésticas ou resgatadas da prostituição.
   Sobre a viagem, Carmen relata: ‘Nós nos divertimos, educamos através dos cuidados com a saúde bucal e distribuímos bonés e camisetas do Brasil, doados pelo campus da Ulbra em Cachoeira do Sul. Em troca, recebemos muito carinho das crianças’.
   E eu concluo: nós nos sentimos altamente gratificados pelas manifestações de agradecimento e amizade que recebemos por parte do povo queniano. Acreditamos que nossa participação nessa carente (porém simpática) nação africana, apesar de modesta, contribuiu para estreitarmos ainda mais os laços de amizade entre os quenianos e os brasileiros.
   Considerando que o futebol é um esporte muito difundido no Quênia, sugiro que na próxima Copa do Mundo a segunda opção para nossa torcida seja para os quenianos, já que eles são unânimes em declarar: ‘Nós amamos o futebol e a Seleção Brasileira’”
.




| Voltar | Principal | Rotary | E-mail |

© Copyright 2007 - Revista Brasil Rotário