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Conheça Carlo Ravizza

O primeiro presidente do Rotary no novo milênio

   Cada um de nós nasceu em um lugar, em uma época, em um meio e com uma cor de pele definida; não há o que discutir e nem há mérito nisso." Essa afirmação define uma filosofia na vida do presidente 1999-2000 do Rotary International, Carlo Ravizza - uma vida caracterizada pelo empreendimento, pelas realizações e pela dedicação ao Servir.
   Carlo nasceu em Milão, Itália, em uma família muito próspera. Seu pai, também chamado Carlo, nasceu em Saint Gallen, Suíça, e se formou em arquitetura em Munique, Alemanha. Ao final da I Guerra Mundial, Carlo Sr., recém-casado, mudou-se para Milão para dar início a uma bem-sucedida carreira como arquiteto. Tanto Carlo pai quanto sua esposa, Emile - nascida em Zurique, Suíça - falavam somente alemão-suíço, de modo que o casal teve que aprender italiano rapidamente para se adaptar ao novo país. Os Ravizza tiveram dois filhos: Carlo, e, dois anos depois, Eliana.
   Crescer em um meio bilíngüe, falar alemão-suíço em casa e italiano no dia-a-dia, além de cursar diferentes escolas internacionais, construíram a base para o contínuo interesse de Carlo pela compreensão e tolerância internacional. Aprender duas línguas totalmente diferentes na infância foi o trampolim para seu interesse por idiomas: Carlo logo acrescentou o francês, o inglês e o português ao seu repertório lingüístico. Durante sua infância, a família vivia na Itália, mas passava longos períodos na Suíça, o que aumentou ainda mais sua visão internacional.
   Carlo cresceu ainda em um lar cujos pais tinham religiões diferentes. Seu pai era católico, e sua mãe, protestante, religião que foi ensinada às crianças. A herança religiosa e cultural bastante diferente de seus pais era um desafio a mais para Carlo, fazendo-o sentir como se não tivesse raízes. O euforismo nacionalista que predominava naquela época trouxe-lhe a sensação que não pertencia a nenhum país definido.
   Estudante do segundo grau durante a II Guerra Mundial, viu o escritório de seu pai e a casa da família serem queimados durante um bombardeio aéreo, mas, felizmente, ninguém da família foi ferido. Apesar dos revezes, Carlo conseguiu ingressar na universidade em Milão, onde estudou engenharia civil.
   Ele gosta de fazer piada dizendo que essa foi uma sábia decisão em uma família de arquitetos. Sendo a profissão de seu pai, de sua irmã Eliana e, mais tarde, também a de um de seus filhos, a arquitetura, segundo ele, tornou-se uma "doença de família," e então "precisávamos de um engenheiro civil para dar alguma estrutura aos sonhos de todos esses arquitetos."

      Carreira brilhante
   O pai de Carlo aposentou-se aos 78 anos, ainda trabalhando em sua prancheta com seu longo guarda-pó branco. Carlo passou a dirigir a empresa reconhecida internacionalmente, que tinha como principal atividade o planejamento de fábricas para a indústria têxtil de lã.
   Ampliando o âmbito da companhia, concentrou-se no planejamento de grandes centros empresariais e outros tipos de indústria, em escala internacional, obtendo êxito imediato e atraindo novos clientes de algumas das maiores corporações do mundo. Mais tarde, passou a atuar em área mais especializada, planejando fábricas farmacêuticas altamente sofisticadas, com tratamento especial do ar e esterilização de salas. Seus êxitos profissionais foram reconhecidos em 1973, quando o presidente da República Federal da Alemanha concedeu-lhe a Grande Medalha de Mérito, por suas destacadas atividades no planejamento de prédios públicos.
   A facilidade de aprender idiomas e a visão internacional, junto com os valores da honestidade e da integridade incutidos por seu pai, o ajudaram a dar início a muitas sólidas relações profissionais. E isso pode ser comprovado pelo fato dele nunca ter perdido um cliente em seus 42 anos de trabalho.
   Sua atividade empresarial foi sempre muito intensa, requerendo um grande número de viagens. O lançamento de uma empresa de planejamento chamada URBENA - Urbanística, Engenharia, Arquitetura - em São Paulo, Brasil, fez com que ele tivesse que cruzar o Atlântico 42 vezes em cinco anos. Uma demanda tão grande de trabalho não deixava tempo para outras atividades, ocupando-o até o limite, como ele mesmo conta, de não dar atenção à sua família.

