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Fiz uma inesquecível viagem às terras portuguesas com dois motivos essenciais: visitar o maior acontecimento do final do II milênio - a Expo-98 - e, em Santarém, capital do Ribatejo, conhecer e fotografar fatos históricos ligados a Pedro Álvares Cabral.
Na Expo-98 senti orgulho de ser descendente dos intrépidos portugueses, pois o que ali tive oportunidade de ver vai além de qualquer imaginação. O tema central está nos oceanos, concentrando-se o espírito do evento no descobridor do caminho marítimo para as Índias, o famoso Vasco da Gama. Um símbolo
O símbolo desse mundial acontecimento está concretizado num bonequinho chamado Gil, escolhido em concurso nacional, em homenagem ao primeiro grande navegador, Gil Eanes, que em 1434 atravessou o temível Cabo Bojador, junto as Ilhas Canárias. Nessa mostra, Portugal dá lições ao mundo sobre os oceanos, conquistas marítimas, organização, grandiosidade e tecnologia.
Entre os 162 países presentes, o Pavilhão do Brasil se destaca e nos orgulha. Belo e imponente, mostra ao mundo as nossas riquezas minerais, nossas praias, nossos desportistas, os escritores, o martir Tiradentes - semente de nossa independência - e a harmoniosa miscigenação de vários povos formando o brasileiro. Algo emocionante e que a todos encanta. A Expo-98, numa área de 5 km, junto ao Tejo, onde tudo era lama, lixo e abandono , transformou-se numa fantástica cidade de pianos, sonhos e conquistas mostrando-nos um Portugal rejuvenescido, importante parceiro da comunidade européia, do Euro e do III milênio. Conquistadores natos, os portugueses partem pare a grande viagem da Era de Aquários. Estão de parabéns! Tendo minha mulher, Sami, e meu filho, Glênio, como incentivadores, partimos de carro para a segunda meta: a belíssima Santarém, onde repousa o nobre soldado de Cristo e comandante da esquadra que chegou ao Brasil em 1500. Como brasileiro entusiasta de nossa história, senti uma emoção diferente ao chegar a Praça Pedro Alvares Cabral e tirar fotos, ao lado da fantástica estátua de bronze do descobridor, em frente à igrejinha da Graça, do seculo XII, onde num simples túmulo, repousam os seus restos mortais. Um momento indescritível que valeu a viagem. Os templários Quando parecia que nossa missão estava cumprida, verificamos que estavámos dentro da inacreditável rota dos cavaleiros-monges, os Templários. Em Portugal essa famosa ordem foi transformada, por motivos políticos, na Ordem de Cristo, graças a visão do Infante D. Henrique, fundador da Escola de Sagres. Com os templários, e seus conhecimentos, e sob a direção de D. Henrique, o pequenino e valente país ibérico - Portugal - dominou os mares no século XV. A religiosa, mística e famosa Ordem do Templo foi fundada pelos franceses em Jerusalém em 1119, depois que a missão das Cruzadas terminou com a conquista da cidade santa em 1099. Os templários surgiram pare proteger os peregrinos cristãos da região conturbada. Cresceu assustadoramente, em base religiosa-militar, recebendo doações de todos os tipos e com leis próprias impondo suas condições aos povos protegidos. O rei da França, Felipe, o Belo, com medo de perder seus poderes, aliou-se ao Papa Clemente e por motivos diversos, em 1307, num golpe arrojado e bem planejado, prenderam os líderes templários que foram queimados em fogueiras nos jardins do palácio, entre eles o Grão-Mestre Jacques de Molay. Portugal sob o comando do rei D. Dinis recebeu os templários fugitivos da França e com eles e seus conhecimentos, fundou a Ordem de Cristo. O Infante D. Henrique em 1416, já Grão-Mestre da Ordem, fundou a Escola de Sagres, no Sul de Portugal, que se tornou um centro náutico e intelectual por onde passaram os grandes navegadores portugueses. Em 1418, a já poderosa Ordem de Cristo foi reconhecida por Martinho V, agora com poderes temporal, espiritual, religioso e administrativo. Aí começou a ser criado o poderoso império marítimo português na cidade templária de Tomar, no Ribatejo, com naus aportando em várias partes do mundo conhecido e desconhecido, o que, até hoje, espanta os estudiosos. Ao lado de tudo isso, deve-se aos templários a grande ajuda aos portugueses nas sangrentas lutas contra os mouros na escalada da reconquista e expulsão final dos infiéis, da península ibéica. Torres Novas De Santarém, berço final de Cabral, fomos em direção a Torres Novas. Passando pela bela cidade de Barquinhas, visitamos o famoso e mal assombrado Castelo de Amurol, numa ilha do Tejo, e construído em cima de antiga fortaleza romana, impressionante pela majestade, beleza arquitetônica e lendas. Em Torres Novas, chegamos a uma importante fortaleza romana, cenário de violentas batalhas entre mouros e cristãos. Nos arredores, na Vila de Cardílio, encontramos as ruínas de uma cidade romana onde ficamos frente a frente com um, ainda, perfeito e sofisticado sistema de aquecimento de água subterrâneo chamado hipocausto. Em seguida, chegamos a importante Tomar, capital dos templários, fundada em 1162 e que mantém vivas as lembranças dos cavaleiros-monges. No centro do conservado e belo Convento de Cristo, encontramos uma originaria charola - oratório templário - baseada na Rotunda do Santo Sepulcro, de Jerusalem, em forma de um polígono de 16 lados. Impressionante como relíquia histórica em plena restauracão. Tomar respire fatos épicos, pois foi a grande base templária na reconquista portuguesa. Última etapa Partimos, então, para o final da nossa viagem, onde outra surpresa nos esperava: Ourém, fantástica cidade feudal, com seus indescritíveis palácios e muralhas. Ali, paramos e voltamos no tempo, a um passado que nos arrebata, para encerrarmos nossa viagem na majestosa e religiosa Fátima, onde se centraliza a fé cristã dos seguidores de Cristo. A cidade cresce de maneira incontrolável e a fé nos meninos pastores e na Virgem de Fátima é algo divino que entra em nossos corações dando-nos um sentido de renovacão de valores. Paira no ar um clima de otimismo, de um mundo melhor, mais amigo e repleto de fé. Foram dias inesquecíveis, pois saímos do III milênio, na Expo-98, e mergulhamos num passado místico, envolvente, heróico e vitorioso, desse pequeno país, geograficamente falando, mas de relíquias, história, bravura e conquistas incomensuráveis. Portugal, querido e sempre amado, razão primeira de nossa existência Serei governador do Distrito 4570, período 1999-2000, envolvendo a troca dos números, os 95 anos do RI e os 500 anos do Brasil, quando pretendo realizar a "Conferência Brasil 500 Anos", no die 22 de abril de 2000, tendo como base o civismo, amor ao Brasil e o reconhecimento ao gigante histórico Portugal. Evocar o civismo, nossa história e nossos descobridores dentro de uma organização mundial - o Rotary - que se edifica na amizade. Fácil demais pare tanta motivação e emoção. |
* O autor é sócio do Rotary
Rio de Janeiro-Madureira, RJ, e
governador indicado 1999-2000
do D.4570.