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É exponencial e relevante, sem qualquer dúvida, a missão de representar o presidente do Rotary International em uma Conferência Distrital ou em diversos e variados eventos que acontecem durante o ano rotário. A representação "'pessoal"` por si só, já indica um forte vínculo entre o representante e o representado que, se na maioria das vezes não existe de fato sempre que existir alcança o verdadeiro objetivo da missão. Apesar de podermos, aqui, discorrer sobre uma série de oportunas e interessantes representações presidenciais, a que mais causa inquietação, dúvidas e expectativas, é, indiscutivelmente. aquela que se refere à Representação Presidencial nas Conferências Distritais. O debate sobre esse palpitante assunto é constante tema de discussão, principalmente entre os ex-governadores. O desconhecimento do critério seletivo, a possível falta de lógica nas nomeações, as escolhas justas ou injustas, o eventual esquecimento de alguns e a repetição de outros, causam sempre desagradáveis e desgastantes polêmicas, além de frustrações que tanto solapam o sublime espírito do Rotary, que se alicerça no autêntico Ideal de Servir. Assim, se alguma luz puder iluminar, mesmo que um pouco, esse palpitante tema, aquecendo mais os corações, creio que estaremos prestando um valioso serviço ao Rotary. Maior grandeza Todos concordam, sem dúvida, que o grande e precioso patrimônio constituído pelo exército de ex-governadores é uma das maiores grandezas do Rotary. Preservá-lo, mantê-lo ativo e interessado, conservá-lo integrado e pleno de entusiasmo, mais do que ser um constante desafio, é meta almejada por todos aqueles que tem dirigido o Rotary. E como e difícil enfrentar esse desafio e alcançar essa meta! Apesar da participação efetiva em comissões de trabalho a nível internacional, distrital e até mesmo no clube rotário, oferecerem excelentes oportunidades para manter vivo o interesse e o entusiasmo dos ex-governadores, somos levados a reconhecer que a representação do presidente do RI em uma Conferência Distrital é o que mais encanta e empolga. Surgem então, as questões a respeito das regras e normas adotadas pelo Rotary International para a escolha dos representantes do seu presidente. Logo de início é preciso afirmar que, definitivamente, não existem quaisquer regras ou normas para esse mister. Não existe, absolutamente, qualquer orientação, diretriz, tradição ou mesmo acordo no intuito de orientar, disciplinar ou até, simplesmente, encaminhar a decisão pessoal do presidente do RI na escolha dos seus representantes. O presidente fica absolutamente livre para estabelecer seus próprios critérios e para determinar quais devem ser os seus representantes. É evidente que o presidente não tem completo conhecimento para nomear todos eles e, então, recorre a conselhos e sugestões de quem ele considere capaz e merecedor da sua confiança. Os mais consultados, evidentemente, são os diretores em exercício, seus companheiros no Conselho Diretor do RI. No entanto, o presidente se vale, muitas vezes, do conselho de ex-presidentes do RI, de ex-diretores, de funcionários experientes da secretaria de Evanston ou dos Centros de Serviços espalhados pelo mundo rotário. E preciso reconhecer, no entanto - e mesmo ter certeza - de que o companheiro que atinge a presidência do Rotary International não alcança tal posição de um momento para o outro. São anos e anos de grande envolvimento com rotarianos do mundo inteiro, através de comitês de trabalho, de conferências, de seminários, de fóruns, de assembléias e convenções internacionais. São anos e anos de convivência com rotarianos de todas as partes do mundo, quando vai ampliando, enormemente, o leque de contatos e de conhecimentos. No ano que antecede à presidência, o presidente-eleito comparece a mais de dez Institutos Regionais, visita inúmeros distritos, participa de várias reuniões de colégios de ex-governadores; enfim, entra em contato com o mundo rotario, preparando suas indicações e escolhas para o próximo ano rotário. Assim, se pode ter a certeza de que muitos são os presidentes do RI que têm um amplo e vasto conhecimento sobre os valores rotários que existem em todos os quadrantes, podendo escolher, pessoalmente, muitos dos seus representantes. Apesar de tudo isso, não se prescinde das ponderadas sugestões daqueles que estão mais intimamente ligados às suas respectivas áreas. No meu período de Diretor e de Vice-Presidente do RI, e mesmo posteriormente, como ex-diretor, fui várias vezes solicitado por presidentes do RI em exercício para oferecer-lhes algumas sugestões sobre companheiros do Brasil e até da Ibero-América, para membros de específicos comitês internacionais ou para representantes em Conferências Distritais. No que se refere a específicos comitês internacionais, sempre foi mais fácil sugerir nomes, uma vez que todos conhecemos as tendências e o trabalho desenvolvido pelos nossos companheiros nas várias áreas da atividade rotaria. A sugestão para representantes sempre me levou a perguntar ao presidente: Qual é o seu critério básico para a escolha dos seus representantes? Um determinado presidente disse-me: "Por favor, indique apenas os ex-governadores que tenham