![]() |
|
Casa de |
Falar de cultura e não citar Rui Barbosa é o mesmo que discorrer sobre futebol sem mencionar Pelé. Além de superficial, é injusto. Mais do que um craque com a pena na mão, Rui foi igualmente notável em tudo o que se propôs a fazer. Advogado, político, jornalista e escritor, sua trajetória se confunde a história contemporânea brasileira. Sobretudo cultural e política. Basta dizer que o Dia da Cultura é comemorado em todo país a 5 de novembro em homenagem a seu nascimento.
E no Museu Casa de Rui Barbosa, em Botafogo, no Rio, a comemoração, como ocorre todos os anos, promete não decepcionar, apesar da falta de recursos causada pelos cortes feitos recentemente pelo Governo no orçamento dos Ministérios. De qualquer maneira, visitá-la pessoalmente ou via Internet através do endereço http://www.casaruibarbosa.gov.br - é obrigatório para quem quer saber mais profundamente sobre sua vida e obra.
Mansão Há muito para ver. Por exemplo, os quatro veículos que pertenceram a Rui Barbosa. Um a motor, o Benz, alemão, de 1913, e três de tração animal: a Vitória, inglesa, século XIX, puxada por dois cavalos; um Cupê, francês, também do século XIX e tracionado por dois cavalos; e um Landau, de origem alemã, com tração de quatro cavalos e muito usado nos séculos XVIII e XIX, principalmente pela alta burguesia e profissionais liberais. Todos muito bem conservados. Percorrendo o interior da mansão em que morou os ultimos 28 anos de vida - e que abriga o museu -, é possível traçar um perfil da sua personalidade. A disposição e preservação dos livros e o ecletismo da decoração revelam que Rui, além de culto, era um homem refinado. E de bom gosto. As paredes do salão, por exemplo, são forradas de camurça e decoradas com espelhos venezianos. Já os móveis, o tapete e o grande lustre de metal são argentinos. Jarrões e potiches chineses completam o ambiente, além da tapeçaria Gobelin do século XVIIl e estatuetas de bronze do mesmo período. No quarto destaque para a cama de metal dourado, inglesa. A cozinha, ampla e clara, tem três pias, uma das quais era usada apenas para limpar aves e peixes. A água quente chegava às torneiras por um sistema de serpentina aquecido pelo fogão a lenha. As panelas, assadeiras e caçarolas de níquel dão ao visitante uma visão dos serviços da época.
Biblioteca
Construída em 1850 para o Barão da Lagoa, Bernardo Casimiro de Freitas, e transformada em museu em 1930, a casa, de estilo neoclássico, possui um jardim com nove mil metros quadrados. Lá , encontram-se diversas espécies de árvores frutíferas, como abieiros, jambeiros, mangueiras, sapotizeiros e araçazeiros. Entre todas elas, porém, destaca-se uma lechia, plantada por Rui em 1895. Mas o que ele gostava mesmo era de cultivar rosas, das quais cuidava pessoalmente. A necessidade de ampliar sua biblioteca e o desejo de agradar a mulher, cujo nome foi dado a casa - Vila Maria Augusta -, foram as principais razões que levaram Rui Barbosa a comprar o imóvel em 1893. Mas, em razão de ter se exilado na Inglaterra, por se opor à política de Floriano Peixoto, a família só passou a ocupá-la em 1895. Na biblioteca, além de 37 mil volumes, está também a escrivaninha em que ele redigiu a primeira Constituição republicana, em 1891. Entre mobiliário, objetos decorativos e de uso pessoal, quadros e veículos, o acervo reune cerca de 1.400 peças. Nos fundos do jardim que cerca o museu, há um edifício onde ficam os arquivos, os laboratórios, os setores de pesquisa e documentação, além de um moderno auditório, salas de exposições temporárias e de cursos e da administração. O museu desenvolve ainda diversos projetos de integração com a comunidade e escolas por melo de visitas programadas e oficinas com professores. Sesquicentenário Para a comemoração do sesquicentenário de nascimento de Rui Barbosa, em 1999, o museu já programou uma série de eventos que irão se estender pelo ano inteiro. Segundo Joëlle Rouchou, coordenadora de comunicação social da casa, estão previstos, entre outras coisas, um concurso de monografia, lançamentos de livros, sessão solene e a confecção de medalhas comemorativas. Mas haverá também homenagens populares. Rui será o tema da Escola de samba São Clemente, do bairro de Botafogo, no carnaval do ano que vem. |
|
|
* O autor é jornalista profissional