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1918, Leon Lambert, um importante homem de negócios das Filipinas, ouviu
um amigo falar sobre o que era a então chamada “Associação Internacional
de Rotary Clubs” – IARC. Ele se sentiu atraído pelo conceito rotário de
companheirismo e serviço comunitário. Um ano depois, Lambert escreveu
uma carta a John Poole, então presidente da IARC, expressando seu desejo
de fundar um clube nas Filipinas. Em reposta ao pedido de Leon, o rotariano
Roger Pinneo, de Seattle, Washington, EUA, foi enviado a Manila para ajudar
na organização de Rotary Clubs no Extremo Oriente. Assim, em 1º de junho
de 1919, o primeiro Rotary Club da Ásia foi admitido ao RI. No mesmo ano, um segundo clube foi fundado em Xangai, China. No fim dos anos 20, havia clubes na maioria dos países asiáticos, incluindo Índia, Indonésia, Japão, Coréia, Malásia, Miamar, Paquistão e Sri Lanka. No início, muitas pessoas consideravam o Rotary uma
“organização importada” e demonstravam preocupação se ele iria se adaptar
à cultura asiática. Ao ponderar sobre as dúvidas a respeito do crescimento
do Rotary na Ásia, Tsunejiro Miyaoka, diplomata japonês e advogado especialista
em direito internacional – que, mais tarde, tornaria-se membro do Conselho
Diretor do RI – disse: “O espírito rotário combina bem com nossa filosofia
de vida, porque ensina o servir e a cooperação. Rotary levara harmonia
e compreensão entre os povos da Ásia, que diferem bastante em raça, história,
idioma, religião e condições econômicas.” A História provou a verdade contida nas palavras de Miyaoka, assim como a durabilidade e o apelo universal do espírito do Servir e do trabalho voluntário do Rotary. Existem, atualmente, sete mil clubes na Ásia, com 285 mil sócios em 17 países e regiões geográficas, perfazendo 25% do quadro social mundial do Rotary. Somente durante a última década, mais de 82 mil líderes profissionais e empresários asiáticos entraram para os clubes rotários. Com esse quadro social em ascensão, os rotarianos asiáticos vêm desempenhando um papel importante nos trabalhos humanitários da organização. Durante os últimos cinco anos, os países asiáticos – tendo Japão, Coréia e Taiwan como líderes – contribuíram com mais de 1,3 bilhão de dólares para a Fundação Rotária do RI, o que significa 38% do total destinado aos projetos humanitários da fundação em todo o mundo. “ A generosidade dos rotarianos asiáticos permitiu ao Rotary International mobilizar sua imensa rede internacional de sócios na região e preencher a lacuna de serviços sociais nos países onde o governo não tem recursos”, explicou o presidente Carlo Ravizza. Durante as últimas oito décadas, os rotarianos asiáticos mudaram o aspecto de suas comunidades, trabalhando em atividades comunitárias e iniciando projetos para a solução de problemas relacionados à fome, desabrigo, analfabetismo, desemprego e preservação do meio ambiente – apesar dos desafios que sempre se apresentam. Com a explosão da II Guerra Mundial, os clubes da Ásia foram forçados a fechar. Alguns sócios, entretanto, continuaram a se reunir – freqüentemente com grande risco – para servir às suas comunidades. Os rotarianos de Bangcoc, Tailândia, por exemplo, ajudaram a cuidar dos órfãos, dos cegos e dos que perderam as casas nos ataques aéreos. Na Índia, o Rotary Club de Calcutá providenciou alimentos para a multidão de pessoas famintas que fugiam de suas cidades, enquanto outros clubes ajudaram as vítimas nas áreas rurais. O fim da II Guerra, em 1945, abriu caminho para o restabelecimento do Rotary nas áreas antes ocupadas. Embora a vitória comunista tenha obrigado os Rotary Clubs a desaparecer da China, eles começaram a prosperar e a alastrar-se para além das capitais e cidades costeiras, onde o movimento havia começado. Mesmo assim, em alguns países asiáticos, o Rotary continuou a ter a fama de organização de estrangeiros. Por exemplo: o Rotary Club de Bangcoc tinha muitos sócios expatriados, que falavam inglês, o que fortaleceu a crença dos habitantes locais. Em 1958, foi organizado o primeiro clube totalmente tailândes, preparando o cenário para a expansão do Rotary para outras áreas do país. Mais tarde, os rotarianos tailandeses lançariam sua própria revista rotária. Os conflitos do pós-guerra continuavam a desafiar os rotarianos, mas o movimento provou ser resistente. Quando a Guerra da Coréia começou, em 1950, o Rotary Club de Seul mudou-se para Pusan, onde seus novos líderes distribuíram uma grande quantidade de alimentos e roupas, doados por sócios de países de outros continentes. Após a divisão do Vietnã, em 1954, os rotarianos de Saigon construíram uma escola para crianças de famílias refugiadas que haviam abandonado o norte. A década de 50 mostrou uma tendência crescente ao nacionalismo,
mas os rotarianos asiáticos iam além do patriotismo na promoção dos ideais
rotários de fortalecer a compreensão internacional. Em homenagem ao falecido
Umekichi Yoneyama, um conhecido empresário e responsável pela entrada
do Rotary no Japão, o Rotary Club de Tóquio criou um fundo em seu nome,
para fornecer bolsas de estudos a estudantes estrangeiros interessados
em freqüentar universidades japonesas. Os programas do tipo “pessoas ajudando pessoas” lançados pelo Rotary, como o Intercâmbio de Jovens e as Bolsas de Estudos da Boa Vontade, tornaram-se muito populares na Ásia. Entre 1988 e 1998, os clubes da Ásia patrocinaram oito mil Bolsas de Estudos da Boa Vontade para asiáticos estudarem no exterior. Muitos clubes da área urbana da Ásia “adotaram” comunidades rurais. Os rotarianos do Sri Lanka, por exemplo, criaram fábricas nas pequenas cidades; os do Paquistão providenciaram serviços de saúde para os carentes, e os rotarianos indianos trabalharam para a melhoria das moradias, dos serviços de esgoto, da indústria e dos métodos agrícolas em inúmeras cidades pequenas. Em Saigon, o Rotary Club local patrocinou um projeto chamado “Clínica do Povo,” que tratou, entre 1950 e 1975, mais de 500 mil pessoas, a maioria refugiados do norte do país. Os voluntários do Rotary também cuidaram de famílias vietnamitas nos campos de refugiados de Hong Kong e das Filipinas. Nos anos 80, a Organização Mundial de Saúde informou que 10 países do sudeste da Ásia e do Pacífico Ocidental eram responsáveis por 85% dos casos de pólio do mundo. O Rotary International, então, iniciou o primeiro projeto de imunização nas Filipinas, vacinando seis milhões de crianças em 1979, além de vacinar três milhões de crianças contra sarampo na Índia. A partir desses projetos, o Rotary deu início ao maior trabalho de saúde pública do mundo, em 1985 – a Polio Plus. Junto com os companheiros de todo o mundo, os rotarianos asiáticos doaram dinheiro e tempo para ajudar na realização dos Dias Nacionais de Vacinação e as vacinações de “cobertura” em países onde a pólio ainda era endêmica. Na Índia, mais de 100 mil rotarianos e suas famílias juntaram-se ao governo em 1997 para ajudar a vacinar mais de 130 milhões de crianças em apenas um dia – a maior campanha de saúde pública jamais conduzida em qualquer lugar do mundo. Os rotarianos do Japão, Hong Kong e Taiwan continuam a patrocinar a compra de vacina antipólio, veículos para transporte da vacina e materiais de divulgação como pôsteres, camisetas e faixas em muitos países, como Nepal, Camboja e Bangladesh. Como resultado do trabalho dos rotarianos do mundo inteiro, o número de casos de pólio em toda a Ásia diminuiu 94% desde 1980. Ao celebrar suas conquistas passadas, os rotarianos da Ásia também olham para o futuro. Sem dúvida a região mais populosa do mundo, a Ásia oferece ao Rotary grandes possibilidades de crescimento e servir (leia boxe abaixo). Na medida em que a erradicação mundial da pólio chega à sua reta final, os rotarianos irão entrar na fase mais difícil, que é a vacinação das crianças das regiões mais pobres da Ásia – ainda responsável por aproximadamente metade dos casos de pólio do mundo. Os rotarianos asiáticos estão prontos para aceitar esses e outros desafios no novo milênio. Nos últimos 80 anos, os companheiros da Ásia exemplificaram o espírito de voluntariado que transcendeu as fronteiras da geografia, da raça e do credo.
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* O autor é especialista em comunicações
para a Ásia do Departamento de
Informações ao Público do RI.
Traduzido por Janete Costa
Nascimento.