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Temos a Imagem que queremos ou merecemos a imagem que temos?

"Não poderemos prever o futuro, mas poderemos nos preparar para realizá-lo".

Paulo Chedid*

   Para começar, pense em um bicho. Agora, pense em um segundo bicho. Então, pense em um terceiro bicho. O primeiro bicho é aquele que você pensa que é; o segundo bicho é aquele que as pessoas pensam que você é; o terceiro bicho é aquele que você realmente é. O resultado pode ter sido uma surpresa, ou pode ter confirmado sue propria opinião. Ou, na sua opinião, isso é tão maluco que você pára por aqui e vira a página.
   Se você insiste em continuar a ler é porque gosta de desafios, adora competir, é ambicioso, criativo, inconformado com a situação e disposto a participar de um mundo sem limites para mudança de atitude, desenvolvimento do conhecimento e evolução tecnológica.
   "Se a indústria da aviação tivesse evoluido tão espetacularmente como a indústria da informática nos úItimos 30 anos, um Boeing 767 custaria menos que 100 dólares e faria a volta ao mundo em cinco minutos, com um litro de combustível." Essa comparação apareceu pela prirneira vez em l982, na revista Scientific American.
   Isso é uma simples analogia das reduções de custos, aumento da velocidade de processarnento e diminuição no consumo de energia dos computadores.
   Não evolui apenas a tecnologia. O homem de hoje é mais rápido, detém maior conhecirnento sobre o mundo e não se conforma em ser simples espectador da História, pretende ser protagonista dos acontecimentos.
   No ano 2005, ao completar seu primeiro centenário, o Rotary será constituído por pessoas muito especiais:
   O rotariano do futuro
  • Será um Iíder comunitário;
  • Terá mais que 11 anos de escolaridade e ganhará mais de 10 salários;
  • Perseguirá sua auto-realização;
  • Desejará participar de algo que valha realmente a pena;
  • Usará o conhecimento, planejamento e método pare não ter que conviver com tensões;
  • Pretenderá participação em grupos de interesses comuns;
  • Buscará auto-satisfação e aumento de sua auto-estima;
  • Exigirá reconhecimento;
  • Lutará por liberdade responsável;
  • Será mais exigente no investimento de seu tempo;
  • Buscará suas raízes e a realização dos valores familiares;
  • Terá maior consciência e consistência social, elegendo como elementos centrais a Ética e a Compaixão;
  • Perseguirá a confiança (segurança) em si mesmo; no próximo; no grupo e nas organizações familiares, sociais, profissionais e governamentais.
   Segundo o IBGE, apenas 1.6% da população brasileira - 2.329.343 pessoas - está potencialmente habilitada pare alcançar tantas expectativas. Isso exige participação em organizações com missão social.
   Quatro perguntas pretendem respostas claras: 1) Como falar com esse 1,6% da população?; 2) Quando falar?; 3) Onde falar? e 4)Através de que meios?
   Nesse momento, de acordo com o Instituto Kanitz & Associados, 14 mil entidades procuram atingir esse público-alvo, no objetivo de recrutar voluntários para trabalhos de filantropia, benemerência ou serviços à comunidade. São organizações que se propõem a substituir o governo em áreas onde a incapacidade estatal é confessa, ou necessita de parceria. São organizações que prometem eficácia e transparência suficientes pare conquistar confiança.
   Em 1997, nos Estados Unidos, organizações com esse propósito movimentaram mais de 143 bilhões de dólares (USA Today, junho/1998).
   A revista Veja, de setembro deste ano, publicou: "O Instituto Ayrton Senna destinou 900 mil reais a obras socials em l995. No ano de 1996, a conta foi de 1,3 milhão de reais. Em 1997, ficou em 4 8 milhoes de reais. Este ano chegara a 9 milhoes de reais."
   A Fundação Bradesco aplica 84 milhões de reais em educação, por ano. Em 1997, a Empreiteira Oldebrecht deu 5 milhões de reais aos pobres. A rede de lojas C&A investe 4 milhões de reais, por ano, em creches e centros de juventude. A Natura não só vende produtos de beleza, mas, também, cartões do Unicef, de porta em porta.
   Diante desse novo universo, qual o diagnóstico, o planejamento e a realização pare informar o público-alvo - através dos meios de comunicação - da confiabilidade que merecem os componentes e a organização Rotary Intemational?
   Nós rotarianos até podemos etender de Rotary, mas quem sabe de público-alvo e meios para comunicar são os profissionais.
   Não há a menor dúvida: se continuarmos a agir da mesma forma, conseguiremos sempre os mesmos resultados.
   Descartadas as publicacões internas - Manual de Procedimento; Cartilha Rotária; ABC do Rotary; manuais para realização de seminários e conferências; boletins das Avenidas de Serviços, da Fundação Rotária e seus programas; tablóides internacionais em vários idiomas; The Rotarian: videos; eslaides; Internet; Cartas Mensais dos Govemadores de Distrito; correspondência e colunas em jornais; programas de rádio; interesses das comissões de Relações Públicas etc. - vamos brincar de fazer contas:
   Considerando que os 29.113 mil clubes tenham 50 reuniões por ano, com informativo de apenas uma página, o rotariano teria acesso a 1.656.000 páginas de informação rotária ao ano.
   Considerando que a Brasil Rotário publica 12 edições de 64 páginas por ano, com tiragem de 60 mil exemplares, totalizaríamos 720.000 exemplares, alcançando o fantástico número de 46.080.000 páginas de informação rotária ao ano, no Brasil.
   A dura verdade é que não faltam informativos, falta aprendizado para o público interno.
   Sabe o rotariano do Projeto Esperança Ilimitada, localizado em Cariacica, município da Grande Vitória, no Espirito Santo, uma escola-hospedagem para meninos - de 12 a 18 anos - que cometeram pequenos delitos?
   Em área de 200 mil metros o Distrito 4410, com a coordenação do Governador-indicado João Cesar Carvalho de Faria, o projeto pretende oferecer ensino profissionalizante e reintegração a sociedade a todos os meninos delinquentes, apoiado pela organização Hope Unlimited dos EUA, e um investimento de 1 milhão de dólares.
   Se o rotariano, próximo ou distante, pode não saber das realizações de sua organização, como pode o futuro voluntário, de uma organização com missão social, saber?
   Sabe o rotariano do Projeto Casa Fácil do Rotary, apoiado em Subsídios Equivalentes, para projetos humanitários internacionais, da Fundação Rotária, divulgado na Brasil Rotário de setembro?
   O projeto do Distrito 4730, Paraná, desenvolvido na gestao (1997-98) do governador Antônio Jairo Porto Alegre, com a coordenação do EGD Antônio Hallage, irá construir 200 casas para famílias desabrigadas , com mão-de-obra de presidiários , que a cada três dias trabalhados tem a redução de um dia na pena que cumprem.

