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Recentemente visitando dois países da Europa e México, fui convidado para discursar em alguns clubes rotários. Apesar dos temas sobre Rotary serem sempre solicitados, o assunto "Brasil" desperta imensa curiosidade e alcança total atenção.
O nosso futuro como nação, a posição da nossa economia, a nossa atuação no Mercosul, as eventuais conseqüências da globalização em nosso país, nossa estratégia em relação ao meio ambiente são, entre outros, assuntos que geram perguntas e aguardam opiniões e esclarecimentos.Dentro do possível, é sempre bom e salutar enfrentar com prudência e bom senso o diálogo, pois é preciso reconhecer que esta nossa nação gigante tem especial posição e importante missão no futuro do mundo. Fato político muito comentado e discutido, foi a nossa decisão de permitir a reeleição dos cargos executivos. Ë evidente que as atenções voltavam-se mais acentuadamente para a reeleição do Presidente da República. Apesar do processo já ter sido adotado em importantes nações do mundo com regime democrático, o assunto, que é controvertido, sempre suscita discussões. A influência do poder constituído, quando malévola, pode distorcer o resultado. Assim, apenas países com governos sérios e legitimamente democráticos é que estão aptos a adotar a reeleição, conservando e respeitando a imparcialidade. E esse, no meu ponto de vista pessoal, é felizmente o caso do Brasil. Por outro lado, a possibilidade da reeleição se constitui num excelente teste a aprovar ou a desaprovar um "governo". Se "bom" continua por mais um período para completar com êxito seus planos e iniciativas. Se "mau" é derrubado pelo povo para que outro governo, possivelmente melhor, venha a dirigir o país. Foi assim que no meio rotário, sem qualquer conotação "político-partidária", discutiu-se em termos genéricos o processo da reeleição como aprimoramento democrático. Gostei bastante de ver como esse palpitante tema despertou a atenção dos cidadãos responsáveis, e pensando sobre o assunto, com a minha mente sempre enraizada por Rotary, comecei a divagar, refletir e meditar sobre a reeleição no Rotary. Não cogitei absolutamente sobre a possível reeleição do presidente do Rotary International, dos diretores ou dos governadores de distrito. A minha introspecção foi mais profunda, indo ao amago da nossa filiação no Rotary. Deixei que o meu pensamento voasse livremente numa fantasia rotária... Entrei então no campo da suposição, visualizando uma possível eleição anual para referendar a nossa filiação rotária. Se anualmente houvesse eleição no meu clube, para confirmar o título de rotariano, seria eu reeleito? Agora que os meus companheiros me conhecem bem e sabem da minha atuação, seria eu reeleito sócio do meu clube? O Rotary é basicamente um clube de serviços, mas sem dúvida constitui uma câmara representativa de várias profissões e especializações. Será que exerci corretamente a minha deputação profissional, que me possibilita agora ser reeleito para a minha classificação? Se eu tiver que pleitear a minha reeleição, posso apresentar uma relação de serviços já prestados? O meu comparecimento ao plenário a minha atuação nas comissões de trabalho justificam a minha reeleição? Tenho um "plano de realizações" para o próximo ano, a fim de pleitear a minha reeleição? Todos esses pensamentos me levam a "valorizar" cada vez mais a nossa filiação rotária.
O Rotary é uma ótima organização, que reúne profissionais de boa vontade, e seria cada vez melhor se cada um de nos rotarianos, mesmo "teoricamente" pudéssemos ser reeleitos todos os anos. Se em Rotary não existe reeleição, que exista reflexão, que se lute pela renovação, que se exija uma reafinacão e que se promova a reintegração. |
* O autor é sócio do Rotary Club de
Santos, SP(D.4420) e presidente 90-91
do Rotary International