| governadora do distrito 4490, Eulália das Neves Ferreira, não pôde visitar o recém-fundado Rotary Club de Itapecuru Mirim, no Maranhão. É que as fortes chuvas que caíram naquela cidade causaram a interdição da BR-222 no início da noite de 5 de maio. O nível do rio subiu e invadiu a rodovia; a única opção para atravessá-la era um trator. Dezenas de pessoas, incluindo mulheres, crianças, idosos – e até uma família que se dirigia a um velório – tiveram de passar a noite na beira da estrada. As ameaças de chuvas na região se mantinham até o fechamento desta edição.
A partir de São Luís, onde mora, a governadora tomou conhecimento dos estragos e visitou os locais mais críticos da cidade, justamente os bairros pobres da periferia. E a situação abarcou todo o distrito, que compreende os estados do Maranhão, Piauí e Ceará (embora estes não sejam os únicos atingidos). A elevação dos rios – que em alguns casos foi de mais de seis metros –, o desabamento de barrancos e a destruição de casas e estradas acarretaram quadros de calamidade pública, principalmente no interior.
Prejuízo de R$ 1 bilhão
“Nunca presenciei algo assim. Além do caso de Itapecuru Mirim, Pedreira é outra cidade a que não pude ir; o acesso está interditado. Milhares de famílias estão desabrigadas no Maranhão, sem condições mínimas de sobrevivência e higiene. Essas pessoas perderam quase tudo: roupas, móveis, casas, a certeza de um amanhã. Nesse momento, temos de nos mobilizar. São 72 municípios em situação de emergência. O distrito está agregando esforços à Defesa Civil e arrecadando donativos e enviando a essas famílias”, ela explicou.
Segundo informou o Ministério da Integração Nacional na primeira semana de maio, as chuvas que estavam caindo sobre a região Nordeste já haviam causado prejuízo de R$ 1 bilhão. No Maranhão, 196.173 pessoas foram atingidas, sendo mais de 39 mil desalojadas e 26 mil desabrigadas. Outros estados que sofreram os efeitos das chuvas iniciadas em março foram Rio Grande do Norte, Paraíba e Bahia. No total, 207 cidades em situação de emergência e, no mínimo, 35 mortos.
“Só aqui na capital, são 250 famílias desabrigadas. Um casal morreu, levado pelas águas. Há várias casas em situação de risco, apresentando rachaduras, localizadas em encostas. A prefeitura pede a evacuação dessas áreas, mas muitos não atendem aos apelos”, testemunhou a companheira Eulália.
Ela assinalou que muitos desabrigados de São Luís, antes espalhados por associações e creches, haviam sido deslocados para imóveis alugados pelo poder público municipal.
Piauí e Ceará
Para a governadora, o Piauí enfrentou situação ainda pior. Foram 71.860 pessoas afetadas, mais de 10 mil famílias desalojadas e 4.311 desabrigadas. As cidades mais afetadas: Esperantina, Barras, Campo Maior e Teresina. Na capital do estado, as atenções estavam voltadas para o rio Parnaíba, que contorna a cidade. Enquanto isso, o rio Poti, que banha os estados do Ceará e do Piauí, transbordara. Na cidade de Esperantina, no norte piauiense, 60% da safra agrícola fora perdida e as principais avenidas foram cobertas pelas águas. Só se passava por elas de barco.
No Ceará, quatro municípios haviam decretado estado de calamidade pública. O rio Acaraú, que corta o município de Sobral, chegou a subir mais de seis metros. No município de Granja, a 100 km de Sobral, o tráfego ficou bloqueado. O quadro era de estradas destruídas e várias áreas isoladas pelas inundações, cujos acessos estavam sendo possíveis apenas por helicóptero. O outro rio que banha o município, o Coreaú, avançara sobre casas, prédios públicos e praças. Parte do fórum veio abaixo. No estado todo, pelo menos 165 mil pessoas foram afetadas.
No dia em que entrevistei a governadora Eulália, ela me confessou: “Nos três dias passados, não choveu. Voltou a chover hoje. São momentos de apreensão para mim”.
Esse episódio de enchentes no Nordeste, seis meses depois dos estragos em Santa Catarina, traz apenas um aspecto bom: a oportunidade de, mais uma vez, companheiros de todo o país demonstrarem a força da solidariedade. Como ressalta Eulália Ferreira, rotarianos do Nordeste vêm se mobilizando e arrecadando alimentos, filtros de água e roupas para as vítimas.
A Campanha de Apoio aos Desabrigados das Chuvas, uma iniciativa do distrito 4490, disponibilizou uma conta para contribuições:
Caixa Econômica Federal
Associação do Distrito 4490
Agência 1739
Operação 013
Conta nº 11.051-8 |