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| Primeira reunião do Conselho Deliberativo do Conselho Nacional de Pesquisa, atual CNPq, em 1951. No sentido horário, Sylvio Torres, Edmundo Penna Barbosa da Silva, Heitor Grillo, Alvaro Ozório de Almeida, Olympio Oliveira Ribeiro da Fonseca Filho, Lelio Itapuambira Gama, Luiz de Barros Freire, Cesare Mansueto Giulio Lattes, Orlando Rangel Sobrinho, Armando Dubois Ferreira, Alvaro Alberto da Motta e Silva, Arizio Vianna, Arthur Moses, Joaquim da Costa Ribeiro, Francisco de Sá Lessa Filho, Alvaro Diffini, José Baptista Pereira, Mario Abrantes da Silva Pinto, Aecio Antunes e Diamantina Ferreira da Cunha |
| Muitas das principais instituições científicas e acadêmicas do país nasceram sob a influência da Academia Brasileira de Ciências |
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O que poderia haver em comum entre o físico e matemático alemão Albert Einstein, cuja teoria da relatividade mudou as idéias sobre o espaço, o tempo e a natureza do universo, e o inventor e aeronauta brasileiro Alberto Santos Dumont? Aparentemente, só o primeiro nome. Mas não. Além de geniais, ambos foram membros da Academia Brasileira de Ciências, a mais antiga sociedade científica do país. Mas se poucos sabem disso – provavelmente só os próprios acadêmicos e alguns historiadores –, é natural pensar que a maioria esmagadora das pessoas sequer desconfie da existência da academia e, conseqüentemente, da sua valorosa contribuição para o desenvolvimento da ciência brasileira em todas as suas áreas, embora no início a ABC só abrangesse as ciências matemáticas, fisico-químicas e biológicas.
Para se ter uma idéia do papel relevante da academia, basta citar que foi sob sua influência que nasceram muitas das principais instituições científicas nacionais, como, por exemplo, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).Como se não bastasse, a ABC – leia-se seus membros –, ao longo da sua história, foi responsável também pela criação de algumas das mais importantes instituições acadêmicas do país, como a Universidade do Rio de Janeiro — atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) — e a Universidade de São Paulo (USP). Já na área de eventos, inspirou recentemente a realização no Rio da ECO 92. Programas Sua atuação na fomentação de programas científicos não é menos significativa. Em 1994, depois de uma reunião com representantes da indústria farmacêutica, foi criado o Programa de Incentivo ao Desenvolvimento de Medicamentos. Tendo como proposta estudar e utilizar a biodiversidade brasileira na fabricação de produtos naturais, ele visa oferecer às camadas sociais mais baixas uma alternativa eficiente e barata ao tratamento convencional. Mas com o desmatamento descontrolado das florestas brasileiras e a conseqüente destruição do meio ambiente, somado à dizimação dos povos indígenas, que interrompem a corrente de conhecimento sobre a utilização e o manejo de plantas, era um risco à iniciativa, a ABC instituiu, em 1993, o Programa de Biodiversidade e Ecologia. Que deu início não apenas à catalogação de espécies, como também à criação de um banco de dados. O seu leque de programas, no entanto, é bem mais abrangente. E vão desde a integração de deficientes mentais à sociedade, passando por projetos de cooperação da área biomédica aos programas governamentais de saúde, até a formação de pesquisadores. Criado em 1994, o Programa Aristides Pacheco Leão de Estímulo a Vocações Científicas oferece a universitários estágio em laboratórios dirigidos por acadêmicos.
Programas internacionaisA academia, contudo, não desenvolve apenas programas de alcance doméstico. Por meio de convênios com instituições estrangeiras, como, por exemplo, a Japan Society for the Promotion of Sciences, Académie des Sciences de France, a Royal Society of London e a Academia de Ciências da República Tcheca, ela também tem participação na elaboração de diversos programas científicos internacionais. Acadêmicos Além de Santos Dumont e Einstein, a ABC teve como acadêmicos muitas outras figuras públicas. A destacar, Adolpho Lutz, Candido Mariano da Silva Rondon e Oswaldo Cruz. Independentemente da categoria à qual pertenciam – titulares, associados, colaboradores, correspondentes, beneméritos ou corporativos –, todos deram a sua contribuição para a ciência e a formação da comunidade científica brasileira. Memória A exemplo do que muitas instituições – inclusive empresas – vêm fazendo, a ABC tem se dedicado a resgatar sua história. Que, em grande parte, está entrelaçada à trajetória científica dos seus mais de 380 acadêmicos já falecidos. Mas ela será contada também por intermédio da atuação dos seus ex-presidentes, como Henrique Morize, o primeiro a presidi-la, o almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva, que foi presidente do Rotary Club do Rio de Janeiro, Arthur Moses e Aristides Azevedo Pacheco Leão.
Fundação Presidida atualmente pelo pesquisador Eduardo Moacyr Krieger, diretor da Unidade de Hipertensão do Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, a ABC foi fundada em 1916, no Rio de Janeiro. Batizada primeiramente com o nome de Sociedade Brasileira de Ciências, ela ganhou a denominação atual em 1921. Além das ciências matemáticas, físico-químicas e biológicas, a instituição abrange hoje também as ciências da terra e da engenharia. |
*O autor é jornalismo profissional.