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Em sentido figurativo, no bom dicionário, lema quer dizer "regra ou norma escrita de procedimento". Em Rotary, como é sabido, o lema mais representativo é o "Dar de Si Antes de Pensar em Si", nascido que foi com a própria instituição em um só berço. Depois, ano-a-ano, vieram outros lemas ou mensagens de cada presidente procurando o aperfeiçoamento do lema básico a exemplo do que se faz no processo de lapidação de uma pedra preciosa.Shakespeare disse que "cada um pensa em mudar a humanidade, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo", naturalmente com alusão à época da sua existência, lá pelos idos do século XVI, triste realidade esta que continuou por várias gerações em que as pessoas se fechavam em pequenos mundos de completo individualismo e egoísmo. Porém, em 1905, com o surgimento do Rotary e da nobreza popular do "dar de si antes de pensar em si" essa afirmativa do sábio dramaturgo inglês começou a ser contrariada, alterando-se a conduta pessoal humana com reflexos positivos imediatos no meio comunitário: nascia o rotariano para o mundo. Com o Rotary, com a máxima em dar de si, o homem se propõe, antes, a mudar a si mesmo para as mudanças morais e materiais posteriores no mundo. E outros lemas foram surgindo, gravitando em torno do lema maior e criados, sem dúvida alguma, para proporcionar a melhoria das comunidades, porém, tendo como mola mestra a conduta do rotariano, seu exemplo e qualidade de prestar serviços com desprendimento através do elo imprescindível que forma a corrente do companheirismo.
Observem como os lemas ou mensagens presidenciais em geral se dirigem, primeiramente, à pessoa do rotariano: 1978-79 - Clem Renouf: "Estenda sua Mão"; 1980-81 - Rolf: "Busquemos tempo para servir"; 1982-83 - Mukasa: "A humanidade é uma só: criemos pontes de amizade"; 1985-86 - Cadman: "Você é a chave", e assim por diante, e aqui homenageio o presidente Rajendra Saboo (1991-92) com sua magnífica filosofia de vida: "Olhe mais além de si mesmo". E chega-se ao lema de se tornar real o sonho do Rotary.A primeira mulher governadora do RI no Brasil, companheira Adélia Antonieta Villas, do R.C. do Rio de Janeiro-Guanabara, RJ(D.4570), entrevistada na Brasil Rotário (setembro, 1997) transmitiu um pensamento realístico, embora não se constitua em novidade, sobre o funcionamento de um clube rotário ao afirmar que "Sair de casa para ouvir alguém falar duas horas sobre porque se deve amar Rotary é perda de tempo. As pessoas precisam ser treinadas". Na mensagem do presidente Lacy existem duas palavras chaves: real e sonho. Em sentido figurativo, a palavra sonho quer dizer uma idéia acalentada, um ideal; já por sua vez, real significa aquilo que tem existência verdadeira, não imaginária (Koogan-Houaiss). Ficar apenas lendo ou ouvindo Rotary, cultiva-se o sonho de amá-lo, enquanto que partir para a prática ou treinamentos de ações rotárias é tornar real aquele ideal de que nos fala o presidente Lacy.
O lema deste ano rotário que está terminando sugere que se abandone as palavras e se parta para as ações, desde que haja conscientização do que seja o Rotary; o que o presidente pede é que não se fique tão somente imaginando o Rotary e que se tenha uma noção exata do seu alcance a partir do próprio rotariano.O que o lema propõe é que se afastem do Rotary as figurações exibicionistas e ilusórias próprias do campo da imaginação. Sem barreiras Necessário frisar que todas as mensagens presidenciais, até então criadas, com grande intensidade, sempre procuraram combater essa situação de sonho do Rotary, vivida, infelizmente, ainda por milhares de rotarianos.
Em recente palestra, afirmei que o Rotary é perene e contínuo sem fronteiras de pensamentos e ações: não há barreiras entre os lemas e eles se revezam na tradicional disputa em que o bastão passa de mãos em mãos de cada fundista na corrida do tempo, pois o que importa é o resultado final, para o que todos concorrem.O sonho do Rotary, o ideal do Rotary, é o dar de si antes de pensar em si, regado por um saudável companheirismo, impulsionado pelas periódicas mensagens presidenciais de como agir no campo real das coisas e das pessoas e é exatamente isso que o lema proposto nos conclama: tornar o sonho em existência concreta e verdadeira. Na Conferência da Solidariedade do Distrito 4760, realizada na cidade de Caxambu, em abril do ano pas-sado, o governador 1994-95, Wanderlino Arruda (R. C. de Montes Claros-Norte) brindou o plenário com uma notável palestra a respeito do crescimento do Rotary, dissertando sobre o mundo real do Rotary "onde o otimismo impera e há de imperar sempre". Disse da presença do Rotary em 160 países, falando mais de uma centena de línguas, mas com um só ideal, um só lema, um único elenco de programas educacionais e humanitários. Focalizou o Rotary International, a Fundação Rotária e todas as suas instituições de apoio: Rotaract, Interact, Núcleos Rotary de Desenvolvimento Comunitário, Casas da Amizade, Intercâmbio de Jovens, IGE e outras. Falou de uma organização que jamais colocou na sua porta a placa "Não há vagas", porque tem um quadro social sempre aberto, pois o serviço nunca falta para quem deseja ser útil à humanidade.
Falou, ainda, de uma organização tão perfeita que os seus sócios nunca pedem salário, nunca aceitam férias, jamais se aposentam da prestação de serviços. Muito ao contrário, todos pagam para trabalhar e pagam satisfeitos.E completou a cultura prodigiosa de Wanderlino que o Rotary precisa crescer, e crescer muito e constantemente. O Rotary não se pode esclerosar, tornar-se caduco e, completo eu, tornar-se estático, inerte, parado no tempo e nas ilusões de sonhos efêmeros. "O Rotary para continuar sendo o que é e ter toda a importância que desejamos, precisa do excepcional desempenho de cada um de seus membros", sintetizou Wanderlino. Coincidência ou não, exatamente o que o presidente James Lacy pede a cada rotariano(a), através de um lema tão sugestivo, é esse excepcional desempenho para se tornar real o ideal de servir. |
*O autor é sócio do Rotary
Club de Luz, MG (D.4760)
e governador 1991-92.