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A Crítica
       Nelson Luís Bissaco*

   Participávamos, animadamente, de uma reunião informal de companheirismo,
com a conversa bem diversificada,  ora tratando de  questões rotárias,  ora
discutindo assuntos genéricos.  A "Brasil Rotário" foi elogiada pela abran-
gência de cobertura  das matérias,  o Rotary foi  enaltecido pela  campanha
Polio Plus, e, para quebrar o gelo, as piadas fluíram  com incrível veloci-
dade. Um companheiro disse, então, que faria uma crítica ao nosso clube.
Perguntamos se ele iria elogiar ou apontar pontos deficientes? Criticar não
é simplesmente falar mal de alguém ou de alguma coisa. Buscamos, então, uma
apostila dos tempos acadêmicos e, por sugestão, aqui apresentamos uma  sín-
tese do que é a crítica.  A matéria, portanto, não é de nossa autoria.  Foi
extraída de um documento didático.
   Na nossa vida profissional, por vezes,  somos chamados a  criticar o de-
sempenho de outras pessoas em suas atribuições  cotidianas.  Dentre  tantas
definições, podemos dizer que,  "a crítica é a arte de apreciar  méritos  e
deméritos de um desempenho".  A arte, aqui, não deve ser entendida como  um
dom nato, mas sim como uma capacidade que pode ser aprendida e  desenvolvi-
da.  O objetivo da crítica é permitir o aprimoramento dos desempenhos futu-
ros.  Não tem o propósito de destruir o criticado e, sim, ajudá-lo a execu-
tar tarefas futuras de modo mais eficiente.
   A crítica deve ser organizada e planejada com uma seqüência lógica:  in-
trodução, desenvolvimento e conclusão.  Durante a crítica sugerimos  alguns
princípios a serem observados por quem faz a apreciação.

Aceitabilidade
   A crítica deve ser aceita por quem a recebe. Considerando a personalida-
de do homem, de um modo geral reconhecemos, antecipadamente,  que é difícil
criticar, de modo a que os  conselhos e sugestões sejam  aceitos.  Devemos,
todavia, considerar alguns pontos visando facilitar a aceitação de uma crí-
tica:
   a - Não usar  expressões de  caráter  pessoal.  Dizer "eu faria  assim",
"faça como eu faço",  provoca,  algumas vezes,  antagonismo e  prejudica  a
aceitação de uma crítica. Quem está sendo criticado, muitas vezes é de opi-
nião que o crítico tem pontos deficientes, preferindo, por essa razão,  não
seguir os seus conselhos pessoais;
   b - Não ridicularizar e nem ser sarcástico. Quem é criticado, ao sentir-
se ridicularizado, adotará uma posição defensiva, impermeável à crítica;
   c - Não criticar visando a aumentar o "cartaz".  O desejo de manter  uma
atitude agradável e simpática,  ou de fazer com que a crítica seja  aceita,
poderá levar-nos a criticar, somente,  os méritos do desempenho,  relevando
os deméritos. Agindo dessa forma, estaremos comprometendo o sucesso da crí-
tica, considerando que: a pessoa criticada sente que não houve  sinceridade
e honestidade; trabalhos bons e maus são nivelados, desestimulando os  bons
trabalhos;  quem errou,  sabe quais foram os erros e  aguarda correções;  o
criticado poderá considerar incompetente quem faz a crítica e, isso não im-
pede que,  comentando os méritos e deméritos,  mantenhamos uma  atitude  de
simpatia.

Objetividade
   Não devemos nos ater a detalhes ou a coisas não ligadas ao trabalho rea-
lizado. Eis alguns pontos que nos auxiliarão na conquista dessa objetivida-
de.
   a - Não ser prolixo.  Há indivíduos que adoram ouvir o  som  da  própria
voz, demorando-se em  considerações supérfluas,  esquecendo-se da razão  de
ser da crítica.  Procuremos ser precisos e  concisos nas nossas  considera-
ções.
   b - Não criticar pontos relativamente sem importância,  deixando de lado
méritos e deméritos, realmente importantes. O modo de fazer a crítica de um
assunto sobre o qual não nos sentimos perfeitamente conhecedores,  leva-nos
a criticar pequenos pormenores,  quase sem importância se  considerarmos  o
volume total de trabalho.  Isso não quer dizer que os pormenores devam  ser
deixados de lado, apenas que pontos importantes têm que ser notados.
   c - Não procurar ressaltar a própria competência. O criticado deve reco-
nhecer-nos como  capazes de apontar-lhe  correções para as  suas falhas.  O
crítico não deve passar a idéia de que é um "ser superior", muito pelo con-
trário.

Oportunidade
   É o momento oportuno para expressar as nossas apreciações, levando-se em
conta três aspectos.

   1. Onde fazer a crítica? Preferencialmente, em ambiente próprio e reser-
vado aos diretamente interessados no assunto.  Corredores, bares,  refeitó-
rios, não conferem privacidade à conversa.

   2. Quando fazer a crítica?  O mais cedo possível?  A crítica tardia pode
impedir a sua aceitação face às opiniões apresentadas muito depois do  tra-
balho realizado.

   3. Como fazer a crítica? Pode ser apresentada de modo oral ou por escri-
to. Quando escrita, é mais duradoura, reservada e pode representar uma ori-
entação permanente.  A oral permite um retorno melhor quanto à aceitação  e
às dúvidas que o criticado venha a ter, além de que, quando em grupo,  des-
perta interesse coletivo, pois todos se beneficiam das sugestões apresenta-
das para os defeitos de cada um.

Participação
   Todas as pessoas engajadas na critica  deverão  participar,  ativamente,
pois isso auxilia o crítico na avaliação da autocrítica dos integrantes,  o
interesse que demonstram pelo assunto e a conseqüente desinibição dos  cri-
ticados.
   O Rotary é formado, essencialmente, por líderes de negócios e profissio-
nais.  Acreditamos que o nobre companheiro rotariano poderá adaptar o  con-
teúdo deste artigo às suas necessidades, caso assim o queira.  Se juntarmos
a aplicação da  Prova Quádrupla ao aqui apresentado,  certamente  estaremos
contribuindo para a formação de um mundo melhor, e,  provavelmente, para  a
melhoria de desempenhos futuros da nossa empresa.

*O autor é sócio do Rotary Club
de Araçatuba-Oeste, SP
(D.4470)

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