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Se tivesse a força mágica da motivação, diria a todos os companheiros, uma simples frase: "Não acredito que vocês não conheçam uma pessoa qualificada para trazerem ao Rotary". O aumento ou estabilização do quadro social, deixou de ser um problema de clube ou distrito; é a preocupação maior do Rotary neste final de século. Causas, dezenas: muito ocupado com os negócios, dificuldades financeiras, falta de tempo, mudança de emprego, desempregado, falta de estímulo, falta de conhecimento rotário, falta de informação rotária, associado mal admitido, sem ter o mínimo de informação do que é a filosofia rotária, desinteresse, e muitos outros. Na verdade o Rotary é um clube de serviços onde pagamos para trabalhar. Mas será que pagamos tanto assim? Não, problemas sempre existiram, mas normalmente somos nós que os criamos. Rotary custa: a per capita do RI, per capita da governadoria, revista mensal e o tempo que lhe dedicamos. Tudo o mais são despesas imprescindíveis mais para o nosso deleite e bem-estar, mas que necessitamos nestes tempos de crise, saber administrá-lo. Uma diferença O futuro parece constituir uma grande ameaça à liberdade e bem-estar do homem. O desenvolvimento tecnológico é contínuo, a globalização é irreversível, mas talvez traga consigo a degradação das qualidades morais, como sucede atualmente. O homem chegou à lua, busca outros planetas, mas seu progresso de espírito não é tão grande como se pode observar no dia-a-dia. Ao contrário, nossa instituição, o Rotary, é dinâmico, tem suas metas voltadas para o futuro e para o ser humano. O Rotary se preocupa com as gerações futuras, com a família, patrocina clubes de escotismo para meninos e meninas, bolsas de estudos das mais variadas, intercâmbio de grupos de estudos nos mais distantes pontos da face da Terra. Clubes como Interact, Rotaract e os maravilhosos e arrojados projetos implantados através de nossa Fundação Rotária. O companheiro que se preocupa com o que o Rotary realiza em todo o mundo, com suas obras beneméritas, sente que o seu entusiasmo vai transformar-se em profunda admiração; vai poder avaliar e sentir, mais de perto, o calor da nossa organização, como, também, o calor e a intensidade do companheirismo dos rotarianos de um modo geral. Vai sentir que o Rotary se fortalece e se desenvolve porque a nossa casa é como aquela casa forte das escrituras: "E caiu a chuva, vieram as torrentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa, mas ela não ruiu porque fora construída sobre a rocha". Para motivar nossos sócios, necessitamos informar melhor os atuais, pois um velho refrão nos diz: ‘ninguém pode gostar daquilo que não conhece’.
Devemos fazer uma distinção entre "ser rotariano e estar no Rotary". Pela semântica, há diferenças nítidas entre os verbos ser e estar.Ser é um verbo um tanto filosófico, estar é um verbo circunstancial. Ser é essencial, estar é acidental. Ser implica ordenamento do foro íntimo, significa definição, tomada de posição, engajamento. Richard L. Evans, presidente do RI 66-67 já morto, certa vez disse: "Com exceção de Paul Harris, todos nós pertencemos ao Rotary porque alguém nos convidou e agora é a nossa vez de compartilhá-lo com outros". W. Jack Davis, ex-presidente do Rotary International afirma: "Muitos clubes ignoram a lista de classificação porque os sócios acham que já conhecem todas as pessoas da cidade. Entretanto os Rotary Clubs deviam tomar conhecimento de que as listas de classificação preenchidas e vagas, que devem ser atualizadas anualmente, são de importância vital a qualquer plano de expansão visado pelo clube. Kanajiro Matsumoto, ex-diretor do RI, nos afirma: "O Rotary não tem outras mãos, senão as nossas. Quanto maior o número de mãos, melhor, e de maneira mais eficiente o ideal de servir será alcançado. Daí a importância do quadro social". Poderia citar mais algumas dezenas de exemplos bonitos, convincentes, eloqüentes, mas que, realmente, não viriam traduzir em verdades o que os números nos afirmam. A apatia demonstrada pelos nossos clubes rotários nos últimos anos tem ocasionado um decréscimo no percentual médio do Rotary, somente equilibrado em função da criação de novos clubes. Às vezes sentimo-nos decepcionados se olharmos para as estatísticas do nosso distrito, numa rápida avaliação dos últimos 21 anos. Em junho de 1978 tínhamos 43 clubes com 1.419 sócios, média de 33 sócios por clube. Se tomarmos por base junho de 1978, deveríamos ter em junho de 1998 2.079 sócios no nosso distrito, o que demonstra perda de 390 sócios, ou seja, crescimento 0% e perda de 23,09%, ao invés do pretendido crescimento de 10% ao ano. No último ano rotário 97/98 registramos uma perda de 12.153 rotarianos, o que representa 1% do quadro social mundial da associação. Não nos causou susto maior, embora seja sempre preocupante, pois outras organizações igualmente perderam sócios de um modo até mais significativo. O Lions Clube perdeu cerca de 13% de seus sócios de 1983 para cá. O que fazer Para revertermos esse quadro necessitamos de Conselhos Diretores e presidentes de clubes mais dinâmicos e atuantes, programas semanais variados, informativos e atraentes para manter o interesse dos sócios atuais e dos convidados. Creio que não temos dado a devida divulgação ao nosso clube de serviços. Nossas comunidades não imaginam a grandeza do Rotary, espalhado que está em 160 países. Não temos divulgado a contento suas metas e filosofias. Precisamos carregar, orgulhosamente, em nossas lapelas, o nosso distintivo – muitos companheiros/as só usam o distintivo nos dias de reunião. Se somos um espelho, um corte transversal da sociedade, sem distintivo somos um espelho sem reflexo. Muitas vezes, tenho ouvido que o aumento do quadro social, dificulta o companheirismo. Mas, sendo o Rotary um clube representativo por um corte transversal da sociedade, creio que deveria ser representado por todos os seus segmentos, caso contrário, estaríamos reunindo grupos. Geralmente quando trazemos ao clube um novo sócio, este já é um velho conhecido. Pois na opinião de muitos, não convém que convidemos fulano ou beltrano, para freqüentar nossas reuniões, pois ele é novo na cidade, pouco se conhecendo de sua pessoa. Interessante é que, muitas vezes, este fulano ou beltrano levou anos para galgar a posição em que se encontra – profissional liberal, comerciante, industrial e outros – e nós, em cinco segundos, o julgamos inapto para a nossa convivência. Além da necessidade da constante renovação, com injeção de sangue novo, novas idéias, precisamos admitir que envelhecemos a cada primavera, senão, num futuro não muito distante, nosso clube tornar-se-á o clube da bengala. Será que os nossos programas semanais são suficientemente atrativos e interessantes para chamar a atenção e motivar novos sócios, ou será que estamos querendo fazer do Rotary um clube apenas social? Companheiros/as, deixemos o derrotismo de lado. Se estamos aqui, é porque acreditamos no Rotary, na sua filosofia, no companheirismo que ele proporciona. Vamos sempre nos reportar às palavras de Richard L.Evans; Jack Davis; Kanejiro Matsumoto. Vamos fazer uma relação das classificações vagas em nosso clube, e sair à cata de elementos qualificados para preenchê-las. Vamos levar o nosso entusiasmo, vamos oferecer o nosso companheirismo, e dar a oportunidade para que outros possam comungar dos nossos ideais. Se pertencemos ao Rotary é porque alguém nos convidou, é chegada a hora de compartilhá-lo com outros. |
*O autor é sócio do Rotary Club
de Rio Claro-Sul, SP (D.4590) e
governador 90-91.