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Certa vez, há muitos anos, em conversa com um general amigo de meu pai, manifestei a opinião de que o patriotismo exagerado leva ao egoísmo coletivo e, conseqüentemente, às guerras. Disse-lhe eu: "O homem já pisou na Lua. É hora de cultivarmos a idéia de que somos terrestres seja qual for a nacionalidade, a cor da pele, o credo político ou religioso."
Hoje, olhando para o passado histórico vejo que em todas as épocas de grandes progressos, a humanidade passou por desequilíbrios e desajustes. No final da Idade Média, as grandes descobertas acarretaram uma nova maneira de sentir e pensar. A industrialização da Europa, iniciada na Inglaterra, foi marcada por grandes transformações sociais.O novo milênio Estamos no limiar de um novo milênio e os progressos científicos surgem em progressão geométrica: viagens espaciais, bebê de proveta, clonagem de seres vivos. Tudo chega tão rapidamente que nos assusta. Neste contexto, os desequilíbrios não poderiam estar ausentes. A tecnologia gera desemprego, o desemprego gera revolta e insegurança que leva uns aos vícios, outros à baderna e outros à corrupção. A moral parece ter sido esquecida. Entretanto, olhando mais adiante, com um pouco de otimismo, vejo uma luz no fim do túnel. A Europa caminha, cada vez mais, para a unificação; o Mercosul é um sucesso e a Alca talvez um dia substitua o Mercosul unindo as Américas; a Internet liga pessoas em todos os cantos do planeta; o dinheiro virtual está se tornando a moeda universal. É a globalização que está apenas começando. Vejo, portanto, que a utopia que imaginei na minha adolescência talvez não esteja tão distante. Talvez, o próximo milênio ofereça aos nossos descendentes um mundo mais unido onde todos se respeitem. Mas, para que isto ocorra, é necessário que nós, que tivemos a felicidade de ter uma família, um emprego e estudo, nos conscientizemos de que somos elos importantes na ininterrupta cadeia dos fatos humanos. E necessário que, agora, façamos o que J.S. Bach fez à música de seu tempo: sintetizou o passado e indicou o futuro. É necessário que saibamos transmitir para os nossos descendentes, não só a base cultural e moral que recebemos, mas, também, sensibilidade, bom senso e criatividade, para que saibam adaptar estes tesouros às novas situações, sem perder o conteúdo moral universal. Nossa responsabilidade é ainda maior por pertencermos à Casa da Amizade do Rotary Club. Para muitos, a Casa da Amizade não passa de uma associação de senhoras desocupadas que fazem filantropia, ligadas ao Rotary apenas por laços familiares. Estão enganados os que assim pensam. A Casa da Amizade não existiria sem o Rotary. Seria apenas mais uma associação filantrópica como tantas outras ligadas a bairros, igrejas ou orfanatos. O Rotary, sem dúvida, existiria sem Casa da Amizade, mas se ressentiria sem os seus trabalhos, pois, do companheirismo aos grandes programas rotários, a participação feminina é decisiva. O que ocorreu, é que quando o Rotary foi fundado, em1905, a mulher tinha, com raras exceções, apenas funções de esposa e mãe. Não havia, portanto, lugar para ela nos quadros do Rotary. Assim, nos países mais desenvolvidos, as mulheres dos rotarianos, solidárias, os acompanhavam e ajudavam sempre que necessário e útil. No Brasil, o sentimentalismo latino levou-as a se associarem para melhor "dar de si sem pensar em si", como manda um dos principais lemas rotários. Pouco a pouco se organizaram, criaram um estatuto, conseguiram titulo de utilidade pública. Enfim, para melhor servir tornaram-se, juridicamente, independentes.
Mas a mulher mudou. Hoje, segura, profissionalizada, galga posições; decide e ajuda na construção social. É, agora, uma força dinâmica que o Rotary não pode mais rejeitar, e assim, a mulher foi aceita no Rotary. Mas as antigas Casas da Amizade funcionam muito bem e, como diz o velho ditado, "em time que está ganhando não se mexe". E as Casas da Amizade continuam funcionando, cada vez melhor.Podemos, portanto, comparar, Casa da Amizade e, Rotary, como um casamento feliz. Antes, cada um tinha uma função definida: o homem supria a casa e a mulher cuidava dela. Hoje, amadurecidos no seu relacionamento, os dois trabalham com individualidade, mas com objetivos comuns, aumentando o poder da família. Assim, Rotary e Casa da Amizade, independentes, porém, mais do que nunca unidos, entrosados, trabalhando para o ideal comum do aperfeiçoamento da humanidade através do exemplo, da busca da justiça e da paz mundial. Por isso companheiras, não somos senhoras desocupadas que fazem filantropia. Somos sim, senhoras muito ocupadas que, em sintonia com os nossos maridos, abraçamos as causas rotárias tornando-nos meio rotarianas. Mas, para que façamos jus ao titulo de senhoras da Casa da Amizade do Rotary Club, é necessário que ao planejarmos os nossos trabalhos, preocupemo-nos mais em "ensinar a pescar do que dar o peixe", porque só a reciclagem profissional dará trabalho a todos no futuro. Só o trabalho dará independência; só independência dará respeito; e só respeito levará à justiça e à paz desejadas. É nesse campo de batalha que devemos atuar, para que no terceiro milênio haja a escalada de uma super humanidade que sabendo usar conscientemente toda a sua potencialidade para o bem e para o amor, será, sem dúvida, mais feliz. A Coordenadoria foi criada para estimular, orientar e unificar o trabalho das Casas da Amizade. Como coordenadora do Distrito 4580, espero cumprir esta meta tomando como guia o lema proposto pela coordenadora nacional "Façamos da união a nossa força e a nossa alegria." |
* A autora é coordenadora das Casas
da Amizade do Distrito 4580.