comparecido aos cinco últimos Institutos Rotários". Com todo o respeito, tentei discordar: "O seu critério pode injustiçar a alguns excelentes companheiros que, por motivo de doença ou qualquer outro fator relevante, não puderam comparecer aos últimos cinco Institutos". Então ele respondeu-me: "Qualquer que seja o meu critério, correrei o risco de não ser rigorosamente justo, mas o que desejo são ex-governadores atualizados e em contínuo envolvimento com o Rotary". Outro presidente foi logo esclarecendo: "Indique-me dez nomes de ex-governadores que jamais tenham representado um dirigente do RI". De início pareceu-me lógico e até justo, mas refleti, depois, que não seria muito certo excluir todos aqueles que se esforçaram muito e cumpriram uma excelente representação, honrando e dignificando a rnissão recebida. Assim é que, mais tarde, o critério de outro presidente foi diametralmente oposto: '`Só quero nomear como meus representantes, companheiros que tenham tido excepcional desempenho em representações anteriores", e completou: "tenho apenas um ano como presidente, e quero fazer o melhor possível". Um pedido Há poucos anos, um presidente pediu que a Secretaria do RI lhe fornecesse a lista de todos os governadores que nos três anos anteriores tivessem ultrapassado suas metas com referência às contribuições para a Fundação Rotária. É claro que deu ampla preferência a esses ex-governadores para suas nomeações como representantes, e pelo que sei, o mesmo havia acontecido, anteriormente, com outro presidente, que procurou distinguir todos os governadores que tivessem fundado, pelo menos, cinco novos clubes rotários. Como vemos, os critérios são bastante diversos e dependem, exclusivamente, da sensibilidade do presidente em relação às necessidades e tendências do Rotary naquele momento. Esses diferentes critérios podem parecer melhores ou piores, mas na realidade é necessário abrir um crédito de confiança ao presidente do RI, que está sempre desejoso de fazer o melhor possível. Como ex-presidente do RI, que viveu intensamente esse problema, desejo afirmar que ele é duríssimo e muito trabalhoso, principalmente quando se quer acertar e sobretudo ser justo. Já tenho dito, e não deixarei de repetir que é fácil ser bom, é fácil ser mau: o difícil é ser justo. Quando presidente do RI dei especialíssima atenção a esse importante assunto. Procurei compatibilizar e acertar, tanto quanto possível. É maravilhoso quando se descobre uma razão especial ou uma efetiva motivação para enviar um representante a um determinado distrito, pois o interesse aumenta, tudo melhora e o resultado alcançado é muitíssimo maior. Assim sendo, desdobrei-me, enfrentei com garra esse desafio e estou confiante de ter feito o melhor que me foi possível. No caso específico do Brasil então, a escolha de representantes se torna muito mais difícil, pois é bastante grande e muito expressivo o número de excelentes e ultra dedicados ex-governadores que tanto engrandecem o Rotary. E especialmente relevante mencionar que a representação presidencial é a única rnissão rotária recebida pelo casal. Enquanto o marido representa o presidente, sua mulher representa a primeira dama do Rotary. Dentro dessa linha e quando se conhece o casal, a mulher é alvo, também, de uma amável avaliação, tanto por aqueles que indicam, como por aquele que decide, o presidente. Como curiosidade conto que já ouvi vários comentários dizendo: A mulher foi até melhor que o marido". Sem risco de grande erro, posso afirmar que temos cerca de 500 conferências distritais por ano, uma vez que sempre dois ou até três distritos se reúnem e celebram conferências conjuntas. Cerca de 100 conferências distritais, o presidente costuma destinar aos diretores e curadores em exercício, aos ex-presidentes do RI, a ex-diretores em contínua atividade e a outros destacados líderes rotários, por alguma razão especial. Cumpre informar que não são apenas os ex-governadores a serem convocados para representar o presidente do RI. É prerrogativa presidencial e isso acontece com freqüência, que rotarianos de escol e membros destacados do staff do Rotary International sejam escolhidos para atuar como representantes em determinadas conferências distritais. Excluídas 100 conferências, restam apenas 400 para serem distribuídas entre os atuais 8.500 ex-governadores que temos no mundo rotário. Isso indica que para cada 21 ex-governadores, apenas um irá ser convocado para representar o presidente do RI. Essa elevada proporção dificulta muito a escolha dos representantes, mesmo que alguns critérios para a seleção sejam estabelecidos. Dessa forma, e examinando o assunto com toda a sinceridade, é preciso admitir que é vital e importante a atuação pessoal do ex-governador, quando se destaca e se evidencia entre seus pares. Se destaca, no bom sentido, através de uma participação ativa e constante a nível de clube, de distrito ou até mesmo em nível internacional. Se evidencia até mesmo quando do exercício da sua governadoria, deixando um saldo bastante positivo nas áreas mais significativas do Rotary. Se destaca e se evidencia no bom desempenho das missões que algum dia tenha recebido do Rotary International, cumprindo as metas e enviando-lhe relatórios. Todos nós devemos, sinceramente, apreciar e aplaudir aqueles que demonstram disponibilidade e boa vontade, dentro de um comportamento sadio e sincero. Mas, também, todos nós condenamos aqueles que se autopromovem abusiva e impositivamente. Na realidade acabam se auto destruindo e quase sempre abandonam o Rotary. Destaque e evidência Muitas formas e maneiras positivas e sadias concorrom para que o governador alcance destaque e evidência. Entre outras, poder-se-ia citar: comparecer aos Institutos Rotários de Zona, às Conferências Presidenciais que se realizam em sua área, a seminários ou fóruns de caráter nacional, ao Instituto Rotário Internacional, à Convenções do RI; enfim, estar presente e, se possível, atuante em eventos rotarios de grande expressão, onde estejam. também. presentes os atuais líderes rotários do mundo. Oferecer-se quando solicitado para tarefas internacionais e o exemplo clássico é ser sergeant-at-arms (auxiliar do Protocolo) em Convenções Intencionais. Responder, quando perguntado, às solicitações da Secretaria do RI. Há alguns anos o RI remeteu, a cada ex-governador, um cadastro para ser atualizado. Infelizmente, apenas 40% dos ex-governadores do mundo responderam inclusive à pergunta se o ex-governador continuava na ativa e disposto a aceitar rnissões em nível internacional. No mundo atual, onde os contatos e as comunicações são mais fáceis e mais rápidos, um ex-governador que se mantém atualizado e interessado deve escrever ao diretor da sua área, a um Comitê Internacional, à Fundação Rotária, ou até mesmo, ao Conselho Diretor do RI, sempre e quando possa oferecer alguma idéia, sugerir um novo programa e até formular uma crítica construtiva. É recomendável que tal correspondência seja baseada no mais estrito bom senso e alto nível, evitando-se reclamações pessoais, acusações a terceiros e pedidos de reparações, assuntos esses na rnaioria das vezes polêmicos e controvertidos. Às vezes, pode-se até pensar que a carta foi engavetada, mas apesar de eventual falta de resposta, o assunto sempre fica, positivamente, registrado. É claro que um ex-governador mais ativo, eficiente e presente tem mais chances de vir a ser indicado representante do presidente, mas mesmo assim o critério pessoal do presidente muitas vezes faz buscar alguém de quem nem mais se ouve falar. Esse foi o caso de um ex-presidente do RI que resolveu escolher, preferencialmente, para representante, os seus companheiros de ano de governadoria, ocorrida havia 22 anos. Atualmente, existem maiores oportunidades para uma participação ativa e efetiva de ex-governadores a nível internacional. São os coordenadores da Fundação Rotária, os Líderes de grupo nas Assembléias Internacionais, os Visitadores da Fundação Rotária, os membros das Forças Tarefas e dos Comitês, os Voluntários do Rotary no exterior, os Líderes de Grupos de Estudos; enfim, existem mais chances do ex-governador se manter útil e envolvido. Algo que se recomenda sem ser essencial. é o conhecimento da língua inglesa, que sendo o idioma oficial do Rotary, é o meio de comunicação mais habitualmente usado em todas as atividades rotárias. Minha intenção, ao abordar esse tema, foi, principalmente, chegar ao coração de muitos que têm grande merecimento mas jamais foram convocados. Esses são, sem dúvida, grandes heróis, que merecem o nosso máximo respeito e toda a nossa consideração pela fidelidade ao Rotary. Seria ótimo se todos pudessem, pelo menos uma vez, representar o presidente. São duras, mas profundas, as palavras que dizem: "O Rotary pode até se esquecer de um ex-governador, mas um bom ex-governador jamais se esquece do Rotary". Falando da minha experiência pessoal, devo afirmar que jamais representei qualquer presidente do RI antes de já ter sido Diretor do RI por um ano. Entre o primeiro e segundo anos como diretor, é que, pela primeira vez, fui designado para ser representante pessoal do presidente. É verdade que trabalhei em vários comitês do RI, exerci diferentes e difíceis missões, mas jamais fui convidado a representar o presidente, até então. É fato comum que o presidente do RI atenda, pessoalmente, a quatro ou cinco Conferências Distritais durante o seu ano. Como presidente do RI renunciei a essa prática e não compareci a nenhuma Conferencia Distrital, para dar mais oportunidades a outros companheiros. Um recorde Em relação ainda à minha presidência, há algo que enche-me o coração de alegria. No meu ano rotário foi alcançado um absoluto recorde, sem quaisquer precedentes. Cinqüenta Conferências de Distritos tiveram rotarianos brasileiros como representantes do presidente - 29 Conferências Distritais no exterior e 21 Conferências Distritais no Brasil. Creio que é perfeitamente compreensível essa minha atitude, que levou muito do meu coração de amigo e de brasileiro. Chego ao término destas minhas considerações sem a pretensão de ter encontrado a solução mágica para resolver o difícil problema das representações. Tive apenas a reta intenção de compartilhar algo que sei que tem acontecido, sempre procurando encontrar razões, justificar ações e comentar decisões deste nosso intrincado mas fantástico mundo do Rotary. |
*O autor é sócio do Rotary Club
de Santos, SP(D.4420) e presidente
90-91 do Rotary International.