      Rotary
   Em 1969, quando ainda estava sob intenso estresse profissional, Carlo foi convidado por um amigo para entrar para o Rotary. Como sua classificação estava preenchida nos cinco clubes de Milão, teve que esperar até 1971 para ser admitido como sócio de um clube novo, o Rotary Club de Milano Sud-Ovest.
   Esse fato mudaria a vida de Carlo. Tendo recebido tantas bênçãos na vida, ele procurava por uma oportunidade de ajudar os menos afortunados de sua comunidade de forma mais organizada e produtiva. Rotary se tornaria o que ele chama de "a solução inspiradora".
   Seis meses após sua posse como sócio, Carlo se tornou o primeiro presidente-eleito do clube, e depois de seis anos, foi indicado para ser governador do atual Distrito 2040, em 1977-78. Apesar de sua ocupadíssima vida profissional, jamais faltou a uma reunião do clube, e conseguiu visitar cada unidade de seu distrito pelo menos três vezes durante seu ano como governador. Inquirido sobre sua melhor experiência dentro do Rotary, sempre responde que a função de governador de distrito é a mais singular e recom-pensadora, devido aos fortes laços que desenvolveu com sua equipe de presidentes de clubes e às inúmeras oportunidades que teve para a interação humana, companheirismo e amizade.
   "Se você quer que uma tarefa seja realizada, entregue-a a um homem ocupado," é uma das frases favoritas de Carlo, e que ele demonstra ser verdade em sua própria vida. Apesar de seu envolvimento em negócios internacionais, Carlo aceitou mais e mais trabalhos rotários. Foi diretor do RI e vice-presidente 1985-86. Desde então, ocupou vários cargos no Rotary, sendo presidente das Conferências de Desenvolvimento em Bangladesh, nas Filipinas e no Zimbábue; presidente das Comissões da Convenção e do Instituto Internacional do RI em 1995, em Nice; curador da Fundação Rotária e delegado e orador em várias reuniões das Nações Unidas, da Unesco e de outras organizações não-governamentais. Fez muitas viagens a serviço do Rotary, algumas até de última hora, quando era curador da Fundação. Durante toda sua carreira na liderança rotária, sempre agradeceu o sólido apoio recebido de seus colegas do Milano Sud-Ovest, seu clube de Rotary.

      Vida pessoal
   Além do intenso trabalho como homem de negócios e de sua dedicação inequívoca à missão do Rotary, Carlo consegue momentos livres para divertir-se com seus hobbies prediletos. Durante muitos anos, devotou parte do seu tempo para colecionar selos das regiões mais remotas do planeta. Há 15 anos Carlos pôde, finalmente, dedicar-se ao seu hobby preferido, que tem tudo a ver com sua experiência na área de engenharia e arquitetura - colecionar trenzinhos elétricos. Num projeto que durou três anos para ser montado, Carlo construiu uma enorme instalação para os trens elétricos, com cenário de montanhas, pontes, túneis, cascatas e centenas de trenzinhos, representando paisagens e um período histórico de seu país.
   Carlo herdou de seu pai a paixão por caminhadas nas montanhas, às quais vem dedicando cada vez mais tempo. Um de seus grandes prazeres é caminhar durante horas pelos Alpes, dormindo em pousadas e assistindo ao nascer do sol sobre as geleiras e quedas d'água. Porém, o que mais o atrai é o silêncio das montanhas, rodeadas por paredes de rochas, por florestas de pinheiros ou campos verdes salpicados de flores. "O silêncio e a imensidão das montanhas fazem-me sentir humilde e solitário," diz Carlo, "mas, ainda assim, me sinto parte da grande e misteriosa obra divina".
   Na maioria de suas caminhadas, Carlo conta com a companhia de sua segunda esposa, Rossana. Ele afirma que seu casamento com ela trouxe serenidade e paz à sua vida.
   Rossana, formada em psicologia, tem uma sensibilidade toda especial para a educação e problemas infantis, e trabalhou durante muito tempo como professora e como voluntária em trabalhos sociais.
   Todos os que conhecem os Ravizza sempre falam sobre como as personalidades muito diferentes dos dois parecem se complementar. Enquanto Carlo é forte e determinado, Rossana é sensível e humanitária. E assim eles compartilham cada minuto de sua vida juntos.
   O casal tem quatro filhos. Dois são do primeiro casamento de Carlo: Donato, o mais velho, é executivo de um banco internacional. Ele e sua esposa, Annemarie, têm dois filhos, ambos ainda estudantes. O filho mais novo de Carlo, Michele, é arquiteto e solteiro. Rossana tem também dois filhos: Francesco é executivo de uma empresa de consultoria internacional e Annalisa é guru budista. Ambos os filhos são casados.
   Carlo e Rossana compartilham, ainda, um importante compromisso: a firme dedicação ao Rotary, que já demonstraram de muitas formas diferentes e em diversos lugares do mundo. Formam o casal ideal para representar Rotary no próximo milênio e para levar adiante o tema visando o futuro: "Rotary 2000: Aja com Coerência, Confiança e Continuidade."


Traduzido por Janete Costa Nascimento.

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