Assessoria profissional
   Admitir que é pequeno o número de companheiros com conhecimento técnico e disposição de dedicar essa capacidade pare atingir o público-alvo é muito pouco. Boa vontade, interesse eventual e razoável inteligência ativa não bastam. É urgente e necessária a assessoria profissional.
   Um competente e amplo planejamento deve alcançar a implantação da verdadeira imagem de Rotary. Não basta corrigir o conceito do prôprio rotariano e oferecer oportunidade de realização aos futuros voluntários. Transformar o ambiente é tão fundamental quanto transformar comportamentos.
   Cabe a Rotary, através dos programas da Fundação Rotária, em especial o de Bolsa de Estudos, estimular os meios de comunicação a divulgar as boas realizações, as boas organizações, gerando modelos de atitude, um real trabalho de reforço de comportamento.
   A boa ação não tem feito história e a culpa é nossa. Da mesma forma que reconhecemos os rotarianos dedicados com menções e títulos, devemos valorizar os veículos de divulgação que destacam o bem, empresas de propaganda que auxiliam os necessitados, artistas que atuam gratuitamente, promover as empresas que vão além do comercial, outras organizações de voluntários que reúnem resultados e transparência administrativa.
   Há um grande estoque de corações disponíveis à espera de um modelo de ação, prontos para participar. O produto à venda é confiança, o que temos de sobra, para dar e emprestar. Só assim não seremos surpreendidos por aquilo que pensam de nós e do nosso Rotary, realizaremos nossos sonhos e poderemos conquistar o reconhecimento que tanto reclamamos.

* O autor é governador 95-96
do D.4430 e Media Liaison do RI.

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