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Ética & profissão


João de Scantimburgo*

Aristóteles    Os fundamentos da moral ou da ética, estão no Gênesis, portanto na primeira revelação. As tábuas dos Dez Mandamentos, gravadas pelo Senhor, constituem os princípios morais, por cujas diretrizes todos devemos nos comportar pelo convívio com nossos semelhantes. No Velho Testamento são consignadas vezes inúmeras as obrigações morais, ao amparo de cujas estruturas temos de nos acolher. O Novo Testamento prossegue a mensagem herdada, e temos, portanto, um código moral ou ético, graças ao qual, se lhe submetemos a nossa conduta, praticaremos o bem e seremos justos, pois o justo é o magnânimo e o bom. Ensina o Salmo, que o justo floresce como a palmeira e o ensina Eclesiastes, que nunca o viu desamparo e nem a sua descendência mendigando o pão. Temos, pois, que a moral encontra fundamento nas duas revelacões.
   Nos seus Diálogos, Platão ressalta a ética como norma de conduta. No Criton, Sócrates recusa-se a se evadir, como queriam seus amigos, por não dever fazê-lo. Condenado à morte, poderia ter fugido, mas seria essa a desobediência à justiça de Atenas, logo, uma fraude à ética. Na Ética a Nicomaco, Aristóteles traça a via pela qual devemos entender a ética e a ela nos subordinar. Padres e doutores da Igreja foram unanimes em pregar a rígida obediência dos deveres morais. O imenso Santo Tomás dedicou uma parte da Suma Teológica à moral, e, essencialmente, seu pensamento converge para a moral em toda a sua obra. Quando Leão XIII, então gloriosamente reinante, deu ao mundo a encíclica Aeterni Patris, decretando a doutrina de Santo Tomás oficial na Igreja, estava consolidando o magistério do Doutor Angélico, como o que deveria ser seguido.
   Se passarmos dessas considerações para os negócios, veremos que sem moral as transações econômicas não se podem subsistir. Numerosos são os estudos a respeito assinados por filósofos e teólogos. Profissão sem moral não resiste, pois acaba desvendando a insegurança em que se encontra a parte interessada. Na variada panóplia das profissões, a moral é, rigorosamente, necessária, tenha ela fundamento no Doutor Angélico ou em Kant, neste ou naquele pontífice ou guia religioso. São inúmeros os exemplos de franca obediência aos ditames morais, mas inúmeros são, também, os exemplos de sanções que lhes foram aplicadas pelos poderes públicos, pelas clientelas, pelos empregadores, e, até mesmo, pelos empregados, que se rebelam contra o abastardamento ético nas profissões e empresas, corrompendo as mais sólidas resistências da sociedade. Defenda-se, portanto, a ética.


* O autor é membro da Academia
Brasileira de Letras e sócio do Rotary
Club de São Paulo, SP(D.4610).

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