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A preservação do planeta como novo desafio

Luiz Otávio Alvarenga*

Paulo Viriato Corrêa da Costa    No princípio, era só a prestação de serviços sociais. Entretanto, os problemas surgidos em decorrência da rápida transformação do mundo têm levado o Rotary a atuar em novas frentes. O desafio da vez é a preservação do meio ambiente. E o primeiro passo efetivo nesse sentido foi dado pelo presidente do Rotary International 1990-91 Paulo Viriato Corrêa da Costa, quando criou o Programa Preserve o Planeta Terra.
   Hoje, cerca de 1.500 projetos ambientais desenvolvidos por Rotary Clubs estão em andamento em todo o mundo. "O Brasil é um dos países que tem desenvolvido muitas idéias, projetos e até mesmo sonhos, visando dar ênfase, expressão e continuidade ao programa", afirma Paulo Viriato nesta entrevista a Brasil Rotário, na qual ressalta ainda, entre outras coisas, a importância da conscientização e da educação ambiental.

   Brasil Rotário - Que progressos foram obtidos desde que o Rotary International lançou o Programa Preserve o Planeta Terra, criado na sua presidência?
   Paulo Viriato Corrêa da Costa - Desde que lançou o Programa Preserve o Planeta Terra, em 1990-91, o Rotary International tem recebido contínuas e importantes manifestações em favor da iniciativa. Atualmente, mais de 1.500 projetos de certa envergadura movimentam e animam diversos Rotary Clubs em todo o mundo. O nosso país é um dos que tem exuberantemente desenvolvido idéias, projetos e até mesmo sonhos, visando dar ênfase, expressão e continuidade ao programa.
   BR - Para o senhor, quais os problemas que hoje mais ameaçam o meio ambiente e, conseqüentemente, a qualidade de vida no planeta?
   Paulo Viriato - Existem os mais variados problemas no mundo atual ameaçando o meio ambiente e pondo em risco a qualidade de vida no planeta. Há problemas simples e de âmbito local, outros mais abrangentes e complexos, mas os que realmente ameaçam de forma quase catastrófica a vida no nosso planeta são os de natureza universal. Desde as chuvas ácidas até a ampliação do buraco na camada de ozônio, o mundo enfrenta um quadro de grande preocupação, que só poderá ser resolvido ou minorado com a decisão comum e consensual de povos e nações de preservar o planeta. Quando presidi o Rotary International, enfrentei a guerra do Golfo e, na época, o mundo viu, apavorado, o nascimento do terrorismo ecológico com a deliberada decisão de poluir o Golfo com milhões de toneladas de óleo. Já havíamos sofrido o desastre de Chernobyl e aquele terrível derramamento de óleo no Atlântico Norte, em frente ao Alasca. Assim, tive contatos com o presidente Gorbachev, da ex-União Soviética, com o presidente Bush, dos Estados Unidos, e com o secretário geral da ONU, Perez de Cuellar, para que se formasse - com a participação de outras organizações não-governamentais - a Cruz Verde, que demandaria uma somatória de forças internacionais. Mas em um mundo tão dividido como o de hoje, apesar da validade da idéia, sua criação enfrentou grandes obstáculos, principalmente no campo financeiro.
   BR - E então como solucioná-los?
   Paulo Viriato - São imensas, difíceis, caras e mesmo desafiantes as soluções técnico-políticas para enfrentar esses problemas. No entanto, o Rotary pode cooperar oficialmente com os meios básicos de que dispõe, usando os seus 29 mil clubes e os seus 1,2 milhão de rotarianos, acionando-os e direcionando-os em duas ações básicas: conscientização ambiental e educação ambiental. A médio e longo prazo, ambas serão sem dúvida muito oportunas e efetivas.
   BR - A Conferência que ficou conhecida como Eco 92, realizada no Rio, e da qual o senhor participou como representante oficial do RI, deu origem a um documento chamado Agenda 21. Assinado por mais de 170 países, ele estabelecia regras para um desenvolvimento sustentável. Muitos especialistas, porém, têm se queixado de que a implantação da Agenda 21 vem se realizando com muita dificuldade, inclusive no Brasil. A que o senhor atribui isso?
   Paulo Viriato - Como representante do RI, e especialmente do então presidente Rajendra Saboo, participei no Rio de Janeiro da fabulosa Conferência Eco 92. Num mundo tão tumultuado como o de hoje, não é fácil implantá-la. Os interesses são bastantes conflitantes e as economias neste final de milênio estão periclitantes em todas as partes do mundo. O homem continua sendo o lobo do próprio homem, e dentro desse clima só nos resta ter a esperança de dias melhores, onde a preservação do planeta seja prioridade para todos os povos.
   BR - A criação, por exemplo, de uma quinta Avenida, a de Serviços Ambientais, não seria uma maneira de engajar obrigatoriamente os clubes nessa campanha?
   Paulo Viriato - Não tem qualquer sentido ou mesmo lógica a criação de uma quinta Avenida, que seria a de Serviços Ambientais. O Rotary se assenta em quatro pilares básicos, aos quais a preservação ambiental e a melhor qualidade de vida podem ser inseridas, desde a ética rotária dos Serviços Profissionais à preocupação com o planeta nos Serviços à Comunidade e o bem-estar da humanidade nos Serviços Internacionais.

*O autor é jornalista profissional